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segunda-feira, 26 de março de 2018

Alma, todos temos!


Quem nunca ouviu dizer que “os animais não têm alma”.  
Ora, se nós (homo sapiens) compartilhamos 98.7% do mesmo mapa genético com os chimpanzés (e já agora, bonobos, gorilas e orangotangos) e fazemos parte dessa família que são os grandes símios, então só podemos concluir que também eles têm alma.
Como é que vamos excluir outros animais, por exemplo os golfinhos, as baleias, os elefantes, os cães, os corvos, os ursos, os porcos, os cavalos, os periquitos, os coelhos, as sardinhas, etc.
Arrisco-me portanto a dizer que “retirar a alma aos animais” só tem servido para aliviar a consciência quando os matamos, seja para os comer ou para ocupar os territórios onde estão.
Dizem: “Não têm alma, logo não sofrem como nós!”
Sinceramente não me parece!
Afinal, somos todos animais.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Morreu o último rinoceronte-branco-do-norte macho do mundo


Recordo-me quando ouvi pela primeira vez que isto podia acontecer: a extinção de grandes mamíferos. Foi há mais de trinta anos. Na altura, acreditei que não iria acontecer, mas pelos vistos a minha vontade, enganou-me.
Olha-se para um animal destes e pergunta-se: Como é possível?
O Mundo acabou de ficar muito mais pobre! Não foi um insetozinho…
Que estupidez! Um mundo sem rinocerontes, elefantes, chimpanzés, leões, orangotangos, baleias, golfinhos, tubarões, gorilas, tigres, girafas, zebras, búfalos, e tantos outros...
Quanta ganância, egoísmo e imbecilidade!
Eu sei que morrem todos os dias pessoas, algumas delas ainda crianças, devido a guerras, perseguições religiosas ou políticas, fome, doenças, etc.
É uma enorme tristeza saber que isso está a acontecer!
Mas uma desgraça não invalida a outra.
Resta-nos esperar que se consiga evitar o pior… Que os “bons” acabem por vencer os “maus”!
Que consigam evitar o fim, quer dos animais, quer o nosso.
Sei que pode parecer um bocadinho ingénuo…
Num mundo onde um por cento da população tem tanta riqueza quanto a restante, e que troca Barack Obama por Donald Trump...

Resta-nos ter esperança… Se não, quem é que quer ter filhos?

quarta-feira, 14 de março de 2018

Seremos capazes de nos adaptar a nós próprios?


Ouvi muitas vezes dizer que somos (refiro-me aos humanos) agressivos, egoístas e insatisfeitos por natureza. Talvez essas características tenham sido as ferramentas que nos permitiram sobreviver, na fase inicial, e progredir ao ponto de nos tornarmos a espécie dominante.
Quanto a sermos insatisfeitos julgo que é positivo e que nos tem permitido evoluir, desde que não se torne numa ambição desmedida e gananciosa.
Quando nos dizem que somos “assim”, é muito difícil negar, ou mesmo refutar. Ainda recentemente ouvi um especialista dizer num programa de televisão “que se podemos ter algo de bom só para nós, porque é que o havíamos de querer dividir com alguém?”. Vou ainda mais longe, face aos acontecimentos históricos e presentes, não é possível negar os nossos comportamentos violentos, gananciosos e egoístas.
A questão que tenciono levantar é outra: Somos ou sempre fomos?
Não sei como teria sido se fosse diferente? Teríamos igualmente sobrevivido? O sucesso teria sido idêntico? Dominávamos o munto tal como o fazemos hoje?
Sinceramente não sei. Admito que sem alguma agressividade não teria sido fácil lutar contra outras espécies, mas entre A e Z existem 24 letras.
Apesar do progresso já alcançado nos proporcionar uma segurança e conforto muito consideráveis, nomeadamente nos países mais desenvolvidos, o facto é que vivemos num mundo onde o desperdício de alimentos convive lado a lado com a miséria, doenças e fome de milhões de crianças e adultos em países pobres e menos desenvolvidos.
Portanto, enquanto espécie, o egoísmo não nos trouxe apenas coisas positivas. E mesmo que alguns digam (ou pensem), “que se lixem os mais fracos”, também há quem acredite que podíamos estar todos muito melhor.
Mas vou mais longe, até que ponto essas características que nos trouxeram até aqui não nos poderão conduzir até ao abismo?
Refiro, por exemplo, a incapacidade de por o pé no travão e começar a mudar de direção: porque não podemos perder o comboio da competitividade, não podemos permitir que os outros nos ultrapassem.
E assim, todos vamos caminhando para uma situação insustentável.
Não são apenas as alterações climáticas, ou a imensidão de lixo nos oceanos. São também os recursos que são dizimados, as espécies ameaçadas, a Amazónia irrecuperável, etc.
E no meio disto tudo perguntem-se: Os índices de felicidade estão a subir?
Hoje em dia, o único inimigo capaz de por em risco a nossa espécie é ela própria. E isso deve-se ao facto de acreditarmos de tal modo que somos egoístas e agressivos por natureza que acabamos por fomentar em nós essas características: “O mundo é dos vencedores”.
Não se iludam, podem dizer que há muita gente generosa e pacífica, o facto é que a vontade de uns pode facilmente determinar o destino de todos. Enquanto espécie somos o que permitirmos que se torne dominante.
Acredito que está na altura de dar início a uma nova mentalidade. De começar a educar para uma realidade que mudou. Já não temos que sobreviver aos perigos à nossa volta. O perigo, desde há algum tempo, vem de dentro. Temos que começar a ver e estar no mundo de outra forma, ou corremos sérios riscos de permitir que as características que nos ajudaram a chegar aqui sejam as que vão determinar o nosso fim.
Se o nosso grande trunfo sempre foi a capacidade de adaptação, está na altura de mudar e adaptarmo-nos a uma nova realidade: estamos a mudar o planeta.

segunda-feira, 12 de março de 2018

DEFICIÊNCIA DO TIPO 1


Livrete, outras divergências. Divergência de chapa de fabricante.


Esta deficiência (tipo 1) permite a circulação do veículo, no entanto, tem um ano (até à próxima inspeção para a corrigir).
Confesso que ao início estava completamente à nora, não fazia ideia do que se tratava nem como a resolver. Claro que podia, e devia, na altura, ter perguntado ao senhor técnico do centro de inspeções técnicas periódica, do que se tratava tal deficiência. Afinal tinha sido ele que a identificou. Mas, ou porque estava com pressa ou porque pensei que “depois vejo e logo resolvo”, o facto é que peguei na folha, vi que o resultado era “Aprovado”, e segui viagem.
Felizmente existe o Google. Googuelei e acabei por dar com um fórum onde fui encontrar um caso exatamente igual ao meu. Um tipo, também dono de um Audi tinha recebido exatamente o mesmo presente que eu. Então do que se trata? O fulano do centro de inspeções conseguiu detetar uma incongruência entre o que está escrito no DUA (documento único automóvel) e a chapa do fabricante que está colada no motor. A chapa diz que a parte da frente do carro pesa 980 e a parte de trás do veículo 910 kg, enquanto no DUA está 980 (à frente) e 950 (a trás).
Ou seja, a diferença está apenas no eixo traseiro do veículo. No DUA diz 950 kg, no motor está 910 kg. Parece-me a mim que esta diferença burocrática não serve de nada. O Carro é de abril de 1997. Já tem mais de 20 anos. Agora, ao fim de quase 21 anos de circulação detetaram um problema que necessita de ser resolvido porque pode por em risco a segurança de outros condutores, ou peões, ou, bens patrimoniais?
Não sei que perigos podem advir desta diferença, nem sequer imagino que a resolução desta “deficiência” possa por si só garantir menor emissão de gases poluentes para a atmosfera. Afinal, o que traz de bom esta obrigatoriedade de correção? Só vejo uma explicação.
Se houver outra, agradeço que me informem. Para mim isto só serve para os técnicos dos centros de inspeção presentearem alguns dos seus clientes. Ou seja, esses senhores provavelmente também têm cotas para cumprir (vivemos no tempo delas).
Imagino que um centro de inspeções não possa passar todos os carros que lá vão. Não era lá muito normal, seria uma enorme coincidência todos os carros passarem num dados período de tempo (imaginam um mês). Como eles preferem passar todos os seus clientes habituais, e dentro destes, os que vão lá mais vezes. Porque gosta de ser simpáticos com os novos clientes, faz com que de vez em quando tenham que arranjar umas deficiências para compensar tantas aprovações.
Porquê estas mais esquisitas?  
- Com o seu carro está tudo bem, menos esta coisa dos números na chapa do motor não bater certo com os do DUA”.
- Mas… Ao certo isso afeta o quê?”
- Como assim?
- Que mal é que isso tem? Prejudica alguém? É que o carro já circula assim há mais de 20 anos…
- Oh meu amigo, não sou eu que faço as leis!
- Mas como é que este gajo se foi lembrar de uma coisa destas (pergunto-me eu).
Aposto que foi durante uma formação profissional. O formador deve ter dito: “Há muitas formas de conseguir umas deficienciazitas. Em vez de os mandarem para uma oficina, arranja-se qualquer coisa que lhes diga que com o carro está tudo bem”.
No ano anterior, arranjaram-me uma com o amarelo da matrícula.
Também já lhe calhou?

quarta-feira, 7 de março de 2018

Operação E-Toupeira


Mais uma vez o futebol português encontra-se nos holofotes da comunicação social pelos piores motivos. Há uns anos foi o apito dourado que expôs a fórmula do sucesso do FCP: controlar os órgãos de decisão do futebol português para assim obter vantagem. E que vantagem! Durante anos acumularam títulos. Durante anos, eram os melhores a vender jogadores, mais ninguém se mexia tão bem no mercado de transferências como eles, eram indiscutivelmente a melhor equipa, eram os melhores a descobrir talentos, eram os mais organizados, porque – e refiro que ouvi anos a fio comentadores desportivos a usar esta frase nos meios de comunicação social – tinham a “melhor estrutura”. Afinal, as escutas, que toda a gente ouviu e percebe que houve corrupção, que houve fabricação de resultados em benefício do FCP, as tais que foram consideradas ilegais e como tal inconsequentes, vieram demonstrar que afinal não era apenas “estrutura”! Era uma Grande Estrutura! Era a estrutura do prédio, as paredes, canalizações, caixilharia, eletricidade e acabamentos! Era tudo! Valia tudo. Eu lembro-me. Eu tenho memória. Eu lembro-me do SCP ter tido grandes equipas, que por um motivo qualquer – na altura os comentadores utilizavam a expressão “ausência de mentalidade vencedora” ou “falta de estrutura” – naqueles momentos cruciais do campeonato, em que podiam aproveitar uma escorregadela do FCP, perdiam o jogo também!. Era sistematicamente isto. Ou uma expulsão, ou um penálti inventado, havia sempre algo que justificava o falhanço sistemático do SCP. Afinal, não era nada do que os comentadores declaravam com uma certeza quase absoluta. Eram escutas. Eram viagens Breu. Era fruta e chocolate.
Tudo isto se passou durante anos. Sempre se suspeitou mas era difícil de provar pois para tal era necessário apanhar o corruptor e o corrompido em flagrante. E como ambos tinham muito a perder é difícil conseguir a colaboração de alguém.
Só com o virar do século e com o uso das novas tecnologias é que se conseguiu apanhar os prevaricadores. O uso generalizado do telemóvel, tecnologia a dar os primeiros passos nos anos 90 e a ser quase comum a partir dos 2000, trazia perigos escondidos que ainda ninguém se tinha apercebido: escutas. Foram incautos, não estavam alertados para este perigo e foram “agarrados”.
Aprendida a lição sobre as fragilidades do uso do telemóvel, os golpistas viraram-se para a outra tecnologia a internet, as redes e os software de gestão. No entanto, também tem as suas armadilhas: deixa rasto. Rasto esse que pode ser descoberto sem ser necessário recorrer à Elite dos Hackers.
Todo este processo em torno do SLB e dos esquemas alegadamente montados para tirar vantagem são mais que óbvios para quem tiver uma leitura séria e isenta. Pode não se conseguir provar nada, à semelhança do que aconteceu com o FCP, e não haver uma pena pesada para os prevaricadores. Ou poderá sempre haver uma prova obtida ilegalmente que coloque em causa todo o processo. Mas uma coisa é certa: é claro que houve uma tentativa de controlar órgãos, instâncias ou corporações para tirar vantagem.
Se isto tudo terminar em nada, como terminou o FCP há uns bons anos atrás, o futebol em Portugal continuará o mesmo: viciado. Se isto tudo terminar em nada, novos esquemas se encontrarão, com outros protagonistas. Quem sabe o próximo seja o SCP? Ou o SCB? Se isto tudo terminar em nada, veremos mais faturas de valores que ninguém sabe de onde surgem, a serem pagas, às claras, como aconteceu na semana que antecedeu a 2ª parte do Estoril x FCP.
Se tudo isto terminar em nada, o futebol português nunca vai ter interesse internacional. Mesmo distribuindo as verbas das transmissões televisivas de forma mais equitativa, ninguém vai comprar um campeonato que se sabe viciado.
Por muito que doa aos adeptos, tem de haver consequências, despromoções perda de títulos etc. Não se pode assobiar para o lado no apito dourado, no caso de tentativa de linchamento de um árbitro pelo Pereira Cristóvão ou para este E-Toupeira. Os adeptos e sócios têm de perceber que têm de ser mais criteriosos quando escolhem os líderes dos seus clubes. Têm de perceber que a ausência de participação nas assembleias gerais, ou em atos eleitorais pode ter consequências.
O FCP há muito que deveria ter sido punido com despromoção e perda dos títulos conquistados. Se isso tivesse acontecido, tenho a certeza que Pinto da Costa não seria sucessivamente reeleito pelos sócios do FCP com 90% dos votos. O destino de LFV será traçado em função das consequências que este caso E-Toupeira trará para o clube.
O futebol é hoje um negócio brutal, em que qualquer agente desportivo (futebolista, empresário, treinador ou presidente) pode de um dia para o outro enriquecer de forma quase pornográfica. Tal como pode cair em desgraça e nunca mais ganhar dinheiro. Há muito dinheiro em jogo. Há muitos interesses. Há muita distribuição de verbas em troca de favores e títulos. Foi assim com o FCP e tem sido assim com o SLB.
Teria o SLB feito as vendas de jogadores que fez se não tivesse dominado o futebol português como dominou nos últimos anos? Reparem na evolução das receitas com vendas de jogadores 10/11, 2º ano de Jorge Jesus em que inclui as transferências relativas ao 1.º ano, ano em que foi campeão. Depois têm uma quebra fruto dos 3 anos em que o FCP venceu os campeonatos e em 14/15, furto de o SLB ter sido novamente campeão em 13/14, as receitas volta a subir.
17/18: 131,92M€
16/17: 121,35M€
15/16: 104,30M€
14/15: 104,65M€
13/14: 44,30M€
12/13: 75,73M€
11/12: 41,14M€
10/11: 85,98M€
9/10:      6,83M€
8/9:        7,60M€

Será que, a confirmar-se que houve jogo fora das quatro linhas por parte do SLB neste últimos anos, os outros clubes não foram lesados em termos económicos? Não terão direito a indemnizações sobre os valores de transferências realizadas pelo SLB?

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Triste figura na Champions!

Ontem fui ao Estádio da Luz ver o Benfica.
O treinador decidiu fazer imensas alterações no onze inicial face ao que tem utilizado, nomeadamente ao que jogou no passado dia 1 de dezembro contra o FCP.
A equipa não começou bem o campeonato mas até vinha de uma série de bons resultados, como a vitória por seis a zero contra o Setúbal e o empate no Dragão.
Mas neste jogo havia que fazer várias alterações. Era importante dar minutos aos jogadores que são menos utilizados. Até porque não é coisa fácil de fazer, nomeadamente naqueles jogos que estão praticamente ganhos mas que as substituições só são feitas quase ao cair do pano, quando já não há grande tempo para fazer, ou mostrar, o que quer que seja.
Por isso tinha que se aproveitar este jogo da liga dos campeões. Mesmo que os pontos valham milhões… Isso já não interessava para nada. O importante era dar minutos aos jogadores que geralmente não jogam, ou que entram mesmo, mesmo, nos últimos minutinhos.
E em relação aos sócios e adeptos que se deslocaram ao estádio, comprando o respetivo bilhete, oh meus amigos! Mas afinal querem ver bom futebol ou querem títulos?
Pois é! Nem uma vitória, Sr. Rui.
Em dezoito pontos possíveis, nada, zero, ó!
Mas que grande consideração por quem contribui para vos pagar os fabulosos ordenados!

Sabem o que é que eu digo: Vá dar banho ao cão, Sr. Treinador!

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

EMA – Não comes tu, nem como eu.

O Porto e Portugal perderam a EMA para Amesterdão. É um desfecho que não me surpreende. Quando soube da notícia que Lisboa se ia candidatar a receber a EMA (Agência Europeia do Medicamento) que ia abandonar as terras de “Sua Majestade” na consequência do Brexit, pensei na altura que ia ser difícil, mas que a concretizar-se seria muito bem jogado e bom para a economia.
Mas depois… Bom, depois veio o Rui Moreira com o discurso dos tiranos da capital que centralizam tudo e o António Costa a querer ajudar o Pizarro candidato pelo PS à CM do Porto e pensei que isto ainda ia dar asneira. Ainda me lembro de ouvir uns lunáticos a dizer que o Porto era “Central”, que descentralizar era levar para Castelo Branco, Viseu, Covilhã… (é tudo gente doida!)


Quando soube da decisão abrupta do Governo que afinal ia ser o Porto a cidade portuguesa candidata a receber a EMA e que ia concorrer com Copenhaga, Amesterdão, Barcelona, Milão e Estocolmo entre outras, pensei para mim “já fostes..”.
Qualquer uma das cidades referidas está no mínimo ao nível de Lisboa, portanto mesmo Lisboa ir ter dificuldades em ganhar, quanto mais o Porto!!.

As autárquicas passaram, o Pizarro e o PS não ganharam e agora vem esta derrota da candidatura do Porto.

Este Zé Povinho esquece-se que não somos nós que decidimos para onde a EMA vai, são eles. E eles vão escolher cidades onde seja fácil receber cerca de 70mil visitantes anuais. O Porto estava no limite do cumprimento dos requisitos mínimos para concorrer à Agência.
Politiquices sobrepuseram-se ao superior interesse nacional e o país é que perde. Como todos os partidos foram demagógicos a atacar o governo e a centralização de serviços em Lisboa, agora estão também eles bem caladinhos, mas que foi um tiro nos pés foi e que nos faz imensa falta faz. Até porque poderia atrair mais investimentos da indústria farmacêutica para Portugal. Asneira e da grossa!..

Enfim, não comes tu nem como eu.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Interferência de “hackers” russos

Tenho ouvido na rádio, mas acredito que ande por outros meios de comunicação social, a notícia que os russos, ou mais corretamente, os cibernautas russos, hackers ao serviço do governo, têm promovido ataques dissimulados, através do Twytter, Facebook e outras redes sociais, com vista a criar instabilidade na Europa e nos EUA. Por exemplo, atribuem responsabilidade aos piratas informáticos russos pelos resultados eleitorais na América. Quando digo atribuem, refiro-me às autoridades dos respetivos países e instituições internacionais. Outro exemplo, é o caso do Brexit que aconteceu em parte devido à intervenção dos mal-intencionados russos, ou, mais recentemente, o que se está a passar na Catalunha que já levou as autoridades espanholas e questionar o Ministro dos Negócios Estrangeiros Russo, assim como o Embaixador em Espanha, sobre a alegada intervenção dos cibernautas russos, a qual foi prontamente negada, embora Putin já tenha admitido a possibilidade dos hackers serem russos, nega o envolvimento do seu governo, alegando que os mesmo atuam com base nos seus próprios ideias.
A questão que tenciono levantar é esta: será possível que pretendam responsabilizar a intenção do povo britânico de abandonar a União Europeia com uma eventual influência dos russos através das redes socias? Estão a dizer que as pessoas tomam decisões tão importantes com base em comentários no Twitter ou “posts” no Facebook? Decidem que a seguir a Barack Obama faz sentido Donald Trump com base no que leram nas redes sociais? Ou que está na altura de sair de Espanha e da União Europeia? Então se assim é, podemos concluir que “somos” muito fáceis de influenciar…
Ou será que tudo isto não passa de uma estratégia para inserir o “lápis azul” nas redes sociais? Poderão estar a preparar-nos para estender o “Big Brother” à internet, nomeadamente às páginas mais visitadas?

Obviamente que não sei! Pode tudo não passar de uma teoria da conspiração na minha cabeça. Mas acho estranho esta acusação sobre os Russos. Não só estão a dizer que tomamos determinadas decisões porque fomos indevidamente mal influenciados, mas também a preparar terreno para mais tarde poderem retirar-nos liberdades porque “não estamos” preparados para as ter. Parece que nos estão a querer tratar como criancinhas. Reparem, sou um enorme admirador de Barak Obama, tenho pena que os ingleses tenham decidido sair da União Europeia e não menos se o Barça deixar de jogar a “La Liga”, mas continuo a acreditar na liberdade de decisão individual e na democracia.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Trump that thing!!



Ainda não foi abordado o tema “Trump” no nosso blog, por falta de tempo ou simplesmente por estupefação que nos leva a não saber ao certo o que escrever. Bom, poderia enveredar pela crítica fácil com base nos meios de comunicação social americanos e dizer que o senhor é um erro de casting invocando tudo e mais alguma coisa, desde o cabelo que me faz lembrar a “popinha” que o meu cocker Spaniel tinha, aos jeitinhos que faz com a boquinha a fazer lembrar a Lili Caneças, ou à forma como se posiciona e reposiciona quando discursa que me faz ter pena do homem, pois ninguém me tira da cabeça que deve sofrer de hemorroidal (mas dos fortes! Xiça!).

A verdade é que o homem até agora tem assumido o cargo de presidente dos EUA como se de um cargo de Chairman de uma grande multinacional se tratasse. Tudo para ele é negócio. A própria diplomacia é negócio. Vai à Arábia, diz mal do Irão e firma um acordo de milhares de milhões de dólares em armamento ao Rei da Arábia. Vai à China, ameaça atacar a Coreia do Norte e coloca todos os países asiáticos a firmar acordos económicos para “amansar” a fera pois ninguém quer uma guerra à porta de casa. Vai à NATO, ameaça bater com a porta e coloca os outros membros a pagar para algo que na verdade não controlam, pois a NATO é de todos mas no final quem manda são os EUA e quem vende armamento para a NATO são os… EUA.

Bom, o homem vende e é disso que a economia Americana precisa para se reerguer. Portanto no capítulo estritamente económico eu diria que para os empresários americanos, para os industriais, principalmente os mais retrógrados, Trump vai ajudar. Rasgar o acordo de Paris não é mais do que dizer aos empresários americanos “tenham calma, não vão ter de gastar tantos dólares com o ambiente pois não vão ter de dar o salto tecnológico necessário para poluírem menos”. Mas, e para os americanos ditos mais intelectuais? E para o resto do mundo? Esta política do medo e da chantagem vai correr bem até quando? Será que um dia isto vai descambar para mais um conflito qualquer? É que para se vender armas depois tem de se lhes dar uso…

É por isso que tenho dificuldade em analisar a ascensão de Trump ao cargo de presidente dos EUA. Acredito sinceramente numa coisa, que na mesma o mundo e os EUA não vão ficar. Acho que uma personalidade como o Trump ou acaba muito bem ou muito mal. Não haverá meio termo. É por isso que escolhi a frase “Trump that thing!” para o título deste post. É possível que daqui a umas dezenas de anos “Trump That Thing!” se torne numa expressão idiomática para os Americanos tal como “Cai o Carmo e a Trindade” ou “É um azar dos Távoras” para os Portugueses. Resta saber se a expressão tem um significado bom ou mau. Por exemplo, “Trump that thing!” – “Levanta essa moral! Reergue-te!” ou “está tudo lixado” ou em termos mais brejeiros “lixaram essa m..da toda!”.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Escalões de IRS em Portugal

Este tema vem a propósito da notícia das condições de mudança da Agência Europeia do Medicamento, do Reino Unido para Portugal. Com a saída do Reino Unido da Europa, muitas instituições europeias que se encontravam instaladas em terras de sua majestade terão de abandonar o país e serem reinstaladas em países que façam parte da União. Portugal candidatou-se a receber a agência, o que pode significar, não só a captação de técnicos altamente qualificados para o país, como também os salários que lhes estão associados, como toda a logística e tráfego constante de técnicos que visitam as instalações da agência.
 É aqui que o tema do IRS é chamado ao barulho. O governo já veio esclarecer que os técnicos que são pagos por instituições europeias não estão abrangidos pelos escalões de IRS nacionais pelo que os mesmos vão pagar uma taxa de 20%.
É interessante esta preocupação com as taxas, que deve ser motivo de reflexão do porquê das grandes empresas mundiais, grandes multinacionais, escolherem muitas vezes outros países para instalarem filiais em detrimento de Portugal. A verdade é que a essas grandes empresas estão muitas vezes associados técnicos altamente qualificados cujo nível de remuneração é muito elevado. Quando se olha para a taxa de IRS cobrada em Portugal facilmente se percebe que é difícil convencer algum empresário a trazer a sua empresa para este país. Pois estas empresas por norma trazem uma equipa de técnicos para o país onde se vão instalar, que para ganharem o mesmo (ou mais, porque ninguém abandona o seu país pelo mesmo valor de remuneração), o empregador terá de subir consideravelmente os custos com remunerações. Enquanto um funcionário, técnico superior, que nos países mais desenvolvidos da Europa aufere algo como 4mil€/mês, em Portugal teria de pagar 30% de IRS mais os 11% de Segurança Social, o que dificilmente se torna atractivo para empresas de top. Vamos sim continuar a atrair empresas (indústrias) de sector secundário de baixos salários cuja % de impostos incidentes é baixa pois pagam pouco mais que o salário mínimo.

Como se pode ver o gráfico a progressão da taxa é enorme em salários pequenos e baixa nos salários mais elevados. Ainda assim, sou da opinião que nunca, em circunstância alguma, um trabalhador deveria ver confiscado o seu salário em mais de 40% em taxas (IRS+SegSocial). Acho que é urgente pensar nos escalões de IRS, não apenas na perspectiva de quem ganha mais, paga muito mais. Se para atrair a Agência Europeia do Medicamento só é possível com taxas de 20%, o pensamento deve ser semelhante para atrair empresas de multinacionais de top, ou pelo menos deve fazer o Governo reflectir sobre isso.


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Autárquicas 2017

Confesso que fiquei estupefacto com a notícia da possibilidade do PSD não apresentar nenhum candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa e apoiar a candidata do CDS-PP Assunção Cristas. Nem sei muito bem o que pensar disto. Estamos a falar da capital do País, não estamos a falar de uma autarquia qualquer do interior. Não haverá ninguém, nos mais de 35mil filiados no partido que se chegue à frente para dar a cara pelo partido? Ou será que Passos Coelho não quer?
Segundo ouvi nas notícias, foram realizadas sondagens para ver qual dos membros do partido teriam maiores possibilidades de derrotar o “todo poderoso” Fernando Medina nas próximas eleições. Pelos vistos chegaram à conclusão que nenhum dos nomes lançados para candidatura obtiveram grandes resultados na sondagem. O problema é que as sondagens podem ser sempre manipuladas, basta para isso começar com um mau nome. Por exemplo falaram em Maria Luís Albuquerque, Miguel Relvas e Luís Montenegro. Mas qual destes o melhor? Nem consigo dizer qual destes gozará de maior popularidade depois do governo de ideologia “garrote”, que foi o do PSD, onde todos estes ilustres participaram.

Se é para lançarem este tipo de candidato, então de facto mais vale estarem quietos. Não percebo é porque não lançam um outro tipo de candidato que nada tenha tido com o anterior governo. Será que Passos não quer novos protagonistas no partido? Estará disposto a abdicar de um candidato para não ter oposição dentro do partido? Isto parece um pouco "totalitarista" e um erro enorme para o partido que poderá ter consequências graves na sua mobilização. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Jogos Olímpicos – Rio 2016

Sempre que se inicia esta prova desportiva os portugueses enchem-se de esperanças nos seus atletas, como se não houvesse concorrência. Este histerismo, pouco fundamentado, porque muitos dos atletas que chegam aos jogos, chegam com os mínimos de qualificação mas sem grandes títulos na sua carreira, dá lugar a uma frustração também bem ela sem qualquer sentido. É dizer mal das pessoas, dos técnicos, da organização, dos dirigentes do comité olímpico, tudo está mal.
Eu relembro que a maioria das medalhas conquistadas tinham por trás picos de forma de atletas que chegaram a títulos de campeão europeu ou mundial. Quantos conseguiram estes títulos antes de chegarem aos jogos? Quantos dos que lá estão são o n.º 1 do ranking mundial?
Isto lembra-me um pouco a história da cigarra e da formiga. O país não investe no desporto, tirando o futebol e depois quer títulos. Os atletas que sobressaem no desporto português fazem-no devido à sua dedicação ou carolice dos pais. Hoje já vemos algumas escolas, principalmente privadas, com piscinas para os seus alunos, com infraestruturas desportivas interessantes. Ainda assim, não há um recrutamento específico e mesmo que o haja é necessário que depois haja competição. Não posso comparar o desporto chinês, norte coreano e afins, mas posso dizer que noutros países desenvolvidos como EUA, os liceus estão dotados das infraestruturas e de equipas organizadas em que os jovens em vez de praticarem vários desportos em “educação física”, optam por um desporto e focam-se nele, pois as escolas têm equipas.
Aqui em Portugal, os desportistas não são alvos de um recrutamento jovem. Sãos os pais, um professor, ou dedicação que faz com que se desenvolvam até à idade de competir a nível internacional e então aí sim, são recrutados por alguns clubes que lhes dão uma pequena ajuda ao seu desenvolvimento. Mas até aos 20 anos estão por sua conta. Isto faz com que, volta e meia, lá surge um atleta que tem capacidades físicas próprias que fazem dele capaz de fazer a diferença, mas não há continuidade, porquê? Porque um Phelps é recrutado muito cedo, porque a aposta é feita tendo logo em análise o biótipo dos pais. Se os pais são “baixotes” nem sequer perdem tempo em formar o atleta. É outro estilo. No nosso caso, às vezes lá acontece que, o muito esforço, dedicação, sorte e forma física no momento, chega para conseguir uma medalha. Mas não há padrão. Já repetimos alguma medalha, na mesma prova com atletas diferentes? Acho que não. Vemos quenianos apostar nas maratonas ou corridas de fundo, jamaicanos nas de velocidade, vê-se um padrão.
O nosso histórico diz que, até à data, temos 24 medalhas: 

Olhando para a participação no Rio, sem contar com o Bronze de Telma Monteiro, ver duas atletas no top 10 do triplo salto feminino, Patrícia Mamona (6ª) e Susana Costa (9ª), parece-me muito bem. Um pequeno país como o nosso ter 2 atletas no top 10? N. Évora no 5º? 4º lugar no k2 1000, 5º no k1 1000? 10.º no ciclismo de estrada? 7.º no contra-relógio ciclismo? 14.º nos 400m estilos? 9.º na canoagem Slalom C1? 5.º no Ténis de mesa? 5.º no triatlo? Puxa.. parece-me muito bem para quem aposta tão pouco no desporto.

Tenho esperanças que no futuro o triplo salto venha a ser uma modalidade com continuidade, vejo aqui padrão, tal como a canoagem fruto de termos o maior/melhor construtor de canoas do mundo “Nelo”. Não é por acaso que temos tido boas participações nesta modalidade. De resto, limito-me a esperar uma gracinha de um “cabeçudo” qualquer que insiste em trazer uma medalha com o nossa bandeira ao peito contra todas as probabilidades. Bem hajam pela esperança, esforço, carolice e dignidade no desporto. Desde que não acusem doping - isso sim seria vergonhoso - para mim chegam muito bem estes resultados. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Golpe ou farsa na Turquia

Quando na passada sexta-feira dia 15 de Julho, ao princípio da noite surge a noticia que estaria a decorrer um golpe de estado na Turquia, vi-me surpreendido e curioso com o que se estaria a passar. Seria mesmo verdade? Iria resultar? Quem estava por trás deste golpe militar? Seriam melhor ou pior que Erdogan? Será que, do mesmo mal que padeceu a Syria, estaria agora a chegar a vez da Turquia?
Bom, na verdade, nessa mesma noite, pouco depois do dito “golpe de estado”, já o presidente e o primeiro-ministro turcos enviavam comunicados a referir que o “golpe” tinha fracassado. Pensei para mim: estranho, imprudente… rápido? Fiquei um pouco baralhado.
No dia seguinte de manhã a notícia já não era o “Golpe de Estado” mas sim, as mortes e principalmente os detidos! O número de traidores detidos!
O número tem vindo a aumentar e chegou aos 7.500. Dentro deste número cabem militares e juízes do tribunal constitucional que se opunham à alteração da constituição, tão insistentemente proclamada por Erdogan, que na opinião do presidente, dá-lhe poucos poderes e pouco tempo de mandato. Uhmm…

Quando começo a pensar nisto, mais o facto de na Turquia, que foi fundada sobre o princípio de uma democracia laica, se estar neste momento e pela mão de Erdogan, a fomentar o Islão e levar a questão religiosa para o governo e para a nação, começo a temer o pior para aquele país. É impossível dissociar isto de outros momentos históricos em que estes termos de “limpeza” foram utilizados, em que se inventavam traições para eliminar opositores, em que preenchiam lugares com pessoas de “confiança” cuja lealdade rege-se, não por princípios, mas pelo medo do que lhes pode acontecer também, caso o “presidente” se lembre de lhes “limpar” a pele…
Acho que assistimos não a um golpe de estado verdadeiro, mas uma reacção, uma tentativa de sobrevivência de alguém que foi ameaçado de “limpeza”. Hoje uns, amanhã serão outros, pela perpetuação do líder, pelo culto da personagem, pelos ideais de alguém, de um louco ou visionário. A história diz que poderes absolutos são perigosamente dependentes da sanidade mental de quem conduz o destino de um povo.
Vou esperar. Escrevi este post para não me esquecer de vir aqui confirmar quando um dia, pode ser daqui por um ano, ou dois, surgir a notícia de que Erdogan conseguiu finalmente, ou tentou novamente, alterar a constituição da Turquia. Nessa altura vou-me lembrar da “farsa”.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Comissão de Inquérito à Caixa Geral

Numa altura que foi aprovada no parlamento português uma comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, não posso deixar de escrever algo sobre este assunto. Qual a real necessidade de proceder a uma investigação à gestão da Caixa para perceber as necessidades de capitalização do Banco quando PSD/CDS, os proponentes de tal investigação, estiveram no governo nos últimos 4anos e, por isso, tiveram acesso (caso quisessem) aos dados do Banco??
A resposta talvez seja simples, ambos sabem o que se passa no banco e que possivelmente muita lama virá à praça pública. Não nos podemos esquecer que Passos Coelho e companhia, até ao primeiro ano de legislatura, foram testando a reação pública a uma possível privatização da Caixa Geral de Depósitos. Numa fase em que o governo tenta a todo o custo reverter as medidas de austeridade e compatibilizá-las com a redução do défice solicitada pelos credores, eis que a capitalização da caixa e a respectiva comissão de inquérito se perfilam como uma bomba capaz de instabilizar as contas do Governo. Vale tudo para regressar ao poder e para atingir objectivos, mesmo que isso signifique colocar o país de rastos. Como reagirão os mercados e investidores quando se souber que a caixa, que está tecnicamente falida, tem servido como esconderijo de dívidas, de créditos mal parados, de esponja absorvente de lixos tóxicos de BPN’s, BPP’s, BES e Banif’s e de muitas empresas do estado?? Que tem havido gestão danosa propositada? Que se escondem contas dos credores? Bom para nós não vai ser…

Parece-me a mim que, qual casca de banana, PSD e CDS lançaram esta comissão de inquérito à gestão da Caixa e que o Bloco de Esquerda, na sua ânsia de brilhar, vai tropeçar nela.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Futebol e TV - Parte II


Fonte: Abola

Ainda sobre as transmissões televisivas, não posso deixar de concordar com as declarações de Manuel Machado - treinador no Nacional da Madeira - quando referiu que os acordos conseguidos pelo Benfica, Porto e Sporting eram muito bons para os grandes mas muito maus para os pequenos clubes. Que os grandes ficariam ainda maiores e os mais pequenos cada vez mais pequeninos.
De facto a centralização dos direitos televisivos e respectiva distribuição de receitas através de factores de ponderação estão na origem da revolução que aconteceu nos últimos dois anos no futebol Inglês.
Agora não são só os grandes que compram bons jogadores, vemos pequenos clubes a darem 10, 20 ou 30 milhões por jogadores que há uns anos seria impensável.
Temos por isso uma Premiere League muito competitiva pois a diferença de orçamentos, apesar de ainda ser grande, não é abismal. 500milhões para 80 milhões é uma diferença de 6,25 vezes.
Em Portugal, no ano em que o Olhanense desceu de divisão (2anos atrás), o Benfica venceu a liga com o orçamento de 95milhões e o Olhanense desceu de divisão com um orçamento de 1,9 milhões – com muito incumprimento à mistura – numa diferença que se cifra em 50x.

Com uma diferença financeira menor, sobressai quem melhor gere o seu dinheiro. Talvez por isso não seja de estranhar que, com vinte jornadas, clubes como o Leicester, West Ham, Crystal Palace, Watford, e Stoke City se encontrem na primeira metade da tabela. Clubes que sempre me lembro de ver a lutar por não descer.
No inverso temos o Everton, Chelsea, Newcastle e Aston Villa na segunda metade da tabela com algumas dificuldades.

Os pequenos ficaram maiores e os grandes mantiveram-se grandes, mas alcançáveis.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Portugal, Futebol e MEO/NOS

Temos vindo a assistir nos últimos dias a um frenesim nos noticiários à volta das vendas dos direitos televisivos dos três maiores clubes de futebol em Portugal. Um vende por 400milhões, outro por 457milhões e o último por 515milhões. Quem vendeu melhor? Sinceramente acho difícil de avaliar, isto porque:
1.º O contrato do Benfica começa já na próxima época, ao passo que o do SCP e do Porto é só para a época 2018/2019.
2.º O contrato do benfica é apenas para as transmissões televisivas enquanto que Porto e SCP vendem também a publicidade nas camisolas e publicidade estática. Quanto é que isso vale no Benfica? Não sei. As camisolas valem 4,5milhões época (com possibilidade de chegar a 8milhões não sei bem em que condições).
3.º Para baralhar mais isto as publicidades começam já em janeiro e as transmissões só mais tarde. É assim um pouco difícil de conseguir fazer uma análise correcta de qual o melhor contrato.

Posto fiz um pequeno cálculo para verificar o valor actual das rendas que constituem o contrato para saber ao certo qual tem o melhor projecto. Para isso o Benfica é actualizado na totalidade das rendas a 10anos, o contrato do SCP e Porto é actualizado de forma faseada a 10 anos, no entanto os dois primeiros anos e meio é com o actual contrato com a Sportv - que no caso do Sporting foi renegociado - e os outros 7,5 anos com os valores do novo contrato.
Tudo isto pode falhar porque, à excepção do Benfica, não se sabe ao certo quando caiem os primeiros pagamentos dos outros dois clubes, bem como não se sabe quanto tempo vai durar o contrato das camisolas do Benfica e porque valores e qual o valor da publicidade estática, que para o meu cálculo considerei 1milhão de euros por época.

Posto isto e considerando que as condições se mantêm fixadas para todos obtive os seguintes resultados:



Assim podemos ver que, para os próximos 10 anos (ou seja até à época 2025/26) o melhor contrato é do Benfica, seguido de Sporting e Porto. Isto se as receitas que o Porto obtém da SporTv nos próximos 2,5 anos se mantiverem nos 20,7 milhões de euros. Depois dos próximos 10 anos o Sporting e o Porto ainda têm mais 2,5 anos de contrato que poderão melhorar ou não a sua situação consoante os valores obtidos pelo Benfica.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A BANDALHICE – POEMA ZANGADO


A pouca vergonha na Banca continua - é um fartar vilanagem.
Os banqueiros que estão agarrados à “teta” – é só mamarem!
Para satisfazer a avidez desta pequena minoria que tudo estraga,
temos o pobre Zé-povinho – a grande maioria que tudo paga!

A uma gestão duvidosa de investimento e créditos mal parados,
Sucedem-se as imparidades e contínuos recursos delapidados.
É desta maneira que muitos milhões vão parar a alcovas douradas,
de Administradores com rendimentos e mordomias agigantadas.

E o povo aguenta? Ai aguenta, aguenta, aguenta pois então!
A geringonça está bem oleada e inteligentemente armadilhada,
o vai e vem entre os Bancos e os Partidos do arco da governação,
é uma garantia certificada para toda esta ganancia esquematizada.

A Troika, as Agências de Rating e os Mercados são aquela cambada.
Falam todos a mesma linguagem sofisticada: sacar, sacar, é só sacar!
Não vale a pena cumprir e ser um bom aluno – isto só lá vai à lambada!
Antes assim fazer do que ficarmos depenados e com feridas a sangrar!

Como é? Digam-nos! Quem tem vivido acima das suas possibilidades?
Os contribuintes ou os Bancos? Quem arca com as responsabilidades?
Quem deverá sair da zona de conforto e acabar com a promiscuidade?
As vítimas? Os inocentes ou os algozes? Fale-se de uma vez a verdade!

As siglas BPP, BPN, BES e BANIF quanto acabaram por já nos custar?
Eu digo: €13.705 Mil Milhões.* Até quando vamos continuar a pagar?
Enquanto o capitalismo cuidar dos políticos como sendo a sua coutada,
Continuaremos condenados a ser roubados por toda esta cambulhada!

*In RTP 3, 21/12/2015 às 21h20

Em Dezembro de 2015

Heitor d’Ambaca, Algés

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

BANIF – Como eu odeio ter razão

Em 2013 escrevi vários posts dedicados ao BANIF, em todos eles critiquei a injecção de capital público no banco e a sua conversão em acções. Se na altura as acções valiam 10 cêntimos, agora valem 0,0008€. Ou seja as acções foram convertidas em capital e no espaço de 2anos os 1,1mil milhões que o estado lá colocou como que se esfumaram…

Mas, como um mal nunca vem só, como accionista, além de perder o valor das acções ainda corre o risco de ter de assumir responsabilidades perante credores. Vai ser bom vai…

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Um Presidente que defende as suas ideias.

As eleições não são uma corrida que se ganha. Servem para eleger representantes do povo que representam na assembleia da república as vontades dos portugueses.
Quando o PR diz que em 2009 o partido mais votado foi o PS e que foi o Sócrates a ser indigitado 1º ministros, mesmo que o PSD+CDS tivesse tido mais votos, esqueceu-se de referir que o PSD+CDS não tinha a maioria absoluta.
Será que ao contrário de tantos países por essa europa fora, em Portugal, as coligações só se devem fazer antes das eleições?
Quando argumenta que “sempre foi assim”, está a utilizar um péssimo argumento. Se assim fosse, se nada nunca mudasse, ainda hoje não tinha sido abolida a escravatura.
Depois fala das questões dos compromissos internacionais, credores, Euro, Nato, etc, como se isso alguma vez estivesse a ser posto em causa. Alguém acredita que o PS aceitaria um acordo que pusesse em causa alguma dessas questões? Ontem, Catarina Martins, sobre esse assunto disse que cedeu em todos esses pontos e que teria respondido e esclarecido qualquer questão que o Presidente da República lhe tivesse colocado.
Por último, cabe ao Presidente da República dizer com quem é que um partido deve chegar, ou não, a acordo? Mas, a que propósito?

O discurso de ontem do Sr. Presidente da República Cavaco Silva foi uma clara demonstração de falta de imparcialidade.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Quem deve formar Governo?


Muito se tem dito que o PS perdeu as eleições e que a coligação ganhou as eleições e como tal eles é que devem formar governo. Também se ouve com enorme frequência “que os portugueses disseram no dia 4 outubro de 2015 que queriam que fosse a coligação a governar o país, mas sem maioria absoluta”.

Ora, vejamos os resultados oficiais:


5.380.451 VOTANTES
9.439.701 INSCRITOS

Temos que 4.059.250 de inscritos não foram votar. A abstenção ganhou as eleições.

Coligação           36,83%                1.981.459 votos               104 deputados 
PS                         32,38%                1.742.012 votos               85 deputados
BE                         10,22%                549.878 votos                  19 deputados
PCP                       8,27%                  444.955 votos                  17 deputados
PAN                      1,39%                  74.752 votos                      1 deputado
Restantes partidos                         307.182 votos                        0 deputados

Notas:
-             Faltam apurar 4 deputados (estrangeiro)
-             Dos 104 deputados da coligação, 86 provieram do PSD e 18 do CDS
-             PS + BE + PCP coligados perfazem 121 deputados (Maioria Absoluta)
-             A Constituição prevê coligações pré ou pós eleitorais.

Conclusão: Tenho a forte sensação que a esmagadora maioria dos eleitores que votaram no PS, no BE e no PCP, preferiam ver como solução governativa uma coligação estre estas três forças do que a continuação da solução anterior (governo de coligação PSD + CDS).

Essa sensação acentua-se porque os partidos mais à esquerda têm mostrado disponibilidade para fazer concessões e porque não tencionam colocar em causa políticas que a maioria dos portugueses defendem, nomeadamente, relativamente à “Europa, moeda única, NATO, economia de mercado, tecido empresarial essencialmente privado, democracia plural, objetivo de equilíbrio orçamental e respeito pela propriedade privada”.

Não me parece que seja correto dizer “que quem ganhou as eleições é que deve formar governo”, mas sim, “que quem deve formar governo é quem representa as escolhas da maioria dos portugueses”.