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segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Sporting: A máquina parou, deixou de tocar.

 

Conhecida música portuguesa dos Amor Electro, ajusta-se bem ao momento do Sporting. Convido todos os que se interessam por este desporto e clube a ver o resumo do Gil Vicente x Sporting no site Sapo.pt, prestando especial atenção ao minuto 41 do jogo (0,55 do resumo) em que Quenda recebe a bola na direita e os colegas olham parados a ver o que vai acontecer.

Reparem no vazio que Quenda tem pela frente 4 jogadores para 1. Trincão que deveria ocupar aquele espaço está escondido atrás de um jogador do Gil ao pé do árbitro. Nenhuma alma se lembra de ocupar o referido espaço para criar rotura, pelo contrário, a passo vão olhando para o que Quenda vai fazer.

Araújo está lá no fundo, colado à linha contrária a fazer não sei o quê, porque o tempo que bola demoraria a lá chegar, dá tempo para a equipa do Gil se reposicionar. Uma das coisas que me deixava nervoso, mas que os jogadores do Sporting faziam bem, era trocar a bola em espaços curtos, muito compactos com uma densidade elevada de jogadores. O que vejo aqui é uma densidade elevada de jogadores mas numa zona que não interessa, onde não está a bola. Foram 90 minutos disto. Colegas de equipa a olhar para o jogador que tem a bola à espera de ver o que vai acontecer.

A máquina parou. Deixou de tocar.



A cruzada de João Pereira no Sporting

 

Uma cruzada é sempre uma missão difícil com grande probabilidade de acabar mal. A saída de Rúben Amorim do Sporting era um tiro no pé – penso que este pensamento era consensual. O Papa (Dr. Varandas) viu-se numa situação complicada, pois não é fácil ir ao mercado contratar um treinador pois os melhores, correndo bem a época, estão a treinar e só os que a “coisa” correu mal é que estão no desemprego disponíveis para um contrato.

O Papa, ainda assim, tinha vários pontos a favor:

1 – Recebeu 10 M€ pelo seu treinador, logo tinha 10 M€ para contratar um treinador;

2 – Tinha uma equipa no topo da tabela classificativa da Liga dos Campeões, acabadinha de ganhar ao City;

3 – Tinha o melhor marcador de golos da Europa do ano 2024;

4 – Tinha a equipa na liderança da primeira liga com boa vantagem sobre os rivais;

5 – Tinha 15 dias para arranjar uma solução.

 

Não sei se o Papa achou-se Midas, ou está mesmo convencido que é Midas, e que o seu discurso e paciência foram cruciais no sucesso de RA, mas a verdade é que quem se gaba, normalmente perde-se na fanfarronice.

Eu considero o Sporting um clube grande. Tem histórico de formar grandes jogadores e não deve perder essa matriz, mesmo sabendo que lançar jovens tem custos desportivos. Mas uma coisa é lançar 1 ou 2 jogadores no plantel principal num conjunto de 26 ou 28 jogadores, outra bem diferente é formar treinadores e jogadores ao mesmo tempo.

João Pereira era quinto classificado na III divisão portuguesa. Nunca geriu profissionais. Será o Campeão Nacional a melhor forma de se estrear? Não. É claro que não. Nem sequer pode dar ordens no banco pois não tem habilitações para tal. Tem o Sporting necessidade de estar nesta situação? Repito, recebeu 10 M€ pelo treinador desertor, tem um bom plantel, é campeão e tem estabilidade económica. Tem necessidade de estar nesta situação de ter um treinador que nem pode dar ordens aos seus jogadores? NÃO!

O Papa não sabia o que fazer e lembrou-se de uma cruzada e lançou o desafio ao cruzado João Pereira que não soube recusar o convite. Fez mal. Provavelmente daqui a uns anos estará a liderar uma equipa de primeira divisão, porque as portas estão sempre abertas a profissionais que vêm dos 3 grandes de Portugal. Já para o Sporting a sorte não será tão grande, comprometeu a valorização do plantel e títulos e acima de tudo a possibilidade de consolidar-se na liga portuguesa. Estas oportunidades não devem ser desperdiçadas, são a morte do artista.

O Papa Varandas pode ter assinado a sua sentença. Não foi para a cruzada, mas vai capitular juntamente com o cruzado.