Pesquisa

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

 


2.          Tentativa e erro!

Julgo que posso afirmar que este é o único algoritmo que a natureza conhece. Utilizado “infilhões[1]” de vezes desde que a vida se formou e assim deverá continuar a acontecer.

O mundo está em constante alteração. Nada será eternamente como sempre foi. Nem o próprio universo é imutável (tanto quanto se sabe).

Obviamente, não podemos ignorar que a dimensão e frequência das alterações (também, mas não só) dependem da escala de espaço e tempo que estivermos a considerar.

Alterações estruturais no planeta Terra dão-se a um ritmo muito inferior às que ocorrem em uma noz (apenas para dar um exemplo extremo).

A evolução depende da adaptação a um meio envolvente em constante mudança (mesmo que os ritmos difiram).

Inicialmente, quando a vida começou no planeta Terra (há três mil e setecentos milhões de anos) a reprodução era assexuada (um ser dava origem a outro). O processo mais comum da reprodução assexuada consistia na divisão em dois.

Este tipo de reprodução relativamente simples, mais rápida e eficaz do que a reprodução sexuada (na qual dois dão origem a um) gera indivíduos idênticos àqueles que os originaram, não promovendo tanta variabilidade genética.

Imagine que uma população de organismos é atacada por um vírus. A probabilidade de ser extinta é tanto maior quanto menor for a variabilidade genética dessa mesma população.

No entanto, devido às mutações, a variabilidade genética sempre existiu, mesmo quando só havia este tipo de reprodução (assexuada).

A variação/mutação genética ocorre em todos os organismos vivos (incluindo vírus) e é a principal causa da diversidade biológica da espécie.

Ocorrendo uma mutação, caso haja adaptação ao meio, pode tornar-se a característica dominante.

Se a nova versão for mais vantajosa, substituirá gradualmente a anterior. Caso funcione melhor nalgumas circunstâncias, mas pior noutras, poderá ser encontrado um equilíbrio com a versão anterior, de tal modo que uma parte da população tenha a primeira e a restante, a segunda. Nesse caso, esse gene teria duas variantes diferentes, o que acontece com uma grande percentagem de genes.

O sucesso, reflete-se no número de descendentes que vão herdar essa nova característica. Torna-se predominante na medida do êxito da sua transmissibilidade através da reprodução.

Para se reconhecer uma mutação deve-se comparar a variação genética com um padrão considerado normal. O genoma referência (aquele que é considerado padrão) são as sequências mais comuns, observadas em determinada população.

Ao passarmos para a reprodução sexuada houve ganhos de eficiência por se aumentar as fontes de variabilidade genética (deixa de ser apenas a mutação)

Mesmo que a reprodução se repita, os descendentes serão sempre diferentes, porque a carga genética dos gâmetas (óvulo e espermatozoide) é sempre única.

A exceção ocorre com gémeos idênticos porque nesse caso os gâmetas são os mesmos (o mesmo espermatozoide e o mesmo óvulo originam mais do que um descendente).

Já as mutações genéticas ocorrem durante o processo de interpretação do código genético. Se houver uma falha na leitura que provoque uma alteração na sequência de bases na molécula de DNA constituinte do gene, isso pode levar à alteração de uma determinada característica do organismo vivo.

A partir desse momento, entra em jogo a seleção natural. Se estivermos perante uma bem-sucedida adaptação ao meio envolvente, caso haja reprodução, a alteração genética passa para a futura geração, e pode vir a tornar-se na característica predominante.

No Caso do vírus Covid-19 também já assistimos a várias mutações. As quatro variantes classificadas pela OMS como de preocupação - Alfa (Reino Unido), Beta (África do Sul), Gama (Brasil) e Delta (Índia) - estão presentes na União Europeia e todas apresentam transmissão comunitária. Entretanto surgiu a Ómicron, com muito mais mutações que as anteriores, e que já está a caminho de se tornar dominante em todo o mundo.

Chama-se a esse processo de experimentar se uma determinada mudança (mutação genética) vai ou não se adaptar ao meio ambiente envolvente, de tentativa e erro.

Tentativa porque não houve planeamento. Não foi “vamos experimentar fazer aqui uma alteração para ver o que isto vai dar”. Muito menos “vamos experimentar fazer aqui uma alteração para ver se dá o que estamos a pensar”.

Foi uma falha na interpretação do código genético que causou uma alteração que quando estiver no seu meio ambiente pode (ou não) adaptar-se. Se tiver sucesso (na adaptação) pode tornar-se (ou não) na característica dominante.

Erro porque na grande maioria das vezes tal não acontece (a mutação não vinga). São muito mais os casos em que não resulta do que os êxitos.

É sem dúvida impressionante pensar que a vida neste planeta começou há três mil e setecentos milhões de anos através da combinação de elementos químicos que em última análise tiveram origem (tal como tudo) há sensivelmente treze mil e oitocentos milhões de anos, com a explosão do Big Bang[2].

Cada átomo de oxigênio que inspiramos, assim como cada átomo de cálcio que está nos nossos ossos ou de ferro e de carbono na nossa musculatura, tiveram uma origem muito específica: os elementos químicos indispensáveis para manter a nossa estrutura física, estão intimamente ligados com a origem do universo (e principalmente com as estrelas).

O surgimento de elementos químicos envolveu processos de fusão e fissão nuclear. Ou seja, processos em que átomos podem ser fundidos (fusão) ou divididos (fissão). De um modo geral tais eventos são conhecidos como nucleossíntese.

O primeiro processo de nucleossíntese natural foi o Big Bang, com uma produção massiva de elementos (e seus isótopos) químicos que estão ali[3] no início da tabela periódica – hidrogênio e hélio.

Seguindo essa tabela periódica, os três elementos seguintes foram o lítio, berílio e boro em processos de fragmentação de elementos mais pesados pela ação de raios cósmicos.

Elementos a partir do carbono podem ser formados em processos que ocorrem em estrelas. Alguns elementos podem ser formados em estrelas não muito maiores do que o nosso Sol, enquanto outros elementos, com mais protões e neutrões, precisam de condições mais drásticas, encontradas em estrelas mais massivas.

Outro processo foi a explosão de Supernovas que possuem massas maiores do que dez vezes o nosso Sol, com a possibilidade de dar vazão a vários processos nucleares de alta energia.

O Sol já é uma estrela de terceira geração, e graças a isso a composição química do sistema solar é rica o suficiente para formar a vida como a conhecemos.

A vida formou-se (provavelmente) após muitas tentativas, e de certo modo consegue manter-se porque desenvolve a capacidade de ir registando todos os processos já alcançados para não ter que estar sempre a começar do zero.

Para se manter precisa de se reproduzir e para evoluir tem que se adaptar sempre que necessário.

Foi assim, com este único algoritmo e com muitos milhões de anos que chegámos até onde estamos.

No entanto, já podemos dizer que a nossa presença veio trazer instabilidade a todo este processo, independentemente de todas as tentativas e erros que nunca cessaram de acontecer com todos os seres vivos (inclui vírus).

A ação humana tem alterado drasticamente o funcionamento e os fluxos naturais do planeta ao promover intensas mudanças globais, de tal modo que diversos especialistas afirmam que entramos em um novo período geológico, o Antropoceno.

O ser humano já é capaz de desenvolver algoritmos muito mais complexos que a natureza, porque não se baseiam apenas numa tentativa ao acaso, procuram eliminar hipóteses ou até mesmo acertar numa solução. 

Claro que em termos de tempo, a natureza leva um avanço descomunal que se reflete no número de tentativas já realizadas (isto sem referir que a natureza está constantemente, em todo o lado, a tentar). Talvez o desenvolvimento do computador quântico nos ajude a encurtar um pouco essa desvantagem. Mas acima de tudo, a nossa vantagem poderá estar na capacidade de desenvolver algoritmos complexos que nos ajudem a encontrar respostas.



[1] Expressão para dizer que foram tantas as vezes que se perdeu a conta.

[2] http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142006000300022

[3] https://www.tabelaperiodica.org/como-surgiram-os-elementos-quimicos/


quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

 

1.           Vivemos para nos perpetuarmos!

Esta afirmação nem sempre é válida, ou dito de outra forma, não se aplica sempre, nem a todos.

Se a analisarmos de um ponto de vista individual, temos a perfeita noção que para muitas pessoas, o mais importante são as suas vontades pessoais. Pode ser a perseguição de objetivos para uma determinada carreira, ou simplesmente uma forma de estar na vida.

Em uma perspetiva de longo prazo e global, não enquanto individuo, mas antes enquanto população, a sobrevivência da espécie permite perpetuar a existência no tempo, geração após geração.

Se parássemos de nos reproduzir, em aproximadamente cem anos, a espécie humana estaria extinta.

De acordo com os conhecimentos atuais da comunidade científica, a primeiro proto célula formou-se há aproximadamente três mil e setecentos milhões[1] de anos atrás, tendo de seguida evoluído para uma bactéria (descendemos todos de uma bactéria).

A partir daí temos vindo a evoluir, a diversificar e a ganhar complexidade.

Existe vida na Terra há três mil e setecentos milhões de anos[2] porque a certa altura nunca mais se extinguiu. Julgo que podemos dizer que a reprodução tem mantido a “chama acesa”.   

A vida “deve ter lutado muito” para se manter!

Dificilmente se formou “há primeira tentativa”!

O que pretendo dizer é que este processo deve ter levado o seu tempo, exigindo muitas e muitas tentativas.

A ciência diz-nos que a terra se formou há quatro mil e quinhentos milhões de anos[3].

Até há primeira forma de vida, passaram-se oitocentos milhões de anos.

Imagino que tenha dado para testar tantas vezes quantas as necessárias.

A natureza não planeia, não programa nem segue uma receita.

Para compreender que através de elementos químicos (como por exemplo água[4], hidrogénio, amónia e metano[5]) sob determinadas condições, se formaram aminoácidos que estão na base das proteínas, ou de uma molécula de RNA[6] (capaz de armazenar informações à semelhança do DNA) é preciso imaginar que houve muitas tentativas até que o acaso (nas condições adequadas) produziu resultados (entenda-se vida).

Mas o processo teve de continuar. Foi preciso repetir-se ao mesmo tempo que ia ficando mais complexo.

Só assim, com milhões de tentativas e sucessivos pequenos progressos, num ambiente propício e com algum tempo (provavelmente milhões de anos) é possível imaginar que se formou a vida, e na continuação desse mesmo processo, evoluiu de forma a manter-se (duplicando-se).

A primeira forma de reprodução consistia na duplicação. Uma célula dava lugar a duas (ambas iguais).

Contudo, a combinação de compostos químicos presentes no ambiente terrestre (naquele tempo) que deram origem aos primeiros componentes (aminoácidos / RNA) que estiveram na base da formação da primeira célula, não é suficiente para explicar o início da vida.

A ciência ainda procura respostas, mas uma coisa parece certa: é necessário, alguma forma de metabolismo, para que um determinado organismo se mantenha vivo por algum tempo; e de reprodução, para que a espécie desse individuo se mantenha por tempo indeterminado.

Para aqueles que acreditam, que foi assim que a vida poderá ter começado no nosso planeta, este processo persiste há sensivelmente três mil e setecentos milhões de anos.

No fundo, há vida na Terra desde que a primeira célula se formou e se prolongou no tempo, precisamente devido à reprodução.

A vida está em constante atividade e mudança! Todo o tempo que já decorreu (o “tic tac” continua) permitiu-lhe chegar à biodiversidade que encontramos nos dias de hoje (podia ser muito maior, não fosse a atividade de uma das suas espécies, mas esse assunto fica para mais tarde).

Até aos dias de hoje, tem sido a reprodução a garantir a continuidade de vida na Terra.

Talvez um dia, a vida se possa prolongar (de forma considerável ou quem sabe, por tempo indeterminado) sem recurso à reprodução, mas ainda estamos a tentar entender porque é que há seres complexos que vivem muito mais do que outros[7].

Imagine que amanhã conseguimos finalmente saber como se formou a vida. De que forma isso nos poderá ajudar a compreender o processo de envelhecimento e da regeneração celular[8]?

Neste momento, não sabemos que consequências esse conhecimento poderá ter no tempo médio de vida dos humanos, mas certamente será significativo!

Arrisco-me a dizer que será proporcional ao nível de conhecimento que tivermos sobre os processos que estiveram na origem da vida e posteriormente na sua reprodução.

Também se fala na troca de órgãos. Ao substituirmos “as peças “avariadas, por outras novas, vamos prolongando “a vida da máquina”.

Outra possibilidade, talvez a mais promissora de todas, seria a mudança de corpo, mas mantendo a consciência. Imagine que seria possível passar todo o conteúdo do seu cérebro para um cérebro a estrear em um corpo novinho em folha, que seria uma clonagem do seu.

De x em x anos, mudávamos de corpo, tal como as cobras mudam de pele; mas aquilo que nós somos, a nossa personalidade, as nossas memórias, e a nossa forma de entender o mundo, manter-se-ia exatamente na mesma.

Uma vez que a consciência que temos do nosso corpo, influencia a nossa personalidade, a troca de corpo poderia ser feita regularmente, num constante intervalo de tempo. 

Imagine que conseguíamos retardar o processo de envelhecimento, de tal modo que conseguíamos atingir a idade de quarenta anos, com as mesmas capacidades que hoje temos com trinta anos de idade.

Assim, ao mudar de corpo de duas em duas décadas (aos quarenta voltávamos aos vinte), mantínhamos um aspeto físico relativamente constante, e sempre próximo do auge da força física.

Imagine o que seria viver “muitos anos”, sempre com um corpo jovem, forte e saudável, e ao mesmo tempo a acumular sabedoria.

Já imaginou o que seria se também acontecesse com tipos como estes três: Leonardo da Vinci, Isaac Newton ou Albert Einstein.

Como já deve ter percebido, acredito que ainda temos um caminho por percorrer, que infelizmente não lhe sei dizer de quanto anos será…

Apenas posso afirmar que nunca durante a nossa existência, evoluímos tão depressa. Ao ritmo que estamos a evoluir, torna-se difícil prever como estaremos dentro de cem anos.

Cem anos, comparados com o tempo que decorreu desde que há vida na terra, não é nada. Mesmo comparando, com o tempo que se estima de existência do Homo Sapiens (trezentos mil anos), cem anos passa num instante.

Se fizermos essa equivalência com os segundos de um dia (oitenta e seis mil e quatrocentos segundos está para trezentos mil anos, assim como cem anos equivale a menos de vinte e nove segundos (mil anos a menos de cinco minutos).

Obviamente, que não será um processo que se consiga alcançar de uma só vez. Gradualmente serão atingidas metas e feitos progressos.

O tempo joga a nosso favor, nomeadamente se não fizermos asneira (a seu tempo falaremos deste assunto).

Uma coisa parece-me certa, “em breve” poderemos atingir um tempo médio de vida que ainda custa a acreditar! Essa é a minha convicção!

Porque a sua continuidade, depende exclusivamente da reprodução, quero aproveitar para falar do vírus que está na origem da pandemia que nos tem estado a afetar, e que ainda está bem presente na altura em que escrevo estas palavras.

A comunidade científica divide-se quanto ao Covid-19 ser ou não um ser vivo porque não tem metabolismo. Ao que parece, também não é capaz de se reproduzir sozinho (são as nossas células que o reproduzem).

Imaginem o seguinte cenário: descobríamos uma forma simples e ao alcance de todos para nos testarmos, sendo que conseguíamos obter o resultado do teste num instante. Todas as pessoas no mundo aderem ao “programa e testam-se em menos de 24 horas.

Todos aqueles que tivessem tido resultado positivo, ou iam para o hospital (se tivessem sintomas fortes), ou voluntariamente colocavam-se em isolamento profilático.

Em pouco tempo, o vírus deixava de ter novos hospedeiros para contagiar.

Assim que o vírus tivesse sido eliminado, pelos anticorpos dos doentes, ou na pior das hipóteses, o paciente tivesse morrido e o levasse para debaixo de terra, o vírus tinha sido exterminado da face do planeta Terra.

Já não havia mais vírus Covid-19.

Nesta história inventada, o vírus é extinto porque eliminámos a possibilidade de continuar a “saltar” de hospedeiro em hospedeiro para se continuar a reproduzir.

Recuemos (apenas) vinte mil anos no tempo. Somos caçadores recolectores e vivemos em grupos de 30 ou 50 indivíduos.

Estamos muitas vezes todos juntos (sem máscara). Por isso, uma vez um infetado, rapidamente ficávamos todos infetados. Nessa altura só tínhamos duas hipóteses: ou morríamos ou sobrevivíamos. Em qualquer dos casos, em poucas semanas, o vírus tinha desparecido daquele grupo (ou com ele).

Situação totalmente diferente da que vivemos nos dias de hoje. Somos oito mil milhões e estamos em constante movimento. As pessoas interagem umas com as outras, independentemente dos grupos a que pertençam.

O que pretendo realçar é que em uma pessoa isolada a duração do vírus é limitada. Ou dura até que os anticorpos da pessoa infetada o eliminem, ou dura até que a pessoa morra.

O prolongamento do vírus no tempo depende de ir encontrando novos hospedeiros (novas pessoas para infetar) para que a reprodução continue.

Isoladamente, o vírus não tem como viver muito tempo. Mesmo que evoluísse para uma relação de simbiose com o hospedeiro e deixasse de ser alvo de ataques por parte dos anticorpos, sem metabolismo, o tempo médio de vida do vírus, continuaria a ser curto (quase um mês sob certas condições).

Na minha conceção, o vírus é uma forma (extremamente básica) de vida. Creio que os elementos químicos, as moléculas, e a matéria orgânica, não se reproduzem em cópias idênticas, e muito menos sofrem mutações.

Mas este vírus, esta “coisa” ínfima que não tem metabolismo nem capacidade própria de se reproduzir, pode tirar a vida a um ser bem mais complexo em termos de vida, com cerca de trinta biliões de células, metabolismo, capacidade de reprodução, cérebro, que já foi à Lua e que se prepara para passar férias em Marte (uma excentricidade desadequada aos tempos que vivemos).

Para a Vida, parece indiferente quem continua a manter a “chama acesa”. Se o vírus, ou se nós. “Ela” não se mete, “apenas quer” que a vida continue.

Mas ao contrário da ideia que posso estar a passar, não existe uma “entidade” que controla ou regula “a vida”. É cada “um” por si, a tentar manter-se vivo.

Por essa razão, seria bom que se pusesse algum dinheiro de parte, para investir na ciência, com o intuito de melhor nos prepararmos para “os ataques” desses seres invisíveis, sem cérebro, mas que podem ser potencialmente letais.

Não é minha intenção estar aqui a vaticinar o surgimento de outra pandemia, mas imaginem o que seria um vírus com a transmissibilidade do Covid-19 e a letalidade do Ébola.

Concluindo: a vida formou-se há três mil e setecentos mil milhões de anos. Ainda não se sabe exatamente como aconteceu, mas já se deram passos importantes nesse sentido.

Em laboratório, conseguiu-se formar aminoácidos a partir de elementos químicos. Essas moléculas centrais da vida são usadas para formar proteínas, que controlam a maioria dos processos bioquímicos nos nossos corpos, e que estão presentes nas células, a base de toda a vida.

Desde que se formou até ao presente, a vida tem-se mantido, que se saiba, apenas graças á reprodução. Não temos conhecimento que a vida se tenha continuado a formar, ou que ainda continue (como aconteceu no início, através de elementos químicos).

É convicção de grande parte da comunidade científica, que é apenas através da evolução das espécies, pela reprodução, que a vida se mantém desde há sensivelmente três mil e setecentos milhões de anos (3 700 000 000).

De alguma forma, as espécies estão dependentes umas das outras. Nenhuma sobreviveria sozinha.

Talvez no futuro, possamos manter a vida através da continuidade do individuo, nem que seja pela perpetuação da sua consciência; do seu conhecimento.

Atualmente (infelizmente), isso não passa de futurologia.

Não estando ainda provado como se formou a vida, apenas temos teorias (todas por comprovar). Optei por referir aquela que (a meu ver) faz mais sentido.

Sem dúvida que será extremamente interessante, descobrirmos exatamente como se formou a vida, e depois, como se deu a evolução para a reprodução.

Para tal é fundamental que continuemos a investir na ciência de investigação.



[1] Milhão X6; mil Milhões X9; Bilião X12.

[2] Obviamente, trata-se de um valor aproximado.

[3] Idem.

[4] A água é composta por dois elementos químicos: o hidrogénio e o oxigénio

[5] Elementos usados na experiência de Miller (link para artigo em baixo).

[6] http://www.bbc.com/earth/story/20161026-the-secret-of-how-life-on-earth-began ou https://www.bbc.com/portuguese/vert-earth-38205665

Um CHEGA de asneiras

 

Tenho assistido aos debates dos candidatos a primeiro-ministro deste país e surpreende-me a inaptidão de alguns líderes, no caso Ana Catarina Martins e Rui Rio para lidar com as frases feitas, clichés, que André Ventura utiliza para chegar às massas (bem básicas) que o apoiam.

Em boa verdade, Rui Rio esteve melhor que Ana Catarina Martins e gostei principalmente quando lhe respondeu à sua proposta demagógica de reduzir o número de deputados de 230 para 100 com um lacónico “olhe! Se já tivéssemos reduzido, o André Ventura não estava aqui hoje a debater comigo porque nunca tinha chegado ao parlamento”. As propostas do Chega soam bem ao espectador assíduo de telenovelas mas carecem de pensamento lógico e de um plano para concretização das mesmas.

Outras frases utilizadas por André Ventura são “há ciganos a beneficiar do RSI com mercedes à porta” e também “que os patrões querem contratar e não conseguem porque as pessoas têm o RSI” e como tal tem de se acabar com o RSI. Ai André! Sabes lá de onde veio o Mercedes! A inveja fica-te mal André!

Bom, primeiro convém esclarecer alguns valores do RSI, um adulto que viva sozinho poderá receber até 189,66€/mês o que é uma fartura se compararmos com os 650€ de ordenado mínimo. Se for um casal com ambos a viver do subsídio são 322,42€/mês, outra exorbitância se considerarmos que o mesmo casal, se ambos os membros ganhassem o ordenado mínimo, levaria para casa 1300€/mês (quase mais mil euros!). Se tiverem filhos pequenos recebem +94.83€/mês por cada filho. Mas um casal, em que ambos recebem o ordenado mínimo, se tiverem filhos, também recebem abono de família!

É esta a ordem de grandeza do perigosíssimo RSI! Esse bicho papão da força laboral. Alguém acredita que se alguém pudesse escolher viver com 650€/mês que ia escolher viver com 189.66€? Em princípio não. Só os malandros poderiam escolher esse caminho. Mas caro André, os malandros, com ou sem RSI não vão “dar o coiro” a trabalhar para os respeitáveis “empresários portugueses”. Lamento. Isto é tão básico como a lei da gravidade.

Mas, se os nossos “empresários” pagassem melhor e tivessem mais respeito pelos trabalhadores, talvez não tivessem tanta dificuldade. Mas a mentalidade dos nossos empresários é mesmo essa: ter pobreza para poder pagar meia dúzia de tostões em troca da vida das pessoas.

Parece André, que tenho uma novidade chocante para te dar (e não sou deputado nem nunca estive envolvido na política!) é que, espanta-te, o RSI não serviu para dar esmola aos pobres! O RSI surgiu para dar paz aos que trabalham, aos que querem ser alguém, aos que ambicionam. Porquê? Porque o RSI veio tirar esses malandros das ruas. Quantos assaltos os miúdos pobres realizavam por dia? Era comum os assaltos para roubar roupa de marca, assaltos a pequenos negócios, mercearias, carros. Quantas histórias não se ouviu de irmãos mais velhos a roubarem para comprar comida para os irmãos mais novos? Quantos pequenos negócios não sofriam com essa malandragem? O RSI veio comprar alguma paz social e dar oportunidades aos que querem ser alguém. Haverá abusos? Certamente que sim. Mas o prestigiado Ricardo Salgado também não abusou de nós?

 

Por último, andam sempre a queixar-se do abandono escolar e que Portugal continua na caudal da europa no que respeita ao ensino superior. Ok. Então e depois querem o quê? Que um miúdo com um canudo vá servir caracóis na tasca do Zé? Decidam-se!..

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

 

JESUS RESCINDE!

O anterior presidente do Benfica foi de avião fretado até ao Brasil para trazer Jorge Jesus.

Esteve um ano e meio à frente do Benfica, sendo que no primeiro ano o Benfica faz o maior investimento de sempre na contratação de jogadores.

Logo nesse ano é eliminado frente ao PAOK comandado por Abel Ferreira e perde o acesso à Liga dos Campeões.

Durante esta segunda passagem pelo Benfica não conquista qualquer título nem consegue, na minha opinião, por a equipa a jogar um futebol atrativo.

Sofre uma derrota em casa frente ao Sporting (1 x 3), e menos de três semanas depois sofre nova derrota, desta vez por 3x0 frente ao FC Porto, que por sorte não foi por números bem mais expressivos.

Diziam vários comentadores desportivos que o Benfica devia esperar pelo resultado do jogo de amanhã (30 de dezembro) para tomar uma decisão relativamente ao futuro de JJ enquanto treinador do Benfica.

Julgo que as probabilidades desta equipa, orientada por JJ, sofrer nova derrota com o FCP eram bastante altas.

Após o incidente de ontem, com os jogadores a recusarem-se a treinar, numa clara atitude de oposição ao treinador, parece-me que seriam ainda maiores.

Face a este cenário não vejo que o presidente do Benfica tivesse outra opção que não fosse tentar chegar a acordo com o treinador JJ para a rescisão de contrato.

Estou inclusive convencido que este incidente com os jogadores antes de um jogo importante frente ao FCP lhe retirou algum poder de negociação na rescisão de contrato. Provavelmente terá pensado que dificilmente conseguiria pontuar no Dragão, correndo inclusive o risco se somar nova derrota humilhante no espaço de uma semana.

Na pior das hipóteses, o treinador que o veio substituir consegue um mau resultado nas Antas.

Sou da opinião que o Benfica deve averiguar se são verdade as afirmações de alguns comentadores desportivos que afirmam que Pizzi e Rafa têm responsabilidades no que se está a passar no Benfica. Aliás, vão mais longe ao dizerem que se passou de forma idêntica com Bruno Lage.

O Benfica se quer contratar um bom treinador, não pode permitir que sejam os jogadores a mandar.[1]

Quanto a mim, o Benfica livrou-se de um treinador que como diz o povo: tinha muita parra, mas pouca uva.

Rui Vitória e Bruno Laje em 5 anos à frente do Benfica conquistaram 3 títulos, exatamente os mesmos que Jorge Jesus nos 6 anos que esteve à frente do Benfica antes de ir para o Sporting (tendo tido jogadores como Ramires, Di Maria, Matic, Aimar, Saviola, Gaitán, Enzo Pérez, entre outros).



[1] https://rr.sapo.pt/bola-branca/noticia/benfica/2021/12/28/a-dupla-pizzi-rafa-ja-fez-a-cama-a-bruno-lage-e-fez-o-mesmo-com-jesus/266206/

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

 

Falta de consideração, ou o quê?

 

Dizem as notícias que até 2030, o Estado Português vai necessitar de trinta e quatro mil e quinhentos professores para fazer face aos pedidos de reforma nesse mesmo período.

Quando oiço esta notícia, não consigo deixar de pensar na história da Maria.

A Maria vem de uma família humilde. Enquanto estudava tinha que ajudar os pais, nomeadamente com atividades domésticas ou a cuidar do irmão mais novo. Mesmo assim, com esforço, muita dedicação e empenho, conseguiu média suficiente para entrar numa universidade pública de prestígio (Universidade Nova de Lisboa).

O Estado Português atento à situação da Maria resolveu premiar o seu esforço e concedeu-lhe uma bolsa, privando-a das despesas com as propinas e ainda ajudando noutras despesas curriculares.

A Maria termina a licenciatura com uma boa nota e tenta iniciar a sua atividade profissional regressando à terra natal que fica a aproximadamente 100 km de Lisboa.

Ao fim de poucos anos, sempre com contratos de trabalho que não lhe permitiam auferir o suficiente para contruir uma vida, a Maria regressou à capital.

Já passaram 22/24 anos desde que a Maria começou a trabalhar com formação pública de professora na língua de Camões e ainda não passou para os quadros.

Ou seja, após todos estes anos, não muito longe de atingir meio século de vida, a Maria continua, ano após ano, sem saber em que escola vai trabalhar, se vai ter horário completo, ou sequer se vai conseguir ter trabalho.

Como nunca deixou de ser professora contratada, a Maria está sempre a começar de novo. Ano após ano, em termos de salário é sempre como se fosse o primeiro.

Enquanto um professor dos quadros vai subindo de escalão, um professor contratado ganha sempre o valor inicial, o mesmo de há vinte e tal anos (no caso da Maria) apenas atualizado à inflação.

O empregador (Ministério da Educação) trata assim de forma desigual professores, mesmo não tendo como justificar essa discriminação com critérios pedagógicos ou profissionais[1].

A esse respeito, julgo que a falta de critério vem de trás, quando um determinado professor que se formou numa universidade privada ganha vantagem sobre outro que se formou numa universidade pública, porque o primeiro terminou o curso com uma nota superior ao segundo.

Na maioria dos casos, acontece que o segundo teve nota para entrar na universidade pública e o primeiro não. Acresce que o Ministério de Educação não controla a nota do primeiro e todos sabemos que um 16 numa privada pode não ser superior a um 14 numa pública.

O Estado deve garantir a Defesa, Justiça, Saúde e Educação.

À semelhança da saúde, também com a educação é possível saber quantas escolas são necessárias, para quantos alunos e o número adequado de professores em função do critério alunos por sala de aula.

Não faz sentido que o Estado Português gaste dinheiro dos contribuintes a formar professores para depois os deixar numa situação precária por décadas.

Ao princípio reconheceu o esforço da Maria e deu-lhe uma mão, para pouco depois a deixar na mão.

Pergunto-me porquê? O que faz o governo português (através do ministério da educação) ter este comportamento?

À partida, tenderia a dizer que seria para poupar. Afinal, um professor que ganhe sempre o mesmo durante décadas, fica muito mais em conta que um professor que foi subindo na carreira.

Se assumirmos que um profissional com vários anos de experiência tem geralmente maior capacidade de produzir do que tinha quando iniciou a sua carreira, então facilmente concluímos que o empregador está a beneficiar de um trabalho com especialização e com experiência, mas que não é pago enquanto tal.

Mais uma vez, parece que a iniciativa com vista a terminar com esta injustiça parte de fora (Bruxelas). O que leva a concluir que, em muitos casos, o governo português só toma iniciativas quando é pressionado para o fazer, e que a maioria de nós, só se preocupa com os problemas, quando estes lhes batem à porta.

Se não é falta de consideração, então o que é?

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

 

Bem Engendrado?

 

Surgiram algumas notícias sobre a não recandidatura de António Costa ao cargo de secretário-geral do PS.

Assim como rumores de um possível interesse de António Costa em um cargo europeu.

Nesta fase, não passam de especulações que só o tempo irá ou não confirmar.

O PS tem tentado passar a ideia que o Orçamento de Estado não foi aprovado por culpa dos partidos de esquerda (BE e PCP).

O Partido Socialista decidiu assumir a governação do país sem maioria absoluta (e sem coligação).

Quem votou no Bloco de Esquerda e no Partido Comunista Português, votou em programas eleitorais diferentes dos do Partido Socialista.

O Orçamento de Estado foi concebido unicamente pelo Partido Socialista.

Parece-me legítimo que os partidos a quem é pedido que contribuam com os seus votos para a aprovação do Orçamento de Estado, exijam em compensação, algumas medidas que vão ao encontro das suas políticas, e por consequência, das expectativas de quem lhes concedeu os votos.

As nove medidas que o BE exigia para aprovar o OE estão publicadas e podem ser consultadas em: https://www.esquerda.net/artigo/quais-sao-9-propostas-do-bloco-para-o-orcamento/77418

No programa da RTP “É ou não É?”, Mariana Mortágua do Bloco disse qualquer coisa como “nem sequer têm que aprovar todas as 9 medidas”.

A verdade é que não houve entendimento, e o orçamento acabou mesmo por não ser aprovado, e por consequência, a assembleia foi dissolvida e vamos para eleições antecipadas.

Quem lhe parece que poderá ter mais a ganhar com esta crise política?

Se o PS conseguir passar a ideia que foi provocada por BE e PCP, talvez consiga capitalizar alguns votos à esquerda.

Por outro lado, o principal oponente, está a atravessar uma situação de conflito interno.

A determinação da data das próximas eleições pode ditar se haverá, ou não, um congresso do PSD antes das eleições legislativas.

Se não houver, Rui Rio que não tem conseguido subir nas sondagens, será o principal opositor de António Costa.

Caso seja Paulo Rangel, será alguém que passou boa parte do tempo (até às próximas eleições) a digladiar-se com o seu opositor interno.

Há boas hipóteses da conjuntura ser favorável, para o PS conseguir a desejada maioria absoluta.

Caso essa pretensão seja mais uma vez frustrada, e António Costa decida procurar outros caminhos, Pedro Nuno Santos que já piscou os olhos aos partidos de esquerda, tentará reabilitar a gerigonça.

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Abono para crianças em pobreza extrema!

Na sequência da apresentação do Orçamento de Estado para 2022, foi anunciado o aumento do abono para crianças em pobreza extrema, no valor de 70 euros (em 2023 esse valor sobe para os 100 euros).

Pergunto-me se uma criança que vive em pobreza extrema, vai deixar de viver (nessa condição) com mais 70 / 100 euros por mês.

Como é possível fazer um anúncio destes, como se fosse uma coisa maravilhosa, quando muito provavelmente o impacto real na vida dessas crianças será insuficiente para as tirar da pobreza (na melhor das hipóteses, talvez deixe de ser extrema – a pobreza)? Aliás, a pobreza em Portugal parece que é uma doença crónica sem cura!

A resposta é simples. Essas crianças (assim como as suas famílias) são vistas como “os outros”.

Ou seja, atribui-se essa verba pelo peso percentual que irá ter na vida dessas famílias, mas não no que deveria ser a vida das crianças.

Por isso, com base em informações estatísticas, até são bem capazes de dizer: “mais 70/100 euros por mês é um aumento muito significativo que terá certamente um impacto muito positivo”.

Atrevo-me a dizer que essas crianças, poderão finalmente comer Nestum com Mel, pelo menos uma vez por outra (ou será que é melhor não? não vão habituar-se…).


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

O delírio das vacinas COVID

 

 

A vacinação em massa da população portuguesa começou e como já se esperava a comunicação social fervilhava por casos de negligência ou corrupção no plano de vacinação. Ao que parece houve 340 vacinas mal aplicadas num total de 400mil doses. Bom, num país que todos achamos ter um alto nível de corrupção, ter uma taxa de 0.08% de vacinas mal aplicadas não me parece mal, até porque a percentagem de ricos e muito ricos na nossa sociedade é bem maior que 0.08%!

A verdade é que as doses depois de abertas não podem ser guardadas e transportadas novamente. Como tal, ou as pessoas incluídas no plano comparecem à vacinação, ou caso contrário irão sempre sobrar vacinas. Os arautos da verdade e pureza muitos deles na forma de comentadores televisivos, certamente que teriam, à semelhança de um plantel de futebol, uma fila de suplentes à porta dos postos de vacinação, mas a verdade é que não é possível prever quantas vão sobrar.

É cómico ter os funcionários da pastelaria ao lado do INEM a levarem a vacina quando havia um quartel de bombeiros nas proximidades, mas, não vamos fazer disto uma prática e achar que tudo e todos são uns malandros.

Custa-me muito mais ouvir que se desperdiçaram 600 vacinas em Penafiel, do que meia dúzia de vacinas aplicadas indevidamente porque sobraram. No Reino Unido multiplicam-se denúncias de médicos de vacinas deitadas no lixo devido às regras apertadas de cumprimento do plano de vacinação.

Este delírio, esta procura incessante pelo prevaricador, ainda nos vai levar à situação ridícula de ter decisores a optarem por desperdiçar vacinas, só para não terem à porta a CMTV e verem as suas carreiras profissionais jogadas no lixo. Poupem-me e poupem o país que é pobre e como tal não se pode dar a esse luxo!

quinta-feira, 23 de julho de 2020

MAIS POBRES NA CARTEIRA E NOS AFETOS!


Imagine que dentro de um ano a comunidade científica vem dizer ao mundo que o desenvolvimento da vacina contra o Covid-19 correu mal. Os vários testes efetuados revelaram que o vírus sofre frequentes mutações e o efeito da vacina não dura sequer meio ano. Para piorar ainda mais a situação dizem-nos que a imunidade daqueles que já foram contagiados não é superior a esse período de tempo.
São-nos inclusive relatados casos de pessoas que poucos meses depois de se terem curado da doença, foram reinfectadas, e algumas delas, tendo sobrevivido à doença da primeira vez, não o conseguiram fazer quando da segunda infeção.
O mundo acabava de receber um enorme balde de água fria!
Todas as medidas que tinham sido tomadas para evitar o contágio do vírus, nomeadamente o cancelamento de eventos que implicavam uma grande concentração de pessoas, a redução da lotação de espaços fechados com vista a garantir o distanciamento social, e o uso obrigatório de máscara, principalmente em locais de espaço limitado, tinham associadas o pressuposto de serem passageiras.
Agora, com esta notícia, os governos ficam sem saber até quando isto vai durar.
Por este mundo fora, as economias continuam a ver o desemprego a aumentar e o PIB a decrescer, sentindo-se impotentes para contrariar essa tendência. Para tornar o cenário ainda mais desolador, há cada vez mais pessoas a passar fome.
Os governos veem-se na obrigação de tomar uma de duas decisões:
a)      Manter as medidas tal como estão, até que a comunidade científica encontre alguma solução eficaz contra o vírus, independentemente do tempo que for necessário;

b)      Atenuar ou abandonar algumas medidas, com vista a recuperar a economia para valores mais próximos da situação pré-pandemia.
Em qualquer dos casos, o “novo normal” veio para ficar. Temos de aprender a viver com menos.
Isso significa que não podemos deitar a máscara para o lixo nem voltar a abraçar aqueles que nos são mais queridos, especialmente se se encontrarem numa situação de maior vulnerabilidade (pelo menos até que se disponibilizem testes rápidos e de confiança).
Ao escrever estas linhas não consigo deixar de sentir alguma frustração. Somos muito mais inteligentes que o vírus, mas o vírus agarra-se às nossas células o que torna difícil acertar-lhe sem nos prejudicarmos. Atrevo-me a dizer que seria mais fácil derrotar os dinossauros, se existissem.
Uma coisa é certa, necessitamos da ciência para conseguir vencer o vírus. Sem laboratórios de investigação científica bem apetrechados e sem cientistas investigadores não conseguiremos ultrapassar esta pandemia. Não é algo que esteja ao alcance de qualquer um.
Até que esse momento tão desejado chegue temos que continuar a ter cuidados. A alternativa seria um retrocesso civilizacional. Não podemos permitir que se percam anos de vida de pessoas que têm muito conhecimento para partilhar. Os mais aptos não são necessariamente os que detêm mais conhecimento. Todos fazem falta!
Mas as notícias têm sido esperançosas. Existem inclusive razões para estarmos otimistas porque tudo aponta para que no início do próximo ano já tenhamos uma vacina.
Repare-se que meses depois de a doença ter sido anunciada já se conhecia a sequência genética do vírus. Se compararmos com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) que foi descoberto há cerca de 40 anos, a diferença é impressionante. Ainda hoje não temos vacina contra este vírus (embora, possamos suspeitar que existam condicionantes de natureza económica). Só no ano passado, morreram cerca de 700 000 pessoas de doenças relacionadas com a SIDA.  
Mas atenção! Embora tudo aponte para que o cenário hipotético aqui apresentado não se venha a concretizar, não sabemos quando surgirá o próximo vírus nem se será mais mortal e difícil de vencer que este.
Não podemos parar de investigar! A investigação traz-nos conhecimento que será sempre útil e permite-nos estar melhor preparados para qualquer eventualidade.
Se esta pandemia tivesse sido evitada graças ao conhecimento resultante de investigação científica, todos seriam unânimes em afirmar que teria sido o melhor investimento da nossa história.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

A Vida Sem Viver!

O vírus não se alimenta, não se movimenta, não se reproduz, não pensa. Até entrar num hospedeiro, mantém-se imóvel para poupar energias. Uma vez no hospedeiro, assim que consegue penetrar uma célula, sequestra-a, pondo-a a reproduzir vírus até que o doente contagie o próximo hospedeiro. O objetivo do vírus é contagiar (quantos mais melhor), até que o sistema imunitário do infetado o elimine. O vírus não ganha com a morte dos hospedeiros. Precisa deles para os poder reinfectar. Quando o vírus infeta uma espécie pela primeira vez, começa um processo de adaptação a um sistema imunitário diferente. Porque ainda se estão a “conhecer”, pode acontecer que haja uma desproporção de forças que torne o vírus mais ou menos letal. Esse equilíbrio entre o vírus e o sistema imunitário dos infetados pode demorar mais ou menos tempo a ser alcançado, e o número de mortes pode variar significativamente. O vírus, para sobreviver (enquanto “espécie”), necessita de poder continuar a infetar. Por isso, ao fim de algum tempo sofre mutações para que os anticorpos dos que já foram infetados deixem de ser eficazes. E é isto a vida do vírus: infetar e contagiar. Ao fim de algum tempo, sofrer mutações para poder reinfectar.
O vírus ao entrar dentro das nossas células, torna difícil criar um medicamento que lhe faça mal sem nos prejudicar. Ele funciona através de nós. Por outro lado, ao mudar, faz com que os anticorpos de hoje não sejam eficazes amanhã. Foram muitos de anos de tentativa e erro até chegar aqui. Se deixarmos a nossa defesa entregue unicamente à natureza (entenda-se ao sistema imunitário), os mais fortes irão sobreviver e os mais fracos não, e esta relação que dura há milhares de anos irá continuar, umas vezes com mais sofrimento do que outras. Mas ao contrário do vírus, nós pensamos e temos vindo a evoluir e isso dá-nos esperança que um dia consigamos derrotar este e outros germes.
Reparem que o vírus antes do evento da agricultura, quando eramos caçadores recolectores, não conseguia sobreviver muito tempo, pelo menos na nossa espécie. Vivíamos em grupos pequenos, formados por cerca de 30 pessoas que evitavam o contacto com outros bandos. Isso significa que o vírus infetava todos antes de sofrer a primeira mutação e, consequentemente, ou matava todo o grupo ou era eliminado. Em ambos os casos era erradicado. Mas hoje somos quase 8 mil milhões de habitantes numa aldeia global. Por isso, para erradicarmos o vírus, ou para o tornarmos inofensivo, temos de continuar a investigar.
A vida do vírus não podia ser mais desinteressante, mas quer manter-se viva. Vem-me à memória uma imagem do filme “A Guerra do Fogo”, em que tudo faziam para evitar que a chama se apagasse. Isso só mudou no dia em que aprenderam a fazer fogo.    
A vida só se preocupa em sobreviver, não quer saber de ideais nem de sonhos, e aí, estamos em pé de igualdade com o vírus. Mas seria um retrocesso de milhões de anos, em termos evolutivos, se um ser tão básico como este vírus, que nem vive, apenas sobrevive, conseguisse exterminar um ser muito mais evoluído, que até já ambiciona encontrar vida noutros planetas.
Por isso, desta tragédia que até hoje já matou cerca de 350 000 pessoas em todo o mundo e infetou mais de 5 300 000, espero que também venham coisas boas. Dizem que há sempre dois lados na mesma moeda. Uma coisa boa poderá ser o teletrabalho. Se conseguirmos por essa via reduzir a poluição atmosférica, nomeadamente nos centros urbanos de maior densidade populacional. A outra, seria se aproveitássemos a lição para investigar mais este e outros germes. Precisamos de saber muito mais sobre eles.
Se quiser saber mais, leia o artigo do link em baixo de onde retirei os próximos parágrafos.
“Os vírus são pouco mais que um pacote de material genético cercado por uma concha de proteína espetada, com um milésimo da largura de uma pestana, e leva uma existência tão zombie que mal é considerado um organismo vivo.”
“Passaram milhões de anos aperfeiçoando a arte de sobreviver sem viver - uma estratégia assustadoramente eficaz que os torna uma ameaça poderosa no mundo de hoje.”

https://www.newstalkzb.co.nz/news/science/why-the-covid-19-coronavirus-is-so-hard-to-kill/

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Coisa Maldita ou Falta de Visão?


Nem sei o que lhe hei de chamar!
Parece-me Impressionante que “uma coisa” microscópica seja capaz de matar vários milhares de pessoas (ainda não sabemos quantas), de provocar um tremor de terra na economia mundial, e de deixar marcas na forma como vivemos.
Sim, é verdade que não é a primeira vez e que já passámos por epidemias piores, mas também é verdade que nunca fomos tão desenvolvidos tecnológica e cientificamente. Estamos no Séc. XXI.
O que mais me impressiona é que a “coisa” não tem cérebro nem vem doutro Mundo!
Talvez tenha algum tipo de algoritmo, com não sei quantos (milhões?) de anos, que nos põe a cabeça em água… Deixo isso para os especialistas!
O facto é que, segundo dizem, “nem sequer é um organismo vivo”!
Parece que a “coisa” não tem capacidade metabólica, mas consegue sequestrar as nossas células e pô-las a reproduzir “a coisa”, entenda-se, o dito vírus (Covid 19).
Nós que mandamos nisto tudo, que já somos capazes de provocar alterações no planeta às quais temos que nos adaptar, que tentamos chegar a uma teoria que explique TUDO, que sabemos como começou o Universo, vamos precisar de não sei quanto tempo (falam em um ano ou mais) para conseguir neutralizar a coisa.
Entretanto “a coisa” vai provocando prejuízos de muitos milhões (milhares de milhões) de Euros / Dólares na Economia Mundial, para evitar um mal maior.
Qual seria o número total de mortes se não tivéssemos recorrido ao confinamento social?
Os “SNS” não teriam sido capazes de assistir mais do que uma ínfima percentagem do total dos respetivos doentes.
Considerando uma taxa de infetados semelhante à da Gripe Espanhola, o número total de óbitos, com base na percentagem atual de mortes (6.9%) seria superior a 130 000 000.
Mas será que poderíamos fazer melhor? Será que se aplicássemos mais energia (e verbas) na luta preventiva contra estas “coisas” que nos matam, em vez de investir tanto em armamento ou projetos espaciais (por exemplo), será que conseguíamos prevenir estes desastres Humanos e Económicos?
Há quem acredite que sim! Pessoalmente, parece-me que faz todo o sentido!
Bill Gates em 2015 alertou para o facto de estarmos mal preparados para enfrentar uma pandemia, que esse seria provavelmente o maior risco com o qual nos iríamos deparar num futuro próximo, e antecipou as consequências dessa impreparação a nível humano e económico.
Infelizmente, não lhe prestaram a devida atenção.
Veja o vídeo visionário:
Espero sinceramente que a experiência que estamos todos a passar por causa deste vírus nos traga algo de positivo: nos dê uma maior capacidade de parar para olhar em volta, e pensar no que realmente é importante.