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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Selecção Nacional (de Jorge Mendes)

Não nutro grande apreço por Paulo Bento. Apesar de lhe agradecer as taças que conquistou pelo Sporting a verdade é que sempre o achei um bronco e estou convencido que, não fosse o seu feitio, talvez tivéssemos ganho mais do que apenas as taças. Os líderes não se impõem são naturalmente identificados, aceites e respeitados. Paulo Bento sempre teve este problema da liderança e sempre fez dela um cavalo de batalha. Quando teve no Sporting rodeou-se de miúdos para mais facilmente controlar o balneário. Na selecção faz o mesmo, escolhe os que lhe serão fiéis, ou melhor, fiéis ao todo poderoso gestor de carreiras Jorge Mendes. Quem precisa deste artifício é porque não sabe liderar.
Não gosto e não acho normal que o dito empresário, que por acaso também é o gestor da carreira do próprio seleccionador nacional Paulo Bento, detenha 12 jogadores dos 23 convocados. A saber, Rui Patrício, Pepe, João Pereira, Fábio Coentão, Bruno Alves, William Carvalho, Miguel Veloso, Moutinho, Ronaldo, Postiga, Hugo Almeida, Nani. E ainda tem mais uns dos 7 que ficaram de fora. Talvez isso justifique a chamada da eterna nulidade Postiga, Hugo Almeida e Nani, ambos com muito poucos jogos devido a lesão (ou falta de jeito).
As justificações de Paulo Bento são contraditórias. Diz que Quaresma não jogou a época toda, mas leva Nani que jogou apenas 11 partidas (e nem jogou os 90minutos), esteve lesionado e nem foi convocado para os últimos jogos do United.
Levamos jogadores lesionados como Postiga, que mesmo com duas pernas não vale nada, Hugo Almeida, Vieirinha, Rafa, Nani, Pepe, Éder… Enfim.
Rafa esteve parte da época lesionado. O Braga termina em 9º lugar. Pode ser um jovem promissor, mas será que, jovem por jovem, não terá Mané mais rodagem, confiança e disponibilidade física que Rafa? Será que Adrien Silva não teria lugar nesta selecção? Se me perguntassem se preferia Rául Meireles, Veloso, Moutinho ou Adrien a minha resposta seria Adrien. Moutinho foi recentemente distinguido pelo L’equipe como o maior Flop da época 2013/2014…

Ou jogamos como jogámos contra a Suécia, a defender e com um super Ronaldo sozinho na frente, ou isto não vai acabar nada bem. Conseguem imaginar o Postiga a fazer os sprints que o Ronaldo fez contra a Suécia?  Não, pois não?.. Mas vão ver que ele vai jogar. Oh se vai!..Nem que seja de andarilho!!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O dinheiro não se evapora!

A semana passada, se a memória não me falha, o tema da Antena Aberta, programa da Antena 1, foi: “A saída limpa é mérito do governo?”
As perguntas que me fiz foram:
O que é que o governo fez para conseguir reduzir a dívida pública?
Quais foram as tão esperadas reformas estruturais que fez ou iniciou?
Qual foi a sua contribuição para o aumento das exportações?
De uma coisa tenho a certeza, este governo conseguiu reduzir significativamente o nível de vida da grande maioria dos portugueses.
Claro que todos nós ouvimos dizer, várias vezes, que a dívida privada era superior à dívida pública, e que vivíamos acima das nossas possibilidades.
Ora, a pergunta que se impõe, a todos nós, é: Quanto é que eu devia, fruto de viver acima das minhas possibilidades, e quanto é que eu paguei? (entenda-se, quanto é que me foi retirado?)
Depois, é só fazer contas de somar e subtrair.
Se lhe der o mesmo que a mim, que pagou bem mais do que devia, então pergunte-se:
Para onde foi esse dinheiro?
E,
Por quem paguei?
Sim, porque nem todos pagaram, alguns até receberam, e também houve aqueles que pagaram menos do que deviam (literalmente).
Porque, quando o dinheiro nos sai do bolso, ele vai para algum lado, e se for na sequência de uma transação acordada entre as partes, está tudo certo, mas, quando assim não é, geralmente chamamos-lhe roubo.
Tendo esta crise levado o país a uma situação de emergência nacional, como nos foi dito várias vezes, não nos deveriam ter dito, de forma clara e precisa, quais foram as suas causas?
Se não houve nenhuma catástrofe natural, nem fomos invadidos por nenhuma força terrestre ou extraterrestre, então, a causa desta crise foi porque vivíamos acima das nossas possibilidades? Quem? Todos nós?
Ou será porque é difícil explicar, porque pode ser mal compreendido, nomeadamente quando se tratam de más decisões políticas? Más decisões, atrás de más decisões, que se estendem no tempo?
A verdade derradeira é que o dinheiro não se evapora. Quando sai de um bolso, vai para outro. Para onde foi o dinheiro?
Foi para pagar a dívida, qua não é mais que a soma de várias dívidas, que não se sabe muito bem como foram causadas nem por quem?

São estas as perguntas que vão pairando no ar, porque entretanto vão sendo mal esclarecidas, enquanto o dinheiro vai saindo do nosso bolso, sabe-se lá para quem.




    

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante estes rostos que me visitam diariamente. Médico psiquiatra

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Aumento de 2,6% nas tarifas dos CTT

Quantas vezes não ouvimos os nossos políticos justificar as privatizações de empresas do sector empresarial do estado com eficiências e diminuição dos custos para os contribuintes? Podemos não querer lembrar, mas já ouvimos isto várias vezes. A verdade é que isto nunca acontece e é fácil perceber porquê. Em empresas com dimensão nacional e por vezes até internacional, a “má gestão” de recursos humanos ou materiais dilui-se na operação. A operação representa uma fatia tão grande que pagar 1200euros a um funcionário que no mercado de trabalho livre receberia 800, são “piners” (pronúncia de Jorge Jesus para a palavra peanuts).
Acresce que o investidor que compra uma empresas destas quer lucro e recuperar o seu investimento no menor curto espaço de tempo, enquanto que uma gestão pública apenas se preocupa em constituir reservas suficientes. Até porque, por norma, são criadas entidades reguladoras para não deixar facturar mais do que o necessário. Como sabemos o lucro é calculado após as receitas e proveitos da empresa que incluem a operação (a grande fatia). Subir 2% no volume total de negócios representa muito mais do que cortar o salário a um milhar de trabalhadores, por isso é que para o contribuinte os preços nunca baixam.

Assim, só por mera ilusão ou falsidade se diz que uma empresa vai custar menos aos contribuintes sendo privada do que sendo pública. Prova disso é o aumento anunciado hoje nas tarifas dos CTT em 2,6%. Aposto com quem quiser que lá para Setembro vai voltar a haver um aumento na ordem dos 3%. Não acreditam? Vamos esperar para ver.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O problema da Crimeia é um problema de Gás


Se vos disser que os triângulos representam furos de captação de gás e a mancha azulada a reserva de gás, acho que não é preciso dizer muito mais...
Para além disso, controlando os únicos gasodutos junto à costa, garante-se a dependência da Ucrânia (e outros países) uma vez que se impossibilita o abastecimento por via marítima.

O Sorteio das Fa(r)turas

Vai começar o badalado sorteio dos Audi A4 e A5 a entregar aos bons contribuintes que fazem o favor ao estado de pedir factura e de fiscalizarem o pagamento de impostos pelas empresas substituindo-se ao estado nessas funções. E como é que o estado agradece? Entrega carros que para a maioria da população não servem. Como dizem, e bem, quem é que nesta altura tem dinheiro para beneficiar de um carro daqueles?! Pois. Mas será que já pensaram se é suposto o povão ficar com aqueles carros? Vai ser necessário uma sorte danada! É que a rifa para entrar no sorteio é atribuída por x euros em facturas. O que é que acontece? O piolho, que gasta apenas no supermercado, água, luz, gás e pouco mais, vai ter 10 vezes menos hipótese de ganhar comparando com quem compra um fato Rosa&Teixeira, uma mala LuisVitton todos os meses…
Talvez por isso é que são entregues Audis A4 e A5 e não “Fordes” Fiesta de 15mil euros! Caros contribuintes, convençam-se: se os impostos quando nascem não são para todos, os prémios dos impostos também não! Isso é que era bom!
Então a divulgação da informação dos custos de manter um carro daqueles, completada com “a possibilidade de se recusar a participar no concurso” diz tudo sobre o que é suposto acontecer nestes sorteios. Claro que primeiro vai sair a um Zé povo qualquer para a SIC e a TVI fazerem propaganda. Mas depois disso…

Nota: O governo anda sempre a falar que devemos aumentar as exportações e diminuir importações. Anda sempre a dizer que devemos optar por produtos nacionais e estimular a nossa economia. No entanto, tendo a possibilidade de comprar VW Scirocco, que é um carro também de gama alta (35 a 45 mil euros) adopta antes pela importação de carros de 58mil euros…

terça-feira, 1 de abril de 2014


http://www.publico.pt/opiniao/jornal/o-sonho-de-pedro-passos-coelho-25222371


"Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. Se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.

Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.

Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.

O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca- -vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.

O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.

Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."

sexta-feira, 7 de março de 2014

O coelho que nasceu raposa


Esta semana ouvimos o primeiro-ministro alertar os portugueses para o facto de que a nossa vida, mesmo após a saída da troika, não voltará aos níveis de 2010. Acho que só mesmo quem esteja muito desatento ou emigrado nos últimos 3 anos, é que pode ainda não ter percebido isso.

A sucessão de mentiras ou artimanhas encontradas para justificar a inépcia, a incompetência ou vigarice deste governo já originou anticorpos em alguns de nós. Já não ligamos ao que aquele bando de pulhas nos diz.

Todos sabemos que um país que em 3 anos não deixou de se endividar, pelo contrário, endividou-se ainda mais, não pode estar melhor do que antes. Só num número de ilusionismo, arte em qual Paulo Portas parece doutorado, é que se pode mascarar tais factos. Vamos ver então qual vai ser o próximo espectáculo de magia, talvez, no ano de eleições, 2015, o IRS baixe um pouco para iludir o povo de que a saída da troika melhorou a vida dos portugueses. Como é possível? À custa da dívida que anda a ser contraída antecipadamente… Espertos que nem raposas.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Recompra de dívida



Mais uma vez ouvimos com pompa e circunstância nos órgãos de comunicação social um aclamado sucesso na ida aos mercados para recomprar dívida que vencia em Outubro de 2014 e outubro de 2015. A primeira chamada de atenção, dos mais de 15mil milhões de dívida que vencem nesse período o estado apenas conseguiu comprar mil.

O segundo aspecto importante prende-se com o objectivo disto tudo. Para se recomprar dívida tem de se ter liquidez. Ora há duas semanas o estado Português vendeu dívida com juros de 5,11%. Se o juro da dívida que foi recomprada era superior a 5,11%, então estaremos perante um bom negócio. Mas se fosse inferior (que é o que consta) então é um mau negócio. Quer dizer que fomos há duas semanas contrair mais dívida a 5,11%, em quantidade superior ao que necessitávamos, apenas para ficarmos com alguma liquidez para agora fazermos esta acção de recompra.

Então qual o objectivo por detrás disto tudo? Creio que a resposta está no primeiro parágrafo. Como a dívida vencia em outubro deste ano e em 2015 (ano de eleições), contraiu-se há duas semanas dívida para agora poder-se aliviar a de 2014 e 2015, curiosamente ano de eleições.

Bom, peguei no gráfico que publiquei em dezembro e fiz uma pequena actualização, como se pode ver na imagem.

·         Em Dezembro2013 foram 6,2mil milhões atirados para 2017 e 2018 (amarelo);

·         No início de Janeiro foram 3mil milhões atirados 5 anos para a frente(laranja);

·         E agora foram mais 3mil milhões atirados 10 anos para a frente ou seja 2024 (rosa).

Mais uma vez não estamos a pagar dívida estamos a atirá-la para a frente.
Quem ainda não emigrou, é bom que comece a ponderar, porque olhando para o gráfico as perspectivas não são nada animadoras. Se isto foi o que foi nos últimos anos para conseguirmos amortizar (pagar ou vender nova dívida) no valor de 11mil milhões, nem quero imaginar o que vai ser quando tivermos de amortizar (pagar ou vender nova dívida) de 17mil milhões, como acontece nos anos 2016, 2017 e 2018.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Circo do PSD 2014 – Coliseu de Lisboa


Este fim-de-semana decorreu mais um congresso do PSD, mas para mim, do pouco que vi pareceu-me mais um circo ou um espectáculo de stand-up-comedy do que debate político. Começo por aqui mesmo, política.

Tudo o que vi em directo foi mau, foi palhaçada. E tudo o que vi nos resumos dos órgãos de comunicação social foi pior ainda: peixeirada. Política, ideais ou convicções: ZERO.

Muitos disparos contra Seguro, muita gente preocupada em “marcar lugar” no partido (Santana, Menezes, Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa) e pouca substância. A minha opinião pessoal é que este congresso colocou em evidência o falhanço da nossa democracia e o porquê do estado miserável em que se encontra o nosso país.

Não há cérebros. Não há iluminados. Não há estadistas. Não há governantes. Não há política nem políticos.

Existem sim, neste país, diferentes matilhas em que os seus membros aprenderam a respeitar a hierarquia e a viver na e à custa da matilha. Todos eles esperam que o líder caia, mas enquanto isso não acontece vão andando com a matilha, sempre à espera do seu naco de carne, da sua parte do festim.
Esta cobardia e dependência do partido demonstrada por Marques Mendes e Rebelo de Sousa descredibiliza-os por completo. O beija-mão não é coisa compatível com o raciocínio livre. Esta ditadura partidária espelhada na falta de valores e de respeito pela divergência de opiniões dos seus camaradas de partido, conduziu-nos à actual situação económica e é responsável por termos actualmente os piores intervenientes políticos de sempre desde o 25 de abril. Uma miséria.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O problema Ucraniano


Ao ver todos os dias as imagens impressionantes de Kiev, onde estoicamente ucranianos lutam com a sua própria vida pelos seus ideais, seria mais que justo da minha parte fazer uma referência a todo este impasse.

Recapitulando, as últimas adesões à União europeia deixaram de fora a Ucrânia, uma vez que o país não se encontrava em condições para aderir, quando há uns anos, os novos membros se prepararam para entrar. É um país que ainda tem muita corrupção, muitas dúvidas nos actos eleitorais etc. No entanto este ficar de fora deixa marcas, ainda por cima, quando os dirigentes políticos ucranianos foram fazendo jogo duplo ao longo dos últimos anos, dizendo que sim à união, ao mesmo tempo que não diziam não à Rússia. Foram assim empurrando o problema para a frente, até que, chegado o dia de decidir, as expectativas pró europeias do povo foram friamente desfeitas.

Como em quase todos os conflitos o problema resume-se a dinheiro. Falta dele ou muito mas limitado a poucos, o problema anda sempre à volta disto. A Ucrânia debate-se com grandes dificuldades financeiras e salários baixos. A adesão à União resolveria o problema? Talvez não porque um país mergulhado há anos numa cultura de corrupção demoraria muitas décadas a recriar-se numa sociedade mais justa e próspera. Mas é legítimo abdicar do sonho de tornarmo-nos melhores só porque o caminho é difícil? Não. E os Ucranianos ao longo das últimas décadas já sentiram na pele o que a aliança económica com a Rússia produziu e principalmente o que não produziu. Por isso têm o sonho.

E o papel do presidente Ucraniano no meio disto? Bom é difícil. O facto é que energeticamente a Ucrânia depende da Rússia que ameaçou subir os preços. Ao mesmo tempo, a mesma Rússia vai comprando aos poucos a dívida Ucraniana, que não dá para produzir alterações significativas na economia mas apenas para manter a Ucrânia “ligada à máquina”. A verdade é que o país está altamente dependente da Rússia e devido à falta de credibilidade das instituições ucranianas e da elevada corrupção, não há investidor que esteja interessado em comprar dívida daquele país. Mesmo a União Europeia. Teria sido prudente ter realizado um referendo? Talvez. Mas num país em que o próprio presidente é acusado de ter ganho as eleições de forma fraudulenta, seria sempre difícil, se não impossível, de as diferentes facções aceitarem os resultados.

Depois existem todas as questões estratégicas e geográficas. O gasoduto que atravessa a Ucrânia e abastece a europa também não deve ajudar à festa. Enfim, demasiados interesses que acabam por vitimar quem apenas ambiciona a ter comida no prato e aquecimento na casa para a sua família. Enquanto as economias falarem mais alto que os interesses sociais este problema vai ser difícil de resolver. Para já, o meu respeito por quem luta com a própria vida, por um sonho de uma vida melhor.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Leonardo Jardim Inventou: Benfica esmagou


Confesso que as derrotas como a de ontem são as que mais me custam a engolir. Isto porque, eu não exijo que o Sporting tenha “Messis”, mas exijo que tenha um pouco mais de Académica, de Rio Ave e de Nacional etc. na sua postura, ou seja um pouco mais de espírito de entrega, de equipas pequenas quando jogam contra os grandes: pés assentes na terra e humildade em vez de vedetismo.

Ontem Jardim resolveu ser vedeta e saiu mediocremente banalizado. Tal como antes do jogo vi em muitos jornais e na blogosfera profetas encantados com o arrojo de Jardim para domingo, vejo hoje esses profetas resignados à ausência de William Carvalho. “Sem ele, não somos nada!” – Apregoam.

Nada mais errado. Nem o arrojo de Jardim era acertado, pelo contrário, estava bem errado, nem a dependência de William Carvalho é assim tão forte. Pelo menos, na minha opinião! Como se pode tirar essa conclusão de uma equipa que nada tem que ver com a equipa onde joga William Carvalho, tal foram as alterações preconizadas por Jardim? Só por estupidez.

Jardim falhou estrondosamente e pior do que isso foi não ter a humildade de assumir o seu erro atirando as culpas para a atitude dos seus jogadores, que, na visão do treinador, não fizeram pressão nem circularam a bola. Os bons resultados que a equipa vinha a fazer incharam o ego de Leonardo em demasia, ao ponto de, no alto da sua soberba, nem sequer perceber que a tal falta de atitude dos jogadores, de pressão e capacidade de passe, deveu-se ao facto de o treinador ter alterado por completo o estilo de jogo dos últimos 7 meses. Se esta derrota servir para Leonardo Jardim descer à terra, esvaziar a soberba e voltar ao seu modelo de jogo simples, então foi bem-vinda. Se Jardim não tiver aprendido nada, vai espetar-se outra vez e com ele leva a equipa e o Sporting.

Passando ao jogo propriamente dito o que se passou ontem foi que para resolver o problema da falta de 1 jogador, perderam-se 4. Dier e André Martins fora das suas posições foram ZERO e Montero e Slimani sem bolas foram ZERO. O problema não está no Piris ou no Rojo. Está em passar 90min a correr atrás dos jogadores do Benfica porque não há meio campo. Só lá estava um: Adrien que foi uma vítima no meio disto tudo.

Quem era o melhor substituto do William Carvalho? Adrien. Então qual era o problema na montagem da equipa? Era substituir o papel do Adrien no jogo. Qual o jogador mais parecido a Adrien? Está na equipa B e chama-se Ricardo Esgaio. Segundo problema: sem William perdemos altura. Solução simples sem alterar o sistema de jogo: Montero no banco joga Slimani (foi assim que o Sporting jogou e muito bem, com o Porto em Alvalade).

Se achava que a altura dos jogadores ainda não era suficiente colocava o Dier em vez do Maurício ou do Rojo no eixo da defesa. Se ainda estivesse obcecado com a altura começava o jogo com Heldon e Wilson Eduardo nas alas. Mantinha o seu sistema de jogo, principalmente a dinâmica do meio campo. Mantinha a equipa equilibrada e mesmo que perdesse 2-0 fazia uma boa exibição. Assim, perdeu os 3 pontos, perdeu a motivação dos jogadores que já não têm taças e agora nem campeonato e, principalmente, foi uma cagada em três actos, com clara desvalorização dos jogadores que entraram em campo…

Já não sei qual foi o treinador que uma vez disse isto: para que me servem avançados se não tenho meio-campo para os alimentar? É para mim um princípio básico do jogo e creio até que já escrevi aqui no blog que, a grande equipa do Barça de Guardiola, jogava sem avançado e goleava. Para quê jogar com dois avançados se a bola não chega lá?

Dai-me paciência para a estupidez dos treinadores que este clube vai buscar.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A educação de um povo


Tem-se falado muito do incentivo que o ministério das finanças quer dar aos contribuintes que solicitam factura sempre que gastam dinheiro. A ideia até pode dar resultado. Aliás, não tenho dúvida que vai resultar em maior receita fiscal para os cofres do estado. Não concordo é com o princípio que está por detrás desta medida. Tal como nós não devemos educar os nossos filhos a trabalhar em casa, ou a portarem-se bem com base em recompensas, também o estado não deve educar o seu povo da mesma forma. É obrigação de um filho respeitar um pai, pelo menos assim o deve ser. Com os “rebuçadinhos” corremos o risco de alimentar o lado mercenário que já existe em elevada percentagem nos genes do nosso povo. Esse tem sido o maior problema deste país. É que a maior parte da população quando olha para os seus vizinhos não vê uma comunidade, não vê uma sociedade não vê um rumo conjunto, vê uns tansos mesmo a jeito de serem comidos.

Esta nossa forma de estar, orgulhosamente egoísta e presunçosa, está na base do nosso falhanço como país, como comunidade. Porque em vez de nos indignarmos quando vemos velhos ou reformados a serem espoliados dos seus direitos, até suspiramos de alívio por não serem os nossos tomates a serem apertados. É o princípio do cada um por si. Este governo, bem sabedor das fraquezas do seu povo, vai explorando o pior que dele pode tirar.

Assim, com a cenourinha à frente, o burrinho, carregado com sacos de impostos, cansado de tanto imposto alombar, lá vai arranjar mais umas forças para se aguentar até chegar à cenourinha. Mesmo sabendo que há uma forte probabilidade de no final, o dono fazer desaparecer a sua querida cenourinha.
Há opções? Há. Para quando colocarem uma disciplina, no final da escolaridade obrigatória (9º ou 12º), sobre a sociedade civil, onde se abordem, entre outros temas, a questão dos impostos quais são e para que servem, dos contratos de trabalhos, o funcionamento da segurança social etc. Comecei a trabalhar aos 23 anos, após os estudos superiores e não sabia nada de nada, limitei-me a assinar os papéis que me metiam à frente. Lembro-me até, de alguma indignação por parte dos funcionários das finanças e segurança social, pelas perguntas que lhes colocava. Alguém teve o cuidado de me explicar? Quando as pessoas não sabem ou não percebem o funcionamento do "sistema" ou das coisas, não lhes dão o devido valor. Isto é mais que certo.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Estoril Open Vrs Miró


Ouvi ontem a notícia que, devido às dificuldades de financiamento da empresa de João Lagos para organizar o torneio do Estoril Open, o estado pondera reconhecer o mesmo como de “interesse público” de forma a justificar o seu financiamento. Hoje são 2milhões que estão em falta, quando for o estado a pagar serão 5milhões, já se sabe. A história recente está pejada de exemplos em que quando são privados a organizar é tudo pelo mínimo, mas quando é o estado a pagar é tudo em grande.

Acontece que este evento é para que meia dúzia de tios de cascais, por uns dias, sintam-se como nos dias loucos de Wimbledon ou do Parque dos Príncipes - brincarem ao desporto. O dinheiro, esse mal necessário, vai para prémios dos participantes e vencedores –a maioria estrangeiros – para a organização, João Lagos tem de viver de alguma coisa e preferencialmente bem, e para os filhos dos tios de cascais que nesses dias são contratados pela organização (a bom preço) para ajudarem no evento.

O mais interessante é que só nos jogos dos melhores classificados no ranking mundial ou das meias-finais para a frente, é que as bancadas do court esgotam. Nos restantes andam às moscas. Isto demonstra bem o "interesse público" no evento: pouco. Aliás, com a crise a tirar qualquer sonho de cometer pequenas excentricidades à classe mediana, a afluência ainda deve ser mais baixa. 

Eu até que gosto do ténis, gosto mesmo. Não tenho nada contra. Mas numa altura que vejo o governo a dizer que as obras de Miró não interessam e que têm de vender os quadros para fazer dinheiro, prepararem-se para gastá-lo numa organização privada de um torneio sectário dá-me a volta à tripa.

Já alguém perguntou aos milhares de museus espalhados pelo mundo se estariam interessados em expor 85 obras de Miró? E quanto pagariam por mês pela exposição? Estou em crer que em vez dos 2milhões negativos (para começar) do torneio de ténis obteríamos 2milhões de euros positivos no balanço anual das nossas finanças. Ah, e continuaríamos a ser os donos do património.

Este governo faz-me lembrar os piores momentos da nossa história, com os gastos e desperdícios da família real a fazer-se mais do que aquilo que realmente eram: novos ricos.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

“Miró longe”


O estado “herdou” do BPN 85 obras do mediático pintor catalão (Miró) e prepara-se para as despachar num leilão em Londres a decorrer dia 4 e 5 de fevereiro.

Felizmente ainda há gente com cabeça neste país e lá se juntaram 8.100 alminhas que assinaram uma petição contra a venda das obras de arte e manutenção das mesmas em Portugal.

De facto a falta de visão de quem manda neste país é atroz. Talvez não seja falta de visão, mas sim interesses em demasia. Há sempre dinheiro a escorregar nestas coisas.

Não sei qual a estimativa do valor da colecção, mas uma coisa eu sei: nos países desenvolvidos compra-se arte, artefactos e antiguidades, criam-se museus com entradas pagas e gera-se receita. O que atrai as pessoas à Igreja de Santa Maria delle Grazie em Milão? A última seia de Leonardo Da Vinci (20euros). Quantas pessoas entram no Louvre apenas pela Mona-Lisa? Ou quantas pessoas visitam o Museu D’Orsay pelas obras pelos consensuais Van Gogh, Monet, Manet, Renoir e também pelos menos consensuais Paul Gauguin e Gustav Klimt?

Poderão dizer que deveríamos promover os nossos. É verdade que sim. E querem melhor forma  que aproveitando o mediatismo alcançado por outros (independentemente do gosto), como é o caso de Miró? Lembro-me que recentemente a colecção de Graça Morais esteve para perder o espaço em Cascais (não sei se não perdeu mesmo), mas já pensaram no potencial que teria uma galeria com artistas tão diferentes como Miró e Graça Morais? Tantos palácios e conventos a cair de podre por este país fora sem conseguir atrair visitantes que justifiquem a sua reabilitação e manutenção e deixa-se fugir do país uma substância destas?

Cristiano Ronaldo abriu um museu no funchal e a atracção turística não se limita aos portugueses, muitos estrangeiros têm visitado o espaço. Será que vamos continuar a desperdiçar fontes de receita? Ronaldo, faz um favor à malta e compra-me os quadros de Miró e coloca-os no Funchal. Vais ver que além de velhinhos que gostam de beber o seu chá, vinho madeira e passear nas levadas, a Madeira começa a atrair outro tipo de turista, mais virado para a arte. É sempre bom abrir o leque de opções.

Será que alguém do estado perguntou a algum português se queria as obras? A alguma Câmara Municipal? E porque é que o leilão tem de ser em Londres e não aproveitam para promover a cidade de Lisboa para este tipo de evento?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Obsceno: 85 pessoas mais ricas possuem mais bens do que metade da população mundial


(Posted by  on January 22, 2014)

Oxfam: as 85 pessoas mais ricas do mundo possuem mais riqueza do que 3,5 bilhões de habitantes do planeta, isso é obsceno.
O Fórum Econômico Mundial de Davos começa, e as reclamações da OXFAM sobre a crescente desigualdade tem sido impulsionada pela tomada do poder pelos mais ricos.
As pessoas mais ricas do mundo não são conhecidas por viajar de ônibus, mas se pensando em uma mudança de cena, as 85 pessoas mais ricas  do globo – que controlam tanta riqueza quanto a metade mais pobre da população mundial juntos, ou seja 3,5 bilhões de seres humanos – poderia se espremer em um único double-decker (n.t. um ônibus de dois andares).
Tradução, edição e imagens:  Thoth3126@gmail.com

Com a aproximação do Fórum Econômico Mundial, (n.t. uma reunião da elite mundial) a ser realizado em Davos, na Suiça, reivindicações da OXFAM – (Oxford Committee for Famine Relief -Comitê de Oxford de Combate à Fome) pede maior cooperação para o desenvolvimento e o fim da desigualdade entre ricos e pobres.
A medida em que tanta riqueza global tornou-se entesourada por um punhado virtual da chamada ‘elite global’, o assunto está exposto em um novo relatório da Oxfam desde a segunda-feira, dia 20 de janeiro. Ele adverte que aquelas 85 pessoas mais ricas  em todo o globo compartilham uma riqueza combinada de £$ 1 trilhão de libras(RS$ 3,898 trilhões de reais), tanto quanto as demais 3.5 bilhões de pessoas mais pobres da população do mundo.
A riqueza dos 1% mais ricos do mundo equivale a US$ 110 trilhões, ou 65 vezes mais do que a metade mais pobre do mundo, acrescentou a instituição para o desenvolvimento da caridade, que teme que esta concentração de recursos econômicos está ameaçando a estabilidade política e dirigindo-se as tensões sociais em vários países.

Winnie Byanyima, o director-executivo da Oxfam, que vai participar das reuniões de Davos, disse: “É impressionante que, em pleno século 21, metade da população do mundo – que são três e meio biliões de pessoas – não possuem mais do que uma pequena elite cujo número poderia caber confortavelmente em um ónibus de dois andares”.
A Oxfam também argumenta que isso não é acidente. A crescente desigualdade de riqueza tem sido impulsionada por uma “tomada de poder” pelas elites ricas, que cooptaram o processo político para defraudar as regras do sistema económico em seu favor.

No relatório, intitulado Working For The Few ( resumo aqui ), a Oxfam advertiu que a luta contra a pobreza não pode ser vencida até que a desigualdade da posse de  riqueza tenha sido abordada.

AS DEZ PESSOAS MAIS RICAS DO MUNDO:

Carlos Slim Helu  – (Telecom Mexico) £44.6bn
Bill Gates - (Microsoft US) £41bn
Amancio Ortega - (Zara Spain) £34.8bn
Warren Buffet - (Berkshire Hathaway US) £32.7bn
Larry Ellison - (Oracle US) £26.3bn
Charles Koch  – (Diversified US) £20.8bn
David Koch  - (Diversified US) £20.8bn
Li Ka-shing  – (Diversified Hong Kong) £19bn
Lilian Bettencourt & family - (l’oreal France) £18.3bn
Bernard Arnault & family - (LVMH France) £17.7bn

“Ampliando a desigualdade é a criação de um círculo vicioso, onde a riqueza e o poder estão cada vez mais concentrados nas mãos de muito poucos, deixando o resto de nós a lutar por migalhas que eventualmente caiam de cima da mesa dos mais ricos”, disse Byanyima.

Byanyima explicou:
“Nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, estamos cada vez mais vivendo em um mundo onde as menores taxas de imposto, o melhor acesso a saúde e a melhor educação e as oportunidades de influência estão sendo dados não só para os ricos, mas também para os seus filhos e descendentes".

“Sem um esforço concentrado para combater a desigualdade, a cascata de privilégio e de desvantagens continuará ao longo das gerações. Em breve, viveremos em um mundo onde a igualdade de oportunidades é apenas um sonho. Em muitos países, o crescimento económico já equivale a pouco mais do que o “vencedor leva tudo”, com lucros extraordinários para os muito mais ricos. “
O relatório da Oxfam revelou que ao longo dos últimas décadas, os ricos têm exercido com sucesso influência política para distorcer políticas em seu favor em questões que vão desde a desregulamentação financeira, os paraísos fiscais, práticas comerciais anti-competitivas para reduzir as taxas de imposto sobre os seus rendimentos elevados e cortes em serviços públicos em detrimento da maioria da população. Desde o final de 1970, as taxas de impostos para os mais ricos caíram em 29 dos 30 países para os quais existem dados disponíveis, segundo o relatório.
Esta “captura de oportunidades” pelos ricos à custa dos mais pobres e da classe média levou a uma situação em que 70% da população mundial vive em países onde a desigualdade aumentou desde a década de 1980 e 1% das famílias possuem 46% da  riqueza mundial – quase £$ 70 trilhões de libras.


 Artigo completo em:

http://thoth3126.com.br/obsceno-85-pessoas-mais-ricas-possuem-mais-bens-do-que-metade-da-populacao-mundial/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=obsceno-85-pessoas-mais-ricas-possuem-mais-bens-do-que-metade-da-populacao-mundial



O Rei da demagogia


Já estamos habituados ao chorrilho de discursos demagógicos das figuras do CDS, no entanto, devido ao avançar da idade a coisa vai refinando.
Vejam este vídeo da inauguração de um relógio em contagem decrescente para a saída da troika do país, como se esse evento mudasse alguma coisa nas nossas vidas, cada vez mais engolidas por novos impostos e taxas…

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

CDS o partido de “fachada”


Qualquer pessoa que se interesse pelos destinos do país e que preste alguma atenção aos nossos políticos, certamente já se apercebeu que tudo o que o Portinhas promete em feiras, não passa disso mesmo, promessas. Que tudo o que antes era prioritário, depois, quando no poder, é esquecido e tudo o que é irrevogável pode passar, num piscar de olhos, a revogável. A falta de caracter é a raíz do mal dos nossos partidos e que no CDS atinge o seu expoente máximo.

No CDS cultiva-se essa cultura nos membros do partido a tal ponto que se cai no ridículo. A comissão europeia recebeu uma queixa de Maros Sefcovic - “A comissão recebeu 312 perguntas virtualmente idênticas de um único deputado, a perguntar acerca das relações da EU com quase todos os países do Mundo”. O comissário eslovaco demonstrava a sua preocupação com o estratagema que visa apenas inflacionar a actividade parlamentar dos deputados europeus, sem consequências positivas para o desenvolvimento dos trabalhos.

Ao que parece os “fura-esquema”, como sempre, são portugueses e espanto dos espantos, deputados do CDS. As alminhas, a saber Diogo Feio e Nuno Melo, neste último ano de mandato e talvez devido à sua fraca participação nos outros três anos dos quatro que compõem o mandato, desataram numa corrida desenfreada qual competição, de perguntas ao parlamento. O problema é que, tal como a fábula da lebre e da tartaruga, acordaram tarde. Vai daí, e como se “cagaram” para o parlamento europeu e os seus debates - a única coisa que realmente lhes interessou foi o cacau no final do mês – arranjaram duas ou três perguntas e reciclaram-nas para todos os países do mundo incluindo Quiribáti, que eu pessoalmente nunca ouvi falar, com o único prepósito de virem para Portugal de boca inchada dizer que foram muito activos no parlamento europeu...

Assim Diogo Feio e Nuno Melo interpelaram o executivo comunitário só este ano 848 e 889 vezes respectivamente, sendo os dois responsáveis por quase 20% das perguntas submetidas por todo o parlamento este ano(!) o que é fenomenalmente vergonhoso, dado o teor das perguntas.

Além de me envergonhar o facto de ser este tipo de gente a representar o meu país numa instituição tão importante, dá-me asco. Isto porque a nossa comunicação social, sabendo disto, pura e simplesmente não deveria de os convidar para mais nada! Deveriam ser banidos dos órgãos de comunicação social e de quaisquer cargos públicos. No entanto, volta e meia é ver estes artistas a mandar bitaites nos programas de televisão nacional (e a ganhar umas coroas extra) ao invés de estarem a fazer o seu trabalho de deputado europeu. Seria impensável num país do norte da europa alguém contratar estes tipos sabendo que os mesmos não exercem (ou exerceram) a função condignamente. É esta mentalidade que faz falta no nosso país: exigência.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O (in)sucesso da troca da dívida


A semana passada – com uma grande ajuda, uma vez mais, dos meios de comunicação social – o governo bradou em todas as direcções e no máximo que os pulmões permitiram, que a troca de dívida realizada havia sido um sucesso. Um sinal de confiança dos investidores na economia portuguesa. Será mesmo assim?
1º - O governo queria trocar não 6,2mil milhões, mas sim 25mil milhões, ou seja só conseguiu 25% do que queria. Não sei o que parece aos outros mas a mim parece-me um falhanço.

2º - Os 6,2mil milhões (mais coisa menos coisa) que foram trocados, só o foram graças aos investidores portugueses – a banca nacional – ou seja,os investidores estrangeiros, que no fundo são os que representam os mercados, não foram na conversa e não trocaram a sua dívida, o que significa que querem o seu dinheirinho já e não tencionam investir novamente na nossa dívida. Já a banca nacional, como de costume, devido às ligações umbilicais que tem com as finanças públicas, aceitou prolongar. E é fácil perceber o porquê. Nem vou falar de quem é que beneficia com as PPP’s, ou com as rendas excessivas (que permanecem intocáveis e sabemos o porquê). Relembro apenas que a banca nacional comprou dívida nacional a 7 a 12% de juro em 2011, descapitalizando-se e depois beneficiou através do empréstimo do FMI a Portugal de uma tranche desse empréstimo a 1,5%. Ou seja esta relação de pura simbiose e dependência (com lucro para os bancos) faz com que por vezes também tenham de fazer uma ligeira vénia. Por serem só os investidores nacionais a aceitarem, esta troca parece-me pura especulação numa tentativa de “enganar” os mercados, pura fantochada. Ou seja, um falhanço.

3º - E no seguimento do ponto n.º2, os bancos fizeram a vénia, sim, mas fizeram-na com os bolsos cheios. Porque trocaram dívida a 3% de juro, por dívida com 5% de juro. Numa situação tão difícil, em que começam a ouvir-se cada vez mais vozes a sugerir a renegociação da dívida para baixar os juros, este governo conseguiu a proeza de os aumentar. Mas como os nossos políticos só pensam no dia de hoje, em que são eles a governar e a mamar e não pensam no amanhã, que serão outros a ter de pagar, para eles isto foi um sucesso, para mim não – falharam.
4º - Para este ponto vou usar o gráfico que o jornal Expresso publicou no suplemento económico. Ora “metam” mais 6mil milhões no gráfico nos anos de 2017 e 2018 e vejam onde vai para a barrinha do gráfico. Mesmo que distribuam 3mil por cada ano, não vão ser anos fáceis para quem governar e para os contribuintes.
 
5º - Para quem gozou e insultou Sócrates quando disse que as dívidas dos países não eram para ser pagas mas para ser geridas, sugiro que comece a engolir o sapinho. Porque o que este governo fez, na pessoa de Maria Luís Albuquerque é exactamente isso. Não pagaram, geriram, empurrando com a barriga para a frente, justificando assim o tão empregue ditado popular “quem vier atrás que feche a porta”.

6º - E último e em jeito de reflexão, deixo aqui um considerando. Se vamos pagar uma taxa de juro de 5% por dívida a 3 anos quanto é que vamos pagar de juro para dívida a 10 anos? Caso não se recordem a taxa de 7% foi considerada por todos proibitiva e motivo suficiente para recorrer ao FMI…

Que belo sucesso temos aqui!!...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Luis Filipe Vieira também foi ao BPN..

(Quase que me apetece perguntar: e quem é que não foi??)


Luís Filipe Vieira goza de um estatuto que poucos portugueses algum dia irão gozar. É presidente de um clube de futebol, ainda por cima, de um grande. Como todos sabemos em Portugal quando o cidadão comum alcança o estatuto de figura pública ganha quase como um “medalhão” de protecção, qual item mágico saído do jogo World of Warcraft ou de um filme do Senhor dos Anéis ou Hobbit.

Esse medalhão mágico, além de proteger das consequências que poderão ter as bisbilhotices do Ministério Público, abre também outras portas que se encontram bem trancadas ao comum do cidadão português. O medalhão confere ao portador uma áurea de honestidade e de boas intenções que faz qualquer um esvaziar os bolsos para o ajudar na sua cruzada ou apenas para vencer as suas dificuldades financeiras correntes, vicissitudes claro está, de uma vida difícil de figura pública.


Estes esquemas financeiros em que se atribuem créditos sem garantias bancárias não estão ao alcance de todos, só dos que possuem o tal “medalhão mágico”. Depois, ainda há medalhões e “medalhõezitos”, consoante o grau da figura pública. Conceder um crédito de 20milhões sem garantias não é para todos. Conseguir pagar parte do crédito com acções da SLN (que não eram cotadas em bolsa, pelo que ninguém pode saber o valor real de cada acção) também não é para todos. Ficar a dever 17milhões ao BPN, ver a sua dívida ser transferida para a Parvalorem com o rótulo de incobrável, não vendo os seus bens confiscados e continuando a fazer a sua vida normal de presidente de uma instituição pública desportiva que recebe incentivos do estado, não é definitivamente para todos! Só mesmo a nata da nata das figuras públicas, munidas de um mega medalhão mágico, podem almejar tal estatuto!!

O cidadão comum, esse parasita da sociedade, que nada fez para subir na vida e lutar por agarrar o seu medalhão mágico, só tem é que pagar pela sua inércia e inépcia e embevecer-se com a classe, a elasticidade, a “lábia” e falta de senso civil que abunda nestes espertos da sociedade.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A hipocrisia de Cavaco não encaixa em Mandela


A morte de Mandela já era esperada há pelo menos alguns meses visto que dependia de uma máquina para viver, o que eu não esperava era que Cavaco quisesse ir à cerimónia fúnebre do mesmo. Isto porque em 1987, Cavaco, então primeiro-ministro de Portugal, resolveu votar contra a libertação de Mandela ao lado do Reino unido e Estados Unidos da América. Podem dizer que o voto contra baseou-se apenas no facto de ser na libertação armada, podem dizer o que quiserem. O facto é que os outros países, os que não concordaram, abstiveram-se. Portugal nem votou a favor, nem se absteve, votou contra.
A verdade é que aproveitámos essa desculpa para defender os nossos interesses. Portugal tinha, e tem, uma comunidade de dimensão razoável na África do Sul, principalmente de Madeirenses, cujos negócios poderiam implodir com o fim do Apartheid. Fomos calculistas, fomos egoístas e pensámos apenas nos nossos interesses. Temos de assumir esse erro.

Custa-me por isso pensar, que alguém que há 26 anos teve esta atitude vá agora, como se nada se tivesse passado, ao funeral de quem quis calar, de quem quis manter controlado. Corremos o risco, como país, de sermos ridicularizados por isso. Enviem a Presidente da Assembleia da República Assunção Esteves, enviem o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, enviem o Vice ou o ministro dos negócios estrangeiros, porque a homenagem a Mandela é mais do que merecida. Mas por favor, tenham vergonha na cara e não enviem o presidente que foi o responsável à data pelo nosso voto contra!..

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Privatização da EGF

Já fiz algumas referências à Empresa Geral de Fomento do grupo Águas de Portugal, que gere as empresas do grupo na área do tratamento dos Resíduos Sólidos Urbanos. Creio que até já alertei para a mina de ouro que representa de tal maneira que, por exemplo, em Itália este serviço é controlado pela máfia. Todos sabemos que onde a máfia investe é porque dá dinheiro. Ora sendo um monopólio, tal como a EDP, a PT, a REN os CTT a AdP, etc., é um perigo calhar em mãos mafiosas.
Vem hoje no diário económico online, que para além de investidores estrangeiros, também algumas empresas nacionais estão interessadas, curiosamente da área da construção a saber: Mota-Engil, DST e Teixeira Duarte. Não é que as mesmas sejam “expert” na matéria, mas onde cheira a dinheiro as construtoras estão lá. Mais, todos sabemos e conhecemos exemplos de ligações partidárias de administradores de construtoras. Infelizmente a construção civil aparece muitas vezes ligada a negócios pouco claros de desvios de dinheiro e por isso, nos dias de hoje, goza de uma imagem (corrupta) justamente atribuída.
 

domingo, 8 de dezembro de 2013

Bruno Maçães

O secretário de estado do governo – que diga-se é mais um boy teórico - está sob fogo pelo discurso retórico que teve na Grécia, que chocou os mesmos e os restantes países europeus, sendo até apelidado de mais alemão que os alemães. O que tem alguma razão de ser uma vez que o mesmo trabalhou em Berlim antes de vir para o governo português. Quem sabe não é um enviado especial para defender os interesses alemães em Portugal? É que até parece que ele – Bruno Maçães – não pertence ao governo de uma país intervencionado com enormes dificuldades. É que este discurso vindo de um país cumpridor até se compreende, de um governo devedor já é mais difícil de entender! Constança Cunha e Sá chamou-lhe tonto e lunático, eu chamo-lhe alemão extremista. http://www.tvi24.iol.pt/opiniao/constanca--constanca-cunha-e-sa-opiniao-comentario-bruno-macaes-tvi24/1516087-5339.html

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Ângelo Correia – Subvenção vitalícia


Questionado por uma jornalista da Antena 1, no dia 24 de outubro de 2011, sobre um eventual corte de 14% nas subvenções vitalícias (de que é beneficiário em 2.200€), Ângelo Correia disse “aceito essa medida, ressalvando no entanto que não pretendo abrir mão de um direito adquirido”. “Os direitos que nós temos são direitos adquiridos legalmente, no sentido em que foi um cumprimento. Uma contrapartida perante aquilo que durante 20 anos, como é o caso, as pessoas desempenhara, em muitos casos com dedicação de tempo que lhes comprometeu uma parte da vida profissional.”

Podemos assim concluir que para Ângelo Correia – que criticou por mais que uma vez os direitos adquiridos dos trabalhadores dos Estaleiros de Viana, do terminal dos contentores de Lisboa, dos funcionários públicos ou dos pensionistas - os descontos que os referidos fizeram ou os ordenados que auferem são ilegais ou imerecidos, porquanto podem ser subvertidos a qualquer momento pois não se consideram direitos adquiridos!!..

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Subvenções Vitalícias


“Os dados relativos a pensões vitalícias passaram a ser secretos em meados de 2011, dificultando o seu escrutínio” (porque será?)

“Entre alguns nomes conhecidos temos José Lello (2.234), Manuel Alegre (2.000), Ângelo Correia (2.200), Duarte Lima (2.200), Marques Mendes (2.905), Carlos Brito (2.800), Carlos Carvalhas (2.800), Jerónimo de Sousa (2.400), José Magalhães (2.600), Odete Santos (3.000), Zita Seabra (3.000) e Narana Coissoró (2.905).”

“A aparente contradição do PCP que votou contra  o «Estatuto remuneratório dos titulares de cargos políticos» em 1985, mas cujos deputados não deixaram de beneficiar(…)” justifica ser “(…) orientação do partido a não utilização dessa verba em proveito pessoal e de esta ser colocada ao serviço dos trabalhadores do povo português, do seu esclarecimento e da sua luta.”

 

Rui Gomes da Silva (comentador de futebol na Sicnotícias), ex-ministro e ex-deputado beneficiário de uma subvenção mensal vitalícia de 2.100, ao mesmo tempo que prossegue a actividade de sócio fundador da sociedade de advogados Legalworks, em acumulação com os cargos de vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica e administrador das empresas Benfica Futebol SAD, Benfica Estádio e Benfica Multimédia.”

Armando Vara (2.000) e Dias Loureiro (1.700) são outros felizes contemplados.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Aumento das Taxas Aeroportuárias em Lisboa


Tal como eu tenho vindo a referir no blog (para quem quiser basta procurar), a empresa vencedora da concessão a ANA procedeu ao terceiro aumento em menos de 1 ano. Logo em Janeiro foram 15%, em junho foram 4,3% e agora em novembro foram mais 4,4%. Este terceiro aumento estava previsto para 2014 na ordem dos 5% por isso, ou foi antecipado ou em janeiro vem mais um aumento.

No total em menos de um ano o aumento já se cifra nos 24%. Como alguém tem de pagar o aumento, prevê-se que as companhias transferiam este aumento de custo directamente no preço dos bilhetes. A Vinci vê assim a sua margem de lucro a aumentar e o tempo de amortização do investimento a reduzir de forma muito interessante (aumentando os lucros finais).

Não tardará muito e estaremos a ler nos jornais, nomeações de ex-políticos deste governo para cargos de administração na ANA. Até porque de aviação percebe o Relvas que vendeu vários cursos de técnicos aeroportuários aos Municípios do interior…

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Estaleiros de Viana

Mais um processo muito obscuro nos milhares de casos de má gestão da propriedade do estado. O estado, através dos nossos políticos, que nunca souberam nomear gente competente para administrar os estaleiros, decidiu conceder os direitos de exploração até 2031 a troco de 7milhões de euros, no entanto vai ter de gastar 30milhões a despedir funcionários… Claro que o governo vai dizer que tinha um prejuízo anual de 10milhões e, por conseguinte, é um excelente negócio. Mas a questão não é essa. A questão é: então e se a empresa fosse bem gerida, por gestores competentes e não políticos, quanto poderia render a empresa ao estado? Esta era pergunta que eu gostaria de ver respondida, porque estou farto de ver casos de empresas públicas mal geridas de forma propositada, até apodrecer, ou atingir uma valorização ridícula, para ser vendida a amigalhaços por tostões, publicitado na comunicação social como sendo um grande negócio para o estado e que ao final de dois anos estão a dar lucros astronómicos! Por último quero ver o que o sindicato faz. Quando é para exigir estão sempre prontos e nunca cedem e agora os trabalhadores, cuja massa salarial é altíssima – muito acima do mercado – arriscam-se a ficar no desemprego de longa duração. É também um caso para reflexão. Mas como é hábito, o sindicato vai dizer que lutou, que colocou uma providência, blá blá… mas no final acaba tudo na mesma: no desemprego.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Para onde foi o dinheiro? - Parte 3

Carlos Horta e Costa, ex-presidente dos CTT comelou a ser julgado no tribunal de coimbra no dia 26 de novembro de 2012, devido a actos de gestão que, segundo o Ministério Público, terão lesado a empresa em cerca de 13,5milhões de euros. Com destaque para o edifício dos CTT sito em Coimbra, no dia 20 d Março de 2003, por 14,8milhões de euros à empresa Demagre. Nesse mesmo dia, a Demagre revendeu o edifício por 20milhões à ESAF – Espírito Santo Activos Financeiros – obtendo uma mais-valia instantânea de 5,2milhões de euros. As escrituras foram feitas uma a seguir à outra no Cartório Notarial de Alcobaça e, logo a seguir, no mesmo dia, os gerentes da Demagre levantaram 1milhão de euros em notas de 500euros no banco ao lado, que os investigadores concluíram terem sido para luvas(…)

Para onde foi o dinheiro? - Parte 2

(…) Borges foi contratado pelo governo de PPC como consultor, estando a acompanhar os processos de privatizações(…)o contrato foi acordado dia 29 de fevereiro de 2012 entre a empresa estatal Parpública e a ABDL Lda., uma sociedade detida por António Borges e diogo Lucena. Até agora sem contar com IVA, já recebeu 300mil euros de 1 de fevereiro de 2012 a 1 de fevereiro de 2013, fora o montante das despesas efectuadas neste ano de contrato, que foi entretanto renovado por mais um ano.(…)

Para onde foi o dinheiro? - Parte 1

(…) O SIRESP foi adjudicado a um consórcio liderado pela SLN em 2005, por um valor de 538,2 milhões de euros. O despacho da adjudicação foi assinado pelo então ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, no dia 23 de Fevereiro de 2005, ou seja, três dias após as eleições legislativas que resultaram na vitória por maioria absoluta do PS de José Sócrates. O consórcio liderado pela SLN foi o único que participou no concurso porque as outras empresas convidadas (Siemens, Nokia e a Elocom) desistiram alegando que o concurso estava previamente decidido.(…) Daniel Sanches, ex-administrador da Pleiade (empresa do grupo SLN) exerceu cargos de administração durante 8 anos, até ser nomeado ministro do Governo de Santana Lopes(…) (…) Almiro de Oliveira – um especialista em tecnologias de informação – não consegue encontrar justificação para os valores de adjudicação, uma vez que no seu relatório previa um investimento entre 100 e 150milhões e a tecnologia contratada foi a mesma(…)

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Medina Carreira decobriu a pólvora!

Ontem à noite no programa habitual de segunda-feira, Medina Carreira, após as explicações dadas por um ex-secretário de estado da energia, sobre o porquê da energia eléctrica em Portugal ser das mais caras da europa com perspectivas de aumentar ainda mais já no próximo ano, teve a seguinte expressão: “Bem chego à conclusão que seria melhor a EDP ser do estado e não ter sido privatizada, porque concorrência não existe e cada vez paga-se mais. A teoria que nos venderam que privatizando o mercado ia funcionar e os preços baixar, estava completamente errada! Fomos enganados! Nestes casos mais valia a empresa ser do estado!”. Hello!?? Só agora é que percebeu que monopólios não devem cair em mãos de privados que procuram lucros chorudos?? Já vai tarde…

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A manipulação da Comunicação Social

Por mais que uma vez já abordei no blog a problemática da parcialidade da nossa comunicação social. A revista visão lançou um artigo que vem confirmar isso mesmo. Recomendo uma leitura atenta do artigo apresentado no link, principalmente para quem ainda tem dúvidas do porquê deste país não ter futuro e sistematicamente entrar em colapso financeiro mesmo quando beneficia de ajudas comunitárias que outros países utilizam para crescer. A manipulação da informação é uma forma de manter o povo ignorante, ou seja, controlado. A cultura da ignorância é uma arma imprescindível em qualquer regime ditatorial no mundo. Por isso, para quem pensa que fez uma revolução no dia 25 de Abril de 1974, lamento ser um desmancha prazeres. O que se fez foi uma intervenção plástica das grandes famílias e grupos económicos que passaram todos a ser 200%democráticos e defensores da sociedade, mas que nos bastidores controlam e manipulam através do “conhecimento controlado”(ignorância), a verdadeira liberdade de escolha da população.

http://aventadores.files.wordpress.com/2013/11/visc3a3o_entrevista-fms.pdf

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Qualificação de Portugal – Mundial 2014

A selecção nacional de futebol 11 qualificou-se, com muito sofrimento pelo caminho, para o mundial de 2014. Os comentadores foram unânimes: grandes jogadores, grande selecção, um excelente trabalho de Paulo Bento etc. Como é costume neste país, o sucesso cega e é por isso que o país demora muito tempo a evoluir, porque as pessoas contentam-se em atingir apenas os mínimos, nunca pensam em ir mais além. A verdade é que a selecção teve jogos sofríveis contra equipas medíocres que puseram em evidência a falta de qualidade dos jogadores ou falta de profissionalismo. A nossa sorte é termos o melhor jogador do mundo da actualidade, quiçá o melhor jogador Português de todos os tempos, que vai disfarçando a pobreza da qualidade geral dos jogadores que compõem o grupo e a pobreza da equipa técnica. Se estivermos à espera que H.Postiga ou Hugo Almeida marquem um golo, poderemos necessitar de anos. Se esperarmos que o Nani faça algo mais para além de perder bolas, poderemos necessitar de anos. Se esperarmos que o Raul Meireles e Moutinho ou Rúben Micael aguentem mais que 50min de jogo, poderemos também necessitar de anos… Existem alternativas? Talvez não, mas uma coisa é certa, aqueles que referi já sabemos o que produzem: muito pouco. Tive a sorte de ver a selecção de Paulo Sousa, Rui Costa, Figo, João Pinto, Sá Pinto, Pedro Barbosa, Capucho, Sérgio Conceição, Pauleta, Nuno Gomes, Peixe, Fernando Couto, Rui Jorge e Jorge Costa jogar. Tive a sorte de ver a selecção de Costinha, Petit, Tiago, Paulo Ferreira, Simão, Ricardo Carvalho, Maniche, Deco, Figo, Cristiano, Pauleta e Nuno Gomes Jogar. Como tive essa sorte, confesso que não me encanta o estilo de jogo pobre em técnica que a selecção actual apresenta. Se Cristiano Ronaldo consegue brilhar rodeado de tanta mediocridade, nem quero imaginar como ofuscaria se jogasse rodeado dos jogadores que referi anteriormente. Depois há a questão Paulo Bento. Sempre disse que o considero um treinador com sorte, e isso também é importante. O azar, e é por isso que ele nunca vai brilhar como um Mourinho, é que ele é um bronco de primeira. Se à sorte que tem juntasse o mínimo de inteligência era um treinador de top. Assim não passa de um mediano. De um bronco mediano. Consegue com a sua bronquice fazer com que jogadores de top se incompatibilizem com ele, já foi Ricardo Carvalho, Rolando, Bosingwa, Tiago, Manuel Fernandes e agora, recentemente, Danny. Este último, considerando o que não produz Nani e a falta de jogadores na equipa com capacidade de transportarem a bola no pé, demonstra de facto o grau de bronquice da equipa técnica. Mas o que esperar de um treinador que numa conferência de imprensa veio dizer “já estavam de facas afiadas para nós e agora vão ter de as guardar”? Esta mania da perseguição, este complexo, esta falta de segurança, dá nestas querelas, nestas intrigas de escola básica adolescente, onde um cochichar ou um riso se transforma num enorme enredo. Transforma gente bem-humorada em reaccionários! Enfim… Vamos ao mundial e o milagre até pode acontecer, mas podíamos ir com uma ODD a nosso favor muito superior.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A Irlanda deu de "froskes" - Abandonou-nos

A Irlanda surpreendeu meio mundo ao anunciar que desistia de negociar um programa cautelar assumindo o risco de ir aos mercados sem uma ajuda oficial. Digo oficial porque como ainda têm 25mil milhões amealhados do empréstimo concedido pela Troika, o risco é menor. A Irlanda sempre foi diferente de Portugal. Comecemos pela imagem e confiança que transmitem para fora que é muito positiva e superior a Portugal. A Irlanda era apontada como um caso de sucesso de crescimento e integração europeia, logo aí, vem o benefício de ter apoio dos que não querem perder a razão. Portugal ao contrário tem há muito anos, uma imagem de desperdício. Também a natureza da crise é diferente. Na Irlanda a crise rebentou por causa dos bancos (sector privado) e não por causa da incapacidade dos governantes para conduzir o país. Pelo contrário, a nossa crise tem por base anos e anos de má gestão da nossa classe política a mesma que é suposto resolver problemas em 3 anos que não resolveu em 35. Por último a Irlanda tem dois parceiros estratégicos muito importantes na economia global, Reino Unido e Estados Unidos da América. Portugal está sozinho. Os únicos parceiros que tem, são grupos de empresários que compram empresas portuguesas rentáveis para levar os lucros para os seus países de origem. Se tenho inveja da Irlanda? Tenho. Se acho que podemos seguir-lhe o exemplo. Tenho muitas dúvidas e para dizer a verdade, a bem do país era bom que não. Se isso acontecer iremos continuar com a mesma classe política até ao próximo trambolhão...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Quem dá e tira para o inferno gira

Era um ditado popular que me fartei de ouvir nos meus tempos de infância no norte do país. Lembrei-me dele a propósito de uma notícia relacionada com a EDP. Um dia destes - talvez na apresentação do orçamento de estado – o governo fez grande festa e campanha porque vai, finalmente, cortar nas rendas excessivas da electricidade. Claro que os compradores da EDP não acharam piada nenhuma ao facto e não perderam tempo: trouxeram uma delegação acompanhada de diplomatas para "falar" com o governo. Basicamente para dizer que o governo com eles não fazia farinha! Não admitem que o governo mude as regras após um ano da venda dos 25% do capital da EDP. Resultado, ouvi anteontem que a entidade reguladora propõe um aumento de 2,5% do preço da electricidade para o ano de 2014. Será que a nossa economia cresceu 2,5% para justificar este aumento? Serão as nossas tarifas mais baratas do que as praticadas na europa? Não e não. Pelo contrário, a nossa economia contraiu, os salários baixaram e a nossa tarifa de electricidade é das mais caras da europa. Só posso concluir uma coisa, o governo quis fingir que ia ser forte e tirar rendimentos ao gigante EDP e com a outra mão vai compensar o que tira transferindo essa verba para o bolso dos contribuintes directamente. Como eu não tenho a força diplomática e económica dos chineses, só me resta a pressão psicológica e dizer “quem dá e tira para o inferno gira”, sabendo no entanto que não terá grande efeito, pois aquela gente não tem peso na consciência... Nota: o lucro da EDP aumentou 4% no primeiro semestre de 2013, atingindo os 603milhões.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Movimento que se lixe a troika

Este movimento para mim não faz sentido nenhum e é mais uma prova de como este povo é facilmente manipulável devido à sua ignorância, direi mesmo básica, da situação em que se encontra o país. E não é preciso comprar livros. Bastava que em vez de verem Secret Story’s 4 vissem de vez em quando alguns debates e lessem algumas crónicas de jornais. A troika está em Portugal porque precisamos dela. Precisámos de 75mil milhões para não declarar bancarrota e a troika (Banco Central Europeu, FMI e a Comissão Europeia) decidiram emprestar. As condições do empréstimo foram essencialmente duas, a primeira diz respeito à taxa de juro fixada em 3,5%, a segunda que reduziríamos o défice do país de forma a garantir que não ficariam a arder com o dinheiro. Tudo isto me parece normal. Quem empresta quer sempre garantias. Tal como qualquer cidadão tem de hipotecar algo ou ter fiadores, a troika quis reduzir o défice. Porquê? Porque se não o reduzirmos e continuássemos a endividarmo-nos, quem é que nos emprestaria dinheiro outra vez? Ninguém e entraríamos em falência. Se conseguíssemos eliminar o défice em princípio seriamos autossustentáveis e poderíamos pagar, aos poucos, as nossas dívidas. O juro é alto? Talvez, mas na altura que se pediu o resgate era de 7% e chegou aos 14%! Actualmente está nos 6%. Tendo isso em consideração uma taxa de 3,5% parece-me muito bem! Podemos dizer inocentemente e talvez com alguma hipocrisia que 1% seria melhor e resolveria o nosso problema. Certo! Mas quem empresta é quem manda! Se fosse a 1% se calhar o FMI preferia emprestar a outro país. Por isso, deixem de se levar por discursos demagógicos e politiqueiros tipo Paulo Portas – “quero em junho de 2014 esses senhores daqui para fora” – porque na realidade precisamos deles e só beneficiámos da sua ajuda porque somos sócios há largos anos do FMI, caso contrário tinham-se “cagado” para nós. Que se lixem mas é os nossos políticos, os que nos levaram a esta situação e os que hoje governando, nada fazem para nos tirar dela!.. Esses sim é que merecem um movimento!

O profeta do Bolo Rei

Cada vez que o vejo mais me convenço que deve estar com um problema de Alzheimer grave. É que o nosso mestre do bolo tradicional de natal, todos os dias profetiza teorias e avisos que são exactamente o oposto das políticas que o governo de Portugal implementa. Assim sendo, só pode ter Alzheimer! A meio do dia já se esqueceu do que disse de manhã e à tarde já não se lembra que para ser coerente com as suas ideias teria de demitir o governo…