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segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Sporting: A máquina parou, deixou de tocar.

 

Conhecida música portuguesa dos Amor Electro, ajusta-se bem ao momento do Sporting. Convido todos os que se interessam por este desporto e clube a ver o resumo do Gil Vicente x Sporting no site Sapo.pt, prestando especial atenção ao minuto 41 do jogo (0,55 do resumo) em que Quenda recebe a bola na direita e os colegas olham parados a ver o que vai acontecer.

Reparem no vazio que Quenda tem pela frente 4 jogadores para 1. Trincão que deveria ocupar aquele espaço está escondido atrás de um jogador do Gil ao pé do árbitro. Nenhuma alma se lembra de ocupar o referido espaço para criar rotura, pelo contrário, a passo vão olhando para o que Quenda vai fazer.

Araújo está lá no fundo, colado à linha contrária a fazer não sei o quê, porque o tempo que bola demoraria a lá chegar, dá tempo para a equipa do Gil se reposicionar. Uma das coisas que me deixava nervoso, mas que os jogadores do Sporting faziam bem, era trocar a bola em espaços curtos, muito compactos com uma densidade elevada de jogadores. O que vejo aqui é uma densidade elevada de jogadores mas numa zona que não interessa, onde não está a bola. Foram 90 minutos disto. Colegas de equipa a olhar para o jogador que tem a bola à espera de ver o que vai acontecer.

A máquina parou. Deixou de tocar.



A cruzada de João Pereira no Sporting

 

Uma cruzada é sempre uma missão difícil com grande probabilidade de acabar mal. A saída de Rúben Amorim do Sporting era um tiro no pé – penso que este pensamento era consensual. O Papa (Dr. Varandas) viu-se numa situação complicada, pois não é fácil ir ao mercado contratar um treinador pois os melhores, correndo bem a época, estão a treinar e só os que a “coisa” correu mal é que estão no desemprego disponíveis para um contrato.

O Papa, ainda assim, tinha vários pontos a favor:

1 – Recebeu 10 M€ pelo seu treinador, logo tinha 10 M€ para contratar um treinador;

2 – Tinha uma equipa no topo da tabela classificativa da Liga dos Campeões, acabadinha de ganhar ao City;

3 – Tinha o melhor marcador de golos da Europa do ano 2024;

4 – Tinha a equipa na liderança da primeira liga com boa vantagem sobre os rivais;

5 – Tinha 15 dias para arranjar uma solução.

 

Não sei se o Papa achou-se Midas, ou está mesmo convencido que é Midas, e que o seu discurso e paciência foram cruciais no sucesso de RA, mas a verdade é que quem se gaba, normalmente perde-se na fanfarronice.

Eu considero o Sporting um clube grande. Tem histórico de formar grandes jogadores e não deve perder essa matriz, mesmo sabendo que lançar jovens tem custos desportivos. Mas uma coisa é lançar 1 ou 2 jogadores no plantel principal num conjunto de 26 ou 28 jogadores, outra bem diferente é formar treinadores e jogadores ao mesmo tempo.

João Pereira era quinto classificado na III divisão portuguesa. Nunca geriu profissionais. Será o Campeão Nacional a melhor forma de se estrear? Não. É claro que não. Nem sequer pode dar ordens no banco pois não tem habilitações para tal. Tem o Sporting necessidade de estar nesta situação? Repito, recebeu 10 M€ pelo treinador desertor, tem um bom plantel, é campeão e tem estabilidade económica. Tem necessidade de estar nesta situação de ter um treinador que nem pode dar ordens aos seus jogadores? NÃO!

O Papa não sabia o que fazer e lembrou-se de uma cruzada e lançou o desafio ao cruzado João Pereira que não soube recusar o convite. Fez mal. Provavelmente daqui a uns anos estará a liderar uma equipa de primeira divisão, porque as portas estão sempre abertas a profissionais que vêm dos 3 grandes de Portugal. Já para o Sporting a sorte não será tão grande, comprometeu a valorização do plantel e títulos e acima de tudo a possibilidade de consolidar-se na liga portuguesa. Estas oportunidades não devem ser desperdiçadas, são a morte do artista.

O Papa Varandas pode ter assinado a sua sentença. Não foi para a cruzada, mas vai capitular juntamente com o cruzado.

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Zé Trolha & Picareta


 

Estádio Nacional (do Jamor) - Remodelar?

 

Com o aproximar do final da Taça de Portugal volta o tema que todos os anos vem “à baila” por esta altura: para quê jogar no Jamor quando existem outros estádios de futebol melhores?

Bom, efetivamente o estádio está ultrapassado para os padrões atuais. Caramba, é de 1944!! Se não estivesse ultrapassado é que seria estranho!

Para mim, que cresci a ver estas finais e as romarias na mata do Jamor em dias de jogos, nem me passa pela cabeça que a final seja noutro lugar. É um espaço que não fica longe do comboio, tem imenso estacionamento e espaço para convívio.

Mas compreendo quem não goste. As Instalações Sanitárias, por exemplo, são um problema, tal como a entrada no estádio. Não percebo a inércia da federação relativamente ao complexo do Jamor. Não é necessário fazer um estádio novo, bastaria apenas fazer umas pequenas remodelações para melhorar significativamente o estádio sem alterar grande coisa.

Relembro que o estádio foi construído escavado no terreno com as bancadas a serem construídas com blocos de pedra assentes no terreno.

A federação lançou ainda no final do ano passado (2023) um concurso para propostas de projeto com um valor de obra até 25M€. Penso que será suficiente para melhorar, mas tudo depende de quão longe se quer ir e qual o futuro a dar à instalação.

Se o objetivo é melhorar as condições de segurança e “saúde” bastaria fazer um corredor externo (a amarelo) escavado uns 4 m e escavar uns rasgos até meio da bancada (a azul) para criar acessos, repondo depois a bancada por cima. Criar junto aos acessos pequenos edifícios para as instalações sanitárias e um bar (a roxo) para disponibilizar bebida e comida. Por fim, o acesso exterior a esse novo corredor através de uma nova porta de entrada sul com a bilheteira (a verde).

Só estas pequenas alterações, coisa para custar uns 2 milhões no lado sul e mais 2 milhões no lado norte, fariam uma diferença enorme no recinto sem alterar a traça do mesmo (e assim sem ferir sentimentos nostálgicos).

  

Partindo daqui o céu é o limite. Em vez do corredor amarelo poderia ser feito uma estrutura de suporte a uma cobertura do 2º anel. Ou 2º e 1º anel (mais caro). Ou poderia ser um edifício apenas com camarotes. Alterar a tribuna atual? Ou não alterar? Construir bancada no lado nascente ou deixar o espaço amplo como está? É necessário aumentar o n.º de lugares sentados ou não? Quer-se o estádio para fazer parte da organização de um mundial de rugby com Espanha ou não?

Antes de remodelar é necessário decidir qual o propósito da infraestrutura.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Recentemente fiz umas perguntas ao Gemini (IA da Google) e o que mais me impressionou foi a primeira parte das respostas (antes das descrições mais técnicas), porque, claramente, a inteligência do “outro lado” percebe as perguntas. Imagino se é assim agora, que está a começar, como será dentro de 20 anos…

As minhas perguntas estão a bold e as respostas do Gemini a itálico.

Li um artigo que dizia que os raios de sol quando faziam reflexão na terra, deviam voltar para o espaço, mas que muitas vezes isso não acontecia porque batiam nos átomos de carbono (e outros) que estão na atmosfera, e que era isso que provocava o efeito de estufa. é verdade?

A afirmação de que os raios solares que batem na Terra deveriam retornar ao espaço, mas são retidos pelos gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono, está parcialmente correta. É verdade que os gases do efeito estufa contribuem para o efeito estufa, mas o processo é um pouco mais complexo do que a simples reflexão.

O que é o efeito estufa?

O efeito estufa é um processo natural que mantém a Terra habitável. A atmosfera terrestre contém gases como dióxido de carbono, metano e vapor d'água, que absorvem parte da radiação infravermelha emitida pela superfície da Terra. Essa radiação infravermelha é o que nos mantém aquecidos após o pôr do sol. Sem esses gases, a temperatura média da Terra seria cerca de 33°C mais fria, tornando o planeta inóspito para a maioria das formas de vida.

Como os gases do efeito estufa contribuem para o aquecimento global?

As atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e a agricultura, aumentaram significativamente as concentrações de gases do efeito estufa na atmosfera desde a era pré-industrial. Esse aumento está intensificando o efeito estufa natural, levando a um aumento da temperatura global, conhecido como aquecimento global.

O que acontece com os raios solares que batem na Terra?

Quando a radiação solar atinge a Terra, parte dela é refletida de volta ao espaço pelas nuvens, gelo, neve e outras superfícies reflexivas. A outra parte é absorvida pela superfície terrestre, aquecendo-a. A superfície aquecida emite radiação infravermelha, que é parcialmente absorvida pelos gases do efeito estufa na atmosfera. Essa radiação infravermelha retida aquece a atmosfera inferior, o que por sua vez aquece a superfície terrestre em um ciclo.

É importante lembrar que o efeito estufa é um processo complexo e os gases do efeito estufa desempenham um papel crucial na regulação do clima da Terra. No entanto, o aumento excessivo das concentrações de gases do efeito estufa pelas atividades humanas está desequilibrando esse sistema natural, levando a consequências graves como o aquecimento global, a elevação do nível do mar, eventos climáticos extremos e mudanças nos padrões de precipitação.

Para combater o aquecimento global e mitigar seus impactos, é necessário reduzir as emissões de gases do efeito estufa através da transição para fontes de energia renováveis, da adoção de práticas agrícolas sustentáveis e da proteção das florestas.

De acordo com o artigo, os fotões batiam nos átomos de carbono (e outros) e em vez de seguir para o espaço, retornavam para a terra. Isto está correto?

A afirmação de que os fótons que atingem os átomos de carbono (e outros) na atmosfera e retornam à Terra em vez de seguir para o espaço está incorreta.

Embora os gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono, possam interagir com os fótons da radiação solar, o processo não é tão simples quanto um rebote direto.

O que acontece realmente:

  • Absorção e emissão: Quando um fóton de radiação solar colide com um átomo de carbono, ele pode ser absorvido pelo átomo. O átomo então usa a energia do fóton para excitar um elétron para um nível de energia mais alto. No entanto, o elétron logo volta ao seu estado original de menor energia, liberando a energia na forma de outro fóton. Esse fóton reemitido pode ser direcionado em qualquer direção, incluindo de volta para a Terra ou para o espaço.
  • Espalhamento: Além da absorção e emissão, os fótons também podem ser espalhados por átomos e moléculas na atmosfera. O espalhamento é um processo em que a direção do fóton é alterada sem que sua energia seja alterada. Esse processo é responsável pelo céu azul durante o dia.
  • Difusão: Em alguns casos, os fótons podem sofrer múltiplos eventos de espalhamento antes de escapar da atmosfera. Esse processo é chamado de difusão e é responsável pela cor branca das nuvens.

Portanto, os fotons da radiação solar também colidem com os átomos de carbono e outros no caminho descendente? Isto é, quando vêm do Sol para a Terra?

Sim, os fótons da radiação solar colidem com os átomos de carbono e outros elementos na atmosfera no caminho descendente, ou seja, quando viajam do Sol para a Terra. Essa interação é fundamental para o efeito estufa, mas não da maneira descrita em alguns artigos que afirmam que os fótons simplesmente ricocheteiam de volta para a Terra.

Mas podiam ser enviados novamente para o espaço sem chegar à superfície da Terra?

Sim, os fótons da radiação solar podem ser enviados de volta ao espaço sem chegar à superfície da Terra de várias maneiras:

1. Reflexão: Uma parte da radiação solar incide diretamente em superfícies reflexivas, como nuvens, gelo, neve e água, e é refletida de volta ao espaço sem interagir com a atmosfera.

2. Espalhamento: Os fótons podem ser espalhados por átomos e moléculas na atmosfera, alterando sua direção. Em alguns casos, esse espalhamento pode direcionar os fótons de volta para o espaço antes que eles atinjam a superfície terrestre.

3. Absorção e emissão: Quando um fóton é absorvido por um átomo ou molécula, ele pode ser reemitido em qualquer direção, inclusive de volta para o espaço.

4. Difusão: Os fótons podem sofrer múltiplos eventos de espalhamento dentro da atmosfera, o que pode levar a um caminho tortuoso que eventualmente os direciona de volta para o espaço antes de atingirem a superfície.

Fatores que influenciam a quantidade de radiação solar que retorna ao espaço:

  • Tipo de superfície: Superfícies mais reflexivas, como neve e gelo, refletem mais radiação solar do que superfícies menos reflexivas, como florestas e oceanos.
  • Ângulo da radiação solar: A radiação solar que incide em um ângulo mais oblíquo tem maior probabilidade de ser refletida de volta ao espaço do que a radiação solar que incide em um ângulo mais direto.
  • Composição da atmosfera: A quantidade de gases do efeito estufa e outras partículas na atmosfera pode afetar o espalhamento e a absorção da radiação solar, influenciando a quantidade que retorna ao espaço.

Em resumo:

  • Uma parte significativa da radiação solar que atinge a Terra é refletida de volta ao espaço por nuvens, gelo, neve e outras superfícies reflexivas.
  • Os fótons também podem ser espalhados ou absorvidos e reemitidos pela atmosfera, com alguns deles sendo direcionados de volta para o espaço.
  • A quantidade de radiação solar que retorna ao espaço depende de vários fatores, como o tipo de superfície, o ângulo da radiação solar e a composição da atmosfera.

Gostava de perceber porque é que os gases com efeito de estufa funcionam mais como uma estufa, ou seja, conservando o calor, e não como um chapéu de Sol, prevenindo o calor de chegar ao solo?

É uma ótima pergunta! A analogia com a estufa é útil para entender o efeito básico dos gases do efeito estufa, mas é importante ter em mente que o processo na atmosfera é mais complexo.

Diferenças entre efeito estufa e chapéu de Sol:

  • Estufa: Uma estufa retém o calor dentro de sua estrutura transparente, principalmente por dois mecanismos:
    1. Redução da convecção: O ar quente dentro da estufa tende a subir, mas a cobertura transparente impede que ele escape, fazendo com que o calor se acumule no interior.
    2. Emissão infravermelha: A superfície aquecida dentro da estufa emite radiação infravermelha, que é menos eficaz em escapar do que a radiação solar visível. A cobertura transparente bloqueia essa radiação infravermelha, impedindo que ela se dissipe no espaço e retendo o calor dentro da estufa.
  • Chapéu de Sol: Um chapéu de Sol funciona de forma oposta, bloqueando a radiação solar visível que aquece diretamente a superfície. Ao impedir que a radiação solar atinja o solo, o chapéu de Sol ajuda a manter a temperatura mais baixa.

Gases do efeito estufa e a atmosfera:

  • Absorção de radiação infravermelha: Os gases do efeito estufa, como dióxido de carbono, metano e vapor d'água, absorvem radiação infravermelha emitida pela superfície terrestre. Essa radiação infravermelha é essencial para manter a temperatura média da Terra em um nível habitável, pois impede que ela se dissipe rapidamente no espaço.
  • Emissão em todas as direções: Ao absorver a radiação infravermelha, os gases do efeito estufa não apenas a retêm, mas também a reemitem em todas as direções, incluindo de volta para a superfície terrestre. Essa reemissão de radiação infravermelha contribui para o aquecimento adicional da superfície e da baixa atmosfera.

Analogia mais precisa:

Em vez de pensar nos gases do efeito estufa como um chapéu de Sol, uma analogia mais precisa seria compará-los a um cobertor. Um cobertor retém o calor corporal principalmente por meio da radiação infravermelha, da mesma forma que os gases do efeito estufa retém o calor da Terra.

Conclusão:

  • Os gases do efeito estufa funcionam de maneira similar a uma estufa, retendo o calor através da absorção e reemissão de radiação infravermelha, e não apenas bloqueando a radiação solar como um chapéu de Sol.
  • O efeito estufa é um processo natural e essencial para a vida na Terra, mas o aumento excessivo de gases do efeito estufa pelas atividades humanas está intensificando esse efeito natural, levando ao aquecimento global.

Espero que essa explicação mais detalhada ajude a esclarecer suas dúvidas sobre o papel dos gases do efeito estufa na atmosfera! 


segunda-feira, 6 de maio de 2024

Sporting Campeão 2023/24 E se corre bem?

 

Sou leão, pelo que o meu comentário, muito provavelmente, será tendencioso, mas tentarei ser objetivo na análise.

Na altura da contratação de Rúben Amorim, o mesmo referiu: "e se corre bem?" Por  vezes o sucesso segue mesmo esse "random" de eventos ao longo da vida.


Não considero que o Sporting tivesse o plantel mais completo. Não que meça a qualidade pelo dinheiro investido. Se assim fosse, o Benfica ganhava todos os anos, tal é a diferença de capacidade de investimento que tem face aos restantes. Mas, pelas várias opções que os mais diretos rivais tinham para as várias posições, o plantel do Sporting tinha claramente lacunas.

Recordo que neste fim-de-semana, por exemplo, o FCP viu-se privado de 10 jogadores, uns por birra do seu treinador, e ainda assim ganhou.

Vamos aos factos:

1)     Para defesa direito perdemos um jogador como o Pedro Porro e tínhamos à partida, um Esgaio (que convence poucos, é jogador esforçado mas não brilha), um Fresneda, miúdo vindo de lesão longa e sem jogar e um Geny Catamo que jogou num Marítimo amorfo que desceu de divisão.

2)     Para o meio-campo, cuja tática exige dois jogadores, tínhamos Morita como único jogador testado e comprovado. Veio Hjulman acabado de chegar de uma equipa italiana (Lecce) que lutou para não descer de divisão. Voltou Daniel Bragança depois de 1 ano inteiro lesionado e, diga-se, é mais médio ofensivo do que médio centro. E pronto. Apenas 3 jogadores para 2 lugares. Só a meio da temporada chegou um Koba Koindredi (suplente no Estoril) para dar mais opções e porque Morita andava na Taça Asiática.

3)     Para avançado tínhamos 1 avançado (muito lento) e chegou um jogador da 2ª liga inglesa. Ficámos com 2 jogadores para 1 posição.

4)     Para a posição de extremos (RA joga com 2), tínhamos apenas 3 jogadores, Trincão (um desespero), Edwards (muito leve fisicamente) e Pedro Gonçalves (um médio adaptado a extremo).

5)     O GR também não é fabuloso.

Os únicos sectores em que o Sporting estava efetivamente forte, eram o centro da defesa (Diomande, Inácio, Coates, St. Juste, Quaresma, Luis Neto) e a lateral esquerda com Matheus Reis e Nuno Santos, ambos com 2 jogadores por posição e jogadores já com garantia de qualidade.

Curioso é que, olhando para os rivais, no primeiro terço do campeonato, a defesa do Porto sofreu bastante e a do Benfica também não ficou atrás.

Acresce a isto que em janeiro, Diomande, Geny Catamo e Morita ficariam 1 mês fora do clube. Risco máximo. Apenas Hjulman e Daniel Bragança para duas vagas no meio campo!..

 

Temos sempre esperança, a cada início de época, que vai correr tudo bem. Mas por tudo isto e vendo o rival Benfica a gastar milhões em vários jogadores supostamente “tarimbados” com selo de qualidade, seria hipócrita se não dissesse que no íntimo achava que ia ser muito complicado para o Sporting.

Na minha opinião, só não foi complicado porque felizmente, não houve lesões longas, a única foi a do Pote que esteve lesionado 1 mês, já mais para o final, e porque os reforços resultaram. Porque, realisticamente falando, as opções do meio-campo para frente não abundavam (e continuam a não abundar) no plantel do Sporting.

Para o ano, se nenhum jogador sair, diria que Fresneda e Geny são garantias. Logo todos os setores defensivos estão equilibrados, ficando a faltar apenas a questão do guarda-redes.

O meio-campo, com Morita, Hjulman e Bragança são garantias. Fica a faltar o 4º médio, que não sei se será o Koba ou o jogador emprestado ao Estoril, Mateus Fernandes. Talvez até fosse melhor manter os dois e ficar com 5 jogadores para o meio-campo.

Para as extremas, ficam a faltar, na minha opinião, mais 2 jogadores. Pelo menos 1 extremo esquerdo de raiz.

Bem sei que RA gosta de plantéis curtos, mas para o ano, vão ser 8 jogos em vez de 6 na Champions e caso fique a meio da tabela no grupo ainda pode ter de jogar mais 2 jogos antes dos oitavos de final. O comboio não passa duas vezes. A lotaria dificilmente sai, quanto mais sair  duas vezes!! 

Logo, para que a próxima época não seja uma aposta em jogos de sorte/azar, é imperioso que arranjem  1GR e 2 extremos. Isto se ninguém sair. Admitindo também que será dada a oportunidade de um miúdo da academia treinar com a equipa principal como ponta de lança. Porque só Paulinho e Gyokeres, convenhamos, é curto.

Posto isto, ver os rivais da Luz a fazerem tanta pressão na equipa e direção por uma época que correu menos bem, quando isto podia ter corrido muito mal ao Sporting, parece-me extremo!. Mas, o futebol é de extremos, vive de paixões. Todos sabemos que, em algum momento das nossas vidas, as paixões já nos toldaram a razão.

Parabéns Sporting, podia ter corrido mal, mas correu bem. 

segunda-feira, 11 de março de 2024

O povo votou e… o egoísmo ganhou

Não vejo outra razão para um partido como o Chega conseguir obter os resultados que conseguiu a não ser por beneficiar desse sentimento pouco nobre que é o egoísmo que vive entranhado e se transfere nos cromossomas das almas que constituem este – cada vez menos – nobre povo.

Os candidatos deste partido são o que são. Os discursos são o que são. O programa é o que é (ridículo). Mas Ventura promete tudo a todos sem excepção, encaixa-se na alma mais ultraconservadora até à alma mais brava marxista-leninista. E esse egoísmo floresce.

Recordo as palavras de Sérvio Galba, que chegou a governar o Império Romano entre 68 e 69 D.C. e que antes governou a Hispânia, quando se referiu ao povo Lusitano “Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho, não se governa nem se deixa governar”. Também Estrabão, filósofo grego do século I A.C descreveu o povo Lusitano como sendo muito individualista e com grande falta de coesão política. Povo esse que foi vencido. Pelo dinheiro, claro. Sempre o vil metal a alimentar-se desse egoísmo.

Roma conquistou-os, comprando-os. O dinheiro da traição sobrepôs-se a qualquer coesão política ou identitária. O tal egoísmo já lá estava e dois mil anos depois continua presente.

Alguém acena com euros e perdem-se os valores cívicos, societários e políticos. Ventura sabe disso e usa a estratégia tão bem-sucedida no passado. E como este povo é inculto, vive embriagado entre futebol, telenovelas e reality shows, não conhecerá certamente o destino traçado ao traidor em Roma. “Roma não paga a traidores, assassina-os”. Nesta rábula, Ventura é a Roma, o traidor são os egoístas que o levaram em ombros.  Estes, que hoje tiveram voz, amanhã poderão não a ter.

Karl Popper explica no seu paradoxo da tolerância, que a tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Segundo ele, a intolerância não deve ser tolerada, pois se a tolerância permitir que a intolerância tenha sucesso completamente, a própria tolerância estaria ameaçada. Foi o que todos, partidos e fundamentalmente a comunicação social, fizeram nestes últimos anos. Podemos, pois, estar a caminhar paulatinamente para a extinção dos tolerantes sem sequer se aperceberem.

Como democrata, individuo que cresceu num país livre, pós 25 de abril, custa-me ver o caminho que este país trilha na cegueira dos seus egoísmos. Ainda haverá salvação? Temo pelas gerações mais novas. Haverá algo que possa fazer?

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

 

Há (quase) Três Séculos A Desenterrar Carbono

A revolução industrial ocorreu entre cerca de 1730 e 1850 em Inglaterra, e marca o início da utilização massiva de combustíveis fósseis (primeiramente o carvão).

Estes, permitem ter energia relativamente barata e acessível que pode facilmente ser transportada para onde é necessária.

A energia proporcionada pelo carvão, petróleo e gás, são o motor do crescimento económico desde então (sempre apoiado pelo desenvolvimento tecnológico).

Antes desse acontecimento, era habitual que a produção (as primeiras “fábricas”) estivessem onde fosse possível aproveitar a energia de recursos naturais (por exemplo, a água e o vento). 

Embora tenham nascido cidades junto a minas de carvão, era possível inaugurar uma fábrica noutro local, por exemplo, onde a mão de obra fosse abundante e mais barata.

O progresso e o crescimento económico desde então, trouxeram-nos para níveis de riqueza inimagináveis. Infelizmente, a distribuição da mesma não foi capaz de erradicar a fome e a pobreza no mundo.

Curiosidade

Sabia que “a formação do petróleo é um processo fascinante e demorado que leva milhões de anos. A teoria mais aceite é que ele se formou a partir da decomposição de matéria orgânica, principalmente algas e outros pequenos organismos marinhos, em ambientes com pouco oxigénio”. (fonte: Gemini).

Os seres humanos estão a causar o aquecimento global e as alterações climáticas.

Foi por volta de 1988 que o então diretor da NASA[1], James Hansen, “levou o assunto para o Congresso dos Estados Unidos”.

A partir desse alerta, os políticos passaram a estar mais atentos para os fenómenos resultantes das alterações climáticas.

Doze anos mais tarde, Al Gore perde as eleições nos Estados Unidos para George W. Bush.

Este, que tinha sido Governador do Texas, foi fortemente apoiado pelo lóbi do petróleo, indústria na qual trabalhou após terminar os estudos.

Foi uma eleição com recontagem de votos na Flórida e em que globalmente Al Gore teve mais votos, mas perdeu as eleições por uma margem estreita.

G. Bush com 271 votos no Colégio Eleitoral contra os 266 de Al Gore (com um eleitor a abster-se na contagem oficial).[2]

Foi mais um contratempo na luta contra o aquecimento global (ou deverei dizer azar)?

Em 2006 foi lançado o documentário “Uma Verdade Inconveniente”, “dirigido por Davis Guggenheim, sobre a campanha do ex-Vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, para educar os cidadãos do mundo acerca do aquecimento global”[3].

Infelizmente, este problema que se pode tornar demasiado grave, continua a ser levado pouco a sério por grande parte da população, mas pior que isso, pelos decisores.

Essa aparente pouca preocupação, não nos assegura que o problema não esteja a agravar-se.

Como diz John Kerry: "É preciso responsabilizar os políticos por causa do clima"[4]

“O ex-responsável da diplomacia norte-americana John Kerry afirmou hoje que o mundo está a perder a luta contra as alterações climáticas porque ninguém cumpre os compromissos assumidos no acordo de Paris e há líderes que não acreditam na ciência”.

"A triste verdade é que não estamos a ganhar. Não há um único país a fazer aquilo a que se comprometeu em Paris", disse John Kerry, em Lisboa, no último dia da conferência Futuro do Planeta, promovida pelas fundações Oceano Azul e Francisco Manuel dos Santos”.

Do que tenho lido, são duas as principais razões que justificam a pouca atenção dos políticos para um problema tão sério.

- A população não se queixa, ou queixa-se muito pouco. A razão para tal deve-se ao facto do problema (ainda) ser pouco visível. Nós humanos, damos mais atenção aos problemas imediatos e visíveis do que aos que ainda “poderão” acontecer.

Como é que poderemos ter a certeza da magnitude dos problemas se não os sentimos?

Sim, é verdade que cada vez mais presenciamos eventos extremos relacionados com as alterações climáticas, furacões, ciclones, grandes incêndios florestais, precipitações intensas que provocam cheias, ondas de calor, secas prolongadas, degelo, etc, mas certamente que a maioria considera que se não passar disso, conseguiremos dar conta do recado.

- A outra razão está relacionada com a invisibilidade. As ações climáticas preventivas não têm visibilidade imediata. Visam fundamentalmente mitigar os problemas. Uma ação desenvolvida hoje não produzirá resultados climáticos imediatos. Na melhor das hipóteses, poderemos vir a dizer que determinado político tomou medidas que evitaram que as condições climáticas fossem hoje muito mais graves. Mas, nessa altura, o líder em questão, até pode já estar reformado ou morto.

As ações visam evitar que os problemas provocados pelas alterações climáticas se agravem. Já não é possível voltar ao clima que tínhamos antes do aquecimento global.

Reverter completamente as alterações climáticas para o estado pré-industrial é considerado extremamente improvável. As emissões de gases com efeito de estufa já causaram um aumento significativo da temperatura global e mudanças nos padrões climáticos. O dióxido de carbono, por exemplo, pode permanecer na atmosfera por milhares de anos, o que significa que os efeitos das emissões passadas continuarão a ser sentidos por muito tempo. (Fonte: Gemini).

Os políticos preferem gastar as verbas disponíveis em ações que tenham visibilidade, pois são essas que dão votos.

A não ser que os eleitores lhes digam que votam neles se prestarem atenção ao clima.

Precisamos de passar à ação!

Recentemente passou um documentário na televisão “Em busca do carbono neutro”.

Em resumo, o diagnóstico está feito e as ações necessárias estão identificadas. Sabemos o que temos de fazer para atingir esse objetivo até 2050 (carbono neutro).


Será que vamos conseguir? Por que não antes?

A resposta é simples: após ver o referido documentário, todas as medidas dependem, para além da dedicação política, de serem economicamente viáveis.

Ou seja, dificilmente serão implementadas (a tempo) enquanto não forem lucrativas.

Pior, esta sociedade desenvolveu-se, desde a revolução industrial, assente nos combustíveis fósseis. Há toda uma estrutura montada que não é fácil, nem barato, substituir.

Um bom exemplo, é o dos carros elétricos.

O documentário diz que nos EUA já representam 5% dos carros novos vendidos. Embora pareça um número baixo, indicia que irá conseguir completar a primeira fase do ciclo de vida de um produto (Introdução).

No entanto, dificilmente entra na fase de crescimento de forma sustentada se os preços não descerem. Um carro elétrico ainda tem um custo bastante significativo a mais do que um carro a gasóleo (a diferença é ainda maior se for a gasolina). Para além do facto de ter de trocar de bateria, em princípio, ao fim de dez anos.

Um carro elétrico da mesma gama, custa em média, mais dez mil euros do que um carro a gasolina, com a agravante de ter de investir outro tanto passado o período de vida da bateria (por volta de dez anos).

Pretendo com este exemplo, realçar a dependência da aplicação de ações para reduzir as emissões de carbono, à necessidade de que as mesmas sejam economicamente rentáveis (o que é diferente de viáveis).

No fundo, parece que estamos a dizer que só vale a pena salvar o planeta, se não colocarmos o crescimento económico (e o nível de vida) em causa.

Claro que é preferível ter o melhor dos dois mundos, conseguir atingir as metas sem perdermos qualidade de vida, mas até quando podemos continuar a procrastinar?

Não devemos permitir que a ansiedade perturbe a capacidade de bem decidir, mas também não podemos continuar a desperdiçar tempo.

Ver em pleno inverno praias cheias de pessoas a divertirem-se é espantoso, mas devemos nos perguntar como será o verão dentro de 10 anos. 

Voltar para trás já é impossível. Imagine a improvável tarefa de voltar a congelar o gelo que o aquecimento global derreteu.

Os sinais continuam a chegar-nos (comunicação social, Internet, rádio, etc), não só quando ouvimos / lemos notícias de fenómenos extremos, mas também de estudos científicos.

Recentemente li uma notícia que sugeria que a AMOC estava a enfraquecer.

A Circulação Meridional do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês), da qual a Corrente do Golfo faz parte, funciona como uma gigantesca transportadora global, levando água quente dos trópicos em direção ao extremo Atlântico Norte, onde a água esfria, torna-se mais salgada e afunda profundamente no oceano, antes de se espalhar para o sul. [5]

As principais causas do enfraquecimento da AMOC são:

          Aumento do derretimento do gelo na Gronelândia

          Aumento da temperatura do oceano

O colapso da AMOC teria consequências graves para o clima global, incluindo:

          Arrefecimento na Europa e América do Norte

          Aumento do nível do mar

          Mudanças nos padrões de precipitação

 

De acordo com o programa europeu de observação da Terra, Copernicus, “O mundo ultrapassou pela primeira vez durante 12 meses consecutivos o limite do aquecimento de 1,5ºC face à era pré-industrial[6]

Este aumento não foi sentido de forma idêntica em todo o lado. Aqui, na região Oeste (Portugal), o inverno mostrou-se muito timidamente. As temperaturas diárias têm se assemelhado mais às da primavera.

Torna-se preocupante por estarmos cada vez mais perto do limite dos 2ºC estabelecido no acordo de Paris, quando ainda faltam mais de 25 anos para atingirmos a data-limite (2050), e ainda não parámos de bater recordes nos milhões de toneladas de carbono, enviados anualmente para a atmosfera. 

Perguntei à IA do Google e da Microsoft (Gemini e ChatGPT) quais as consequências para a humanidade e para o planeta como um todo, se a temperatura subir 2ºC face ao período pré-industrial.

Eis algumas das respostas:

“As consequências para a humanidade se a temperatura subir 2ºC face ao período pré-industrial são graves e abrangentes, impactando diversos aspetos da vida humana e natural.

Aumento do nível do mar: O derretimento das calotas polares e de glaciares levaria a um aumento significativo do nível do mar, inundando áreas costeiras e deslocando milhões de pessoas.

Eventos climáticos extremos: Ondas de calor, secas, inundações, tempestades e furacões, mais frequentes e intensos, causando perdas de vidas, danos em infraestruturas e impactos na agricultura.

Perda de biodiversidade: O aumento da temperatura levaria à extinção de diversas espécies de animais e plantas, alterando os ecossistemas com forte impacto na cadeia alimentar.

Acidificação dos oceanos: A absorção de CO2 pelos oceanos tornaria a água mais ácida, prejudicando a vida marinha e a cadeia alimentar.

Escassez de água e alimentos: A seca e a desertificação afetariam a produção de alimentos, levando à escassez e à fome, especialmente em regiões já vulneráveis.

Migração em massa: A elevação do nível do mar e os eventos climáticos extremos deslocariam milhões de pessoas, criando crises humanitárias e refugiados climáticos.

Impactos na saúde: As ondas de calor e a proliferação de doenças transmitidas por mosquitos aumentariam a morbidade e a mortalidade, especialmente entre grupos vulneráveis.

Danos à infraestrutura: Eventos climáticos extremos danificariam casas, estradas, pontes e outras infraestruturas, gerando custos bilionários para reparos e reconstrução.

Conflitos e instabilidade: A escassez de recursos e os impactos sociais poderiam levar a conflitos por água, terra e alimentos, desestabilizando regiões e aumentando a violência.

Para evitar as piores consequências do aumento de 2ºC, é necessário que os países assumam compromissos sérios e urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa”.

E se forem 4ºC? Uma vez que as respostas podem ser facilmente obtidas, apresento apenas um resumo da resposta.

“Aqui estão algumas das consequências que poderiam ser esperadas de um aumento de 4ºC na temperatura global:

1.         Colapso dos Ecossistemas: … extinção em massa de espécies e mudanças irreversíveis nos sistemas naturais.

2.         Aumento Drástico do Nível do Mar: … levando ao deslocamento de centenas de milhões de pessoas.

3.         Agricultura Severamente Afetada: … levando a crises alimentares generalizadas.

4.         Escassez de Água Generalizada: … exacerbando os conflitos sobre recursos hídricos.

5.         Condições Climáticas Extremas Incontroláveis: … causando danos catastróficos à infraestrutura e à vida humana.

6.         Colapso da Economia Global: … podendo levar a uma crise económica global sem precedentes.

7.         Riscos para a Saúde Pública: … A disseminação de doenças infeciosas, representaria sérios riscos para a saúde pública em todo o mundo.

8.         Instabilidade Social e Política: … conflitos resultantes da competição por território e recursos.

Em resumo, um aumento de 4ºC na temperatura global teria impactos devastadores à escala global, com consequências profundas para a humanidade, os ecossistemas e a economia”.

Não vale a pena perguntar por temperaturas mais altas…

Imaginem que milhões de anos depois, um ser inteligente consegue reescrever a história do planeta Terra e conclui que “os humanos eram mais inteligentes que os dinossauros, mas que estes eram menos estúpidos, afinal os répteis não faziam ideia que um pedregulho iria chocar com a Terra enquanto os primatas sabiam o que estavam a fazer e como o evitar”.

Confesso que sinto a minha preocupação pouco correspondida. Por exemplo, até à data de hoje, não vi o assunto das alterações climáticas ser discutido em qualquer dos debates às eleições do próximo dia 10 de março.

Muitas vezes pergunto-me se estarei errado…

Afinal, não estar a ser divulgada informação como gostaria, não é razão para pensar que pouco está a ser feito ou que não vamos conseguir atingir os objetivos.

Não tenho dúvidas que o problema existe e que pode tornar-se grave.

Os cientistas têm alertado o mundo para este problema há décadas, e como sabemos, os investigadores científicos têm por regra analisar os factos e procurar comprová-los, antes de falar deles.

 



[1] https://g1.globo.com/natureza/blog/amelia-gonzalez/noticia/2018/10/08/um-pouco-de-historia-sobre-o-relatorio-que-alerta-para-o-risco-das-mudancas-climaticas.ghtml

[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%A3o_presidencial_nos_Estados_Unidos_em_2000

[3] https://pt.wikipedia.org/wiki/Uma_Verdade_Inconveniente

[4] https://pt.euronews.com/2019/09/16/john-kerry-e-preciso-responsabilizar-politicos-por-causa-do-clima

[5] https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/sistema-de-correntes-do-atlantico-mostra-sinais-de-colapso-resultado-pode-ser-catastrofico/

[6] https://cnnportugal.iol.pt/clima/copernicus/limite-do-aquecimento-foi-ultrapassado-pela-primeira-vez-em-12-meses-consecutivos/20240208/65c5086ed34e371fc0bcdcfc

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

A lição de ensino básico do PSD-Madeira ao país (para os que quiserem aprender)

 Vivemos tempos conturbados na nossa democracia. Nunca imaginei ver sondagens a dar 20% de intensão de voto a um partido fascista, vazio de conteúdo, cheio de frases feitas demagógicas.

“Os políticos dos partidos democráticos são uma vergonha e são corruptos.” Frase tão fácil de proferir e de colar nos ouvidos de pessoas cuja paciência para a política é nula, absorvidos no seu egoísmo social.

Visto que todos eles (políticos) vêm da mesma “massa” que é o povo, não são seres extraterrestres puros de espírito, que caíram neste país para que, qual paladinos, o transformarem no olimpo da honestidade, existe uma forte probabilidade de mudar o partido no governo, mas no final, tudo ficar na mesma no que respeita à corrupção.

Existe, no entanto, uma diferença significativa. É que partidos democráticos são mais permeáveis à Comunicação Social e ao Sistema Judicial – mesmo assim, na Ilha da Madeira, um partido democrático conseguiu controlar a ilha, quer o sistema judicial quer a comunicação social.

Ou seja, a diferença não está na postura idónea dos partidos paladinos da verdade e honestidade. A diferença vai estar no que nós, simples cidadãos, vamos saber. Do que nos vai chegar através da comunicação social. Quando um partido fascista como o Chega controlar o país, não haverá corrupção, não porque não se pratique, mas porque não vai chegar aos ouvidos do povo.

Este é o ensinamento básico que o PSD-Madeira nos deixa e que todos deveríamos interiorizar, perder 5 minutos para pensar – em detrimento de 5 minutos de instagram do Chega. É que, felizmente para a Ilha da Madeira, existe um governo central, o qual o partido regional não controla, e que pode fazer aterrar na ilha dois aviões com 300 técnicos de investigação. Num continente controlado por um partido fascista, não haverá 2 aviões a aterrar (europeu?) para investigar o que um partido fascista anda a fazer no governo de um país soberano. Quem nos salvará? Quem irá investigar roubos de milhões?

 

Corruptos por corruptos, dou preferência aos que possibilitam que se saiba na comunicação social os casos de corrupção, que deixam procuradoras escrever parágrafos a solicitar investigações ao primeiro-ministro, ou juízes a destilarem ódio contra juízes, ou juízes a almoçarem com políticos. Porque no final, posso sempre dormir de consciência tranquila de que não foi com o meu voto que foram para o poder.

Já com outros partidos autocráticos/fascistas a controlar o poder, não terei essa liberdade de espírito, pois muito provavelmente, o meu voto não contará nas urnas. 

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

QUE NÃO SEJA TARDE DEMAIS!

A propósito das alterações climáticas provocadas pelo aquecimento global, gostaria de dizer que não se ouve falar muito sobre o assunto.

Isso parece querer dizer que não se espera que daí venha um grande problema.

No entanto, são vários os autores e cientistas que parecem preocupados, e incansáveis de alertar para as consequências dramáticas que advêm se a temperatura ultrapassar os dois graus centigrados, tornando-se catastrófico se chegar aos 3 e difícil de imaginar como seria se ultrapassasse os 4.

Pessoalmente, incomoda-me mais do que a falta de discussão sobre o assunto, estar-se a fazer muito pouco para mitigar o aquecimento global, confirmado pelo facto dos valores dos gases com efeito de estufa, continuarem a aumentar ano após ano.

A principal explicação que tenho encontrado para justificar tamanha passividade prende-se com o facto de as medidas contra as alterações climáticas não produzirem efeito no curto/médio prazo.

Ou seja, muito dificilmente as medidas que os políticos tomarem no presente produzirão resultados no tempo dos seus mandatos.

Como já li algures, as condições climáticas de hoje são consequência das ações humanas de há vinte anos. É o tempo de leva a produzir efeito.

Logo, as ações de hoje só serão sentidas daqui a 20 anos (sensivelmente).

Portanto, não dá votos!

Por outro lado, dizem também alguns especialistas, não é fácil que seja percecionado como um perigo, algo que ainda não o é.

Sim, é verdade que temos tido longos períodos sem precipitação e depois parece que chove tudo num só dia.

Ou que os incêndios são cada vez mais difíceis de controlar.

E que nalgumas regiões já se fala em racionar a água ou construir dessalinizadoras.

Mas nada disso parece, pelo menos para já, suficientemente motivador para convencer a esmagadora maioria dos eleitores a abdicar de exigências relativas à melhoria do nível de vida, e em particular do poder de compra, por significativos investimentos em medidas para mitigar o aquecimento global.

Para agravar a situação, o combate ao aquecimento global depende do envolvimento de muitos, para não dizer de todos.

Claro que há atividades muito mais poluentes, assim como países mais responsáveis do que outros, mas o que se tem visto é uma clara primazia para o crescimento económico, e que os países não tencionam tomar medidas que os atrasem face aos principais competidores.

Alguém imagina os EUA a preocuparem-se mais com o clima do que com a China? Ou vice-versa?

Mas o ponto mais importante de todos, é que mesmo com preocupações económicas já era possível, já temos capacidade tecnológica e financeira, para fazer muito mais.

Se não estamos a fazer o que podíamos, e se não se sente muita preocupação no ar, talvez seja porque o aquecimento global só é um problema na cabeça de alguns.

Ou então, os decisores estão à espera de que se torne grave para que a população assustada exija finalmente a tomada de medidas.

Se assim for, tornar-se-á no grande negócio.