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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

 

Falta de consideração, ou o quê?

 

Dizem as notícias que até 2030, o Estado Português vai necessitar de trinta e quatro mil e quinhentos professores para fazer face aos pedidos de reforma nesse mesmo período.

Quando oiço esta notícia, não consigo deixar de pensar na história da Maria.

A Maria vem de uma família humilde. Enquanto estudava tinha que ajudar os pais, nomeadamente com atividades domésticas ou a cuidar do irmão mais novo. Mesmo assim, com esforço, muita dedicação e empenho, conseguiu média suficiente para entrar numa universidade pública de prestígio (Universidade Nova de Lisboa).

O Estado Português atento à situação da Maria resolveu premiar o seu esforço e concedeu-lhe uma bolsa, privando-a das despesas com as propinas e ainda ajudando noutras despesas curriculares.

A Maria termina a licenciatura com uma boa nota e tenta iniciar a sua atividade profissional regressando à terra natal que fica a aproximadamente 100 km de Lisboa.

Ao fim de poucos anos, sempre com contratos de trabalho que não lhe permitiam auferir o suficiente para contruir uma vida, a Maria regressou à capital.

Já passaram 22/24 anos desde que a Maria começou a trabalhar com formação pública de professora na língua de Camões e ainda não passou para os quadros.

Ou seja, após todos estes anos, não muito longe de atingir meio século de vida, a Maria continua, ano após ano, sem saber em que escola vai trabalhar, se vai ter horário completo, ou sequer se vai conseguir ter trabalho.

Como nunca deixou de ser professora contratada, a Maria está sempre a começar de novo. Ano após ano, em termos de salário é sempre como se fosse o primeiro.

Enquanto um professor dos quadros vai subindo de escalão, um professor contratado ganha sempre o valor inicial, o mesmo de há vinte e tal anos (no caso da Maria) apenas atualizado à inflação.

O empregador (Ministério da Educação) trata assim de forma desigual professores, mesmo não tendo como justificar essa discriminação com critérios pedagógicos ou profissionais[1].

A esse respeito, julgo que a falta de critério vem de trás, quando um determinado professor que se formou numa universidade privada ganha vantagem sobre outro que se formou numa universidade pública, porque o primeiro terminou o curso com uma nota superior ao segundo.

Na maioria dos casos, acontece que o segundo teve nota para entrar na universidade pública e o primeiro não. Acresce que o Ministério de Educação não controla a nota do primeiro e todos sabemos que um 16 numa privada pode não ser superior a um 14 numa pública.

O Estado deve garantir a Defesa, Justiça, Saúde e Educação.

À semelhança da saúde, também com a educação é possível saber quantas escolas são necessárias, para quantos alunos e o número adequado de professores em função do critério alunos por sala de aula.

Não faz sentido que o Estado Português gaste dinheiro dos contribuintes a formar professores para depois os deixar numa situação precária por décadas.

Ao princípio reconheceu o esforço da Maria e deu-lhe uma mão, para pouco depois a deixar na mão.

Pergunto-me porquê? O que faz o governo português (através do ministério da educação) ter este comportamento?

À partida, tenderia a dizer que seria para poupar. Afinal, um professor que ganhe sempre o mesmo durante décadas, fica muito mais em conta que um professor que foi subindo na carreira.

Se assumirmos que um profissional com vários anos de experiência tem geralmente maior capacidade de produzir do que tinha quando iniciou a sua carreira, então facilmente concluímos que o empregador está a beneficiar de um trabalho com especialização e com experiência, mas que não é pago enquanto tal.

Mais uma vez, parece que a iniciativa com vista a terminar com esta injustiça parte de fora (Bruxelas). O que leva a concluir que, em muitos casos, o governo português só toma iniciativas quando é pressionado para o fazer, e que a maioria de nós, só se preocupa com os problemas, quando estes lhes batem à porta.

Se não é falta de consideração, então o que é?

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

 

Bem Engendrado?

 

Surgiram algumas notícias sobre a não recandidatura de António Costa ao cargo de secretário-geral do PS.

Assim como rumores de um possível interesse de António Costa em um cargo europeu.

Nesta fase, não passam de especulações que só o tempo irá ou não confirmar.

O PS tem tentado passar a ideia que o Orçamento de Estado não foi aprovado por culpa dos partidos de esquerda (BE e PCP).

O Partido Socialista decidiu assumir a governação do país sem maioria absoluta (e sem coligação).

Quem votou no Bloco de Esquerda e no Partido Comunista Português, votou em programas eleitorais diferentes dos do Partido Socialista.

O Orçamento de Estado foi concebido unicamente pelo Partido Socialista.

Parece-me legítimo que os partidos a quem é pedido que contribuam com os seus votos para a aprovação do Orçamento de Estado, exijam em compensação, algumas medidas que vão ao encontro das suas políticas, e por consequência, das expectativas de quem lhes concedeu os votos.

As nove medidas que o BE exigia para aprovar o OE estão publicadas e podem ser consultadas em: https://www.esquerda.net/artigo/quais-sao-9-propostas-do-bloco-para-o-orcamento/77418

No programa da RTP “É ou não É?”, Mariana Mortágua do Bloco disse qualquer coisa como “nem sequer têm que aprovar todas as 9 medidas”.

A verdade é que não houve entendimento, e o orçamento acabou mesmo por não ser aprovado, e por consequência, a assembleia foi dissolvida e vamos para eleições antecipadas.

Quem lhe parece que poderá ter mais a ganhar com esta crise política?

Se o PS conseguir passar a ideia que foi provocada por BE e PCP, talvez consiga capitalizar alguns votos à esquerda.

Por outro lado, o principal oponente, está a atravessar uma situação de conflito interno.

A determinação da data das próximas eleições pode ditar se haverá, ou não, um congresso do PSD antes das eleições legislativas.

Se não houver, Rui Rio que não tem conseguido subir nas sondagens, será o principal opositor de António Costa.

Caso seja Paulo Rangel, será alguém que passou boa parte do tempo (até às próximas eleições) a digladiar-se com o seu opositor interno.

Há boas hipóteses da conjuntura ser favorável, para o PS conseguir a desejada maioria absoluta.

Caso essa pretensão seja mais uma vez frustrada, e António Costa decida procurar outros caminhos, Pedro Nuno Santos que já piscou os olhos aos partidos de esquerda, tentará reabilitar a gerigonça.

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Abono para crianças em pobreza extrema!

Na sequência da apresentação do Orçamento de Estado para 2022, foi anunciado o aumento do abono para crianças em pobreza extrema, no valor de 70 euros (em 2023 esse valor sobe para os 100 euros).

Pergunto-me se uma criança que vive em pobreza extrema, vai deixar de viver (nessa condição) com mais 70 / 100 euros por mês.

Como é possível fazer um anúncio destes, como se fosse uma coisa maravilhosa, quando muito provavelmente o impacto real na vida dessas crianças será insuficiente para as tirar da pobreza (na melhor das hipóteses, talvez deixe de ser extrema – a pobreza)? Aliás, a pobreza em Portugal parece que é uma doença crónica sem cura!

A resposta é simples. Essas crianças (assim como as suas famílias) são vistas como “os outros”.

Ou seja, atribui-se essa verba pelo peso percentual que irá ter na vida dessas famílias, mas não no que deveria ser a vida das crianças.

Por isso, com base em informações estatísticas, até são bem capazes de dizer: “mais 70/100 euros por mês é um aumento muito significativo que terá certamente um impacto muito positivo”.

Atrevo-me a dizer que essas crianças, poderão finalmente comer Nestum com Mel, pelo menos uma vez por outra (ou será que é melhor não? não vão habituar-se…).


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

O delírio das vacinas COVID

 

 

A vacinação em massa da população portuguesa começou e como já se esperava a comunicação social fervilhava por casos de negligência ou corrupção no plano de vacinação. Ao que parece houve 340 vacinas mal aplicadas num total de 400mil doses. Bom, num país que todos achamos ter um alto nível de corrupção, ter uma taxa de 0.08% de vacinas mal aplicadas não me parece mal, até porque a percentagem de ricos e muito ricos na nossa sociedade é bem maior que 0.08%!

A verdade é que as doses depois de abertas não podem ser guardadas e transportadas novamente. Como tal, ou as pessoas incluídas no plano comparecem à vacinação, ou caso contrário irão sempre sobrar vacinas. Os arautos da verdade e pureza muitos deles na forma de comentadores televisivos, certamente que teriam, à semelhança de um plantel de futebol, uma fila de suplentes à porta dos postos de vacinação, mas a verdade é que não é possível prever quantas vão sobrar.

É cómico ter os funcionários da pastelaria ao lado do INEM a levarem a vacina quando havia um quartel de bombeiros nas proximidades, mas, não vamos fazer disto uma prática e achar que tudo e todos são uns malandros.

Custa-me muito mais ouvir que se desperdiçaram 600 vacinas em Penafiel, do que meia dúzia de vacinas aplicadas indevidamente porque sobraram. No Reino Unido multiplicam-se denúncias de médicos de vacinas deitadas no lixo devido às regras apertadas de cumprimento do plano de vacinação.

Este delírio, esta procura incessante pelo prevaricador, ainda nos vai levar à situação ridícula de ter decisores a optarem por desperdiçar vacinas, só para não terem à porta a CMTV e verem as suas carreiras profissionais jogadas no lixo. Poupem-me e poupem o país que é pobre e como tal não se pode dar a esse luxo!

quinta-feira, 23 de julho de 2020

MAIS POBRES NA CARTEIRA E NOS AFETOS!


Imagine que dentro de um ano a comunidade científica vem dizer ao mundo que o desenvolvimento da vacina contra o Covid-19 correu mal. Os vários testes efetuados revelaram que o vírus sofre frequentes mutações e o efeito da vacina não dura sequer meio ano. Para piorar ainda mais a situação dizem-nos que a imunidade daqueles que já foram contagiados não é superior a esse período de tempo.
São-nos inclusive relatados casos de pessoas que poucos meses depois de se terem curado da doença, foram reinfectadas, e algumas delas, tendo sobrevivido à doença da primeira vez, não o conseguiram fazer quando da segunda infeção.
O mundo acabava de receber um enorme balde de água fria!
Todas as medidas que tinham sido tomadas para evitar o contágio do vírus, nomeadamente o cancelamento de eventos que implicavam uma grande concentração de pessoas, a redução da lotação de espaços fechados com vista a garantir o distanciamento social, e o uso obrigatório de máscara, principalmente em locais de espaço limitado, tinham associadas o pressuposto de serem passageiras.
Agora, com esta notícia, os governos ficam sem saber até quando isto vai durar.
Por este mundo fora, as economias continuam a ver o desemprego a aumentar e o PIB a decrescer, sentindo-se impotentes para contrariar essa tendência. Para tornar o cenário ainda mais desolador, há cada vez mais pessoas a passar fome.
Os governos veem-se na obrigação de tomar uma de duas decisões:
a)      Manter as medidas tal como estão, até que a comunidade científica encontre alguma solução eficaz contra o vírus, independentemente do tempo que for necessário;

b)      Atenuar ou abandonar algumas medidas, com vista a recuperar a economia para valores mais próximos da situação pré-pandemia.
Em qualquer dos casos, o “novo normal” veio para ficar. Temos de aprender a viver com menos.
Isso significa que não podemos deitar a máscara para o lixo nem voltar a abraçar aqueles que nos são mais queridos, especialmente se se encontrarem numa situação de maior vulnerabilidade (pelo menos até que se disponibilizem testes rápidos e de confiança).
Ao escrever estas linhas não consigo deixar de sentir alguma frustração. Somos muito mais inteligentes que o vírus, mas o vírus agarra-se às nossas células o que torna difícil acertar-lhe sem nos prejudicarmos. Atrevo-me a dizer que seria mais fácil derrotar os dinossauros, se existissem.
Uma coisa é certa, necessitamos da ciência para conseguir vencer o vírus. Sem laboratórios de investigação científica bem apetrechados e sem cientistas investigadores não conseguiremos ultrapassar esta pandemia. Não é algo que esteja ao alcance de qualquer um.
Até que esse momento tão desejado chegue temos que continuar a ter cuidados. A alternativa seria um retrocesso civilizacional. Não podemos permitir que se percam anos de vida de pessoas que têm muito conhecimento para partilhar. Os mais aptos não são necessariamente os que detêm mais conhecimento. Todos fazem falta!
Mas as notícias têm sido esperançosas. Existem inclusive razões para estarmos otimistas porque tudo aponta para que no início do próximo ano já tenhamos uma vacina.
Repare-se que meses depois de a doença ter sido anunciada já se conhecia a sequência genética do vírus. Se compararmos com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) que foi descoberto há cerca de 40 anos, a diferença é impressionante. Ainda hoje não temos vacina contra este vírus (embora, possamos suspeitar que existam condicionantes de natureza económica). Só no ano passado, morreram cerca de 700 000 pessoas de doenças relacionadas com a SIDA.  
Mas atenção! Embora tudo aponte para que o cenário hipotético aqui apresentado não se venha a concretizar, não sabemos quando surgirá o próximo vírus nem se será mais mortal e difícil de vencer que este.
Não podemos parar de investigar! A investigação traz-nos conhecimento que será sempre útil e permite-nos estar melhor preparados para qualquer eventualidade.
Se esta pandemia tivesse sido evitada graças ao conhecimento resultante de investigação científica, todos seriam unânimes em afirmar que teria sido o melhor investimento da nossa história.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

A Vida Sem Viver!

O vírus não se alimenta, não se movimenta, não se reproduz, não pensa. Até entrar num hospedeiro, mantém-se imóvel para poupar energias. Uma vez no hospedeiro, assim que consegue penetrar uma célula, sequestra-a, pondo-a a reproduzir vírus até que o doente contagie o próximo hospedeiro. O objetivo do vírus é contagiar (quantos mais melhor), até que o sistema imunitário do infetado o elimine. O vírus não ganha com a morte dos hospedeiros. Precisa deles para os poder reinfectar. Quando o vírus infeta uma espécie pela primeira vez, começa um processo de adaptação a um sistema imunitário diferente. Porque ainda se estão a “conhecer”, pode acontecer que haja uma desproporção de forças que torne o vírus mais ou menos letal. Esse equilíbrio entre o vírus e o sistema imunitário dos infetados pode demorar mais ou menos tempo a ser alcançado, e o número de mortes pode variar significativamente. O vírus, para sobreviver (enquanto “espécie”), necessita de poder continuar a infetar. Por isso, ao fim de algum tempo sofre mutações para que os anticorpos dos que já foram infetados deixem de ser eficazes. E é isto a vida do vírus: infetar e contagiar. Ao fim de algum tempo, sofrer mutações para poder reinfectar.
O vírus ao entrar dentro das nossas células, torna difícil criar um medicamento que lhe faça mal sem nos prejudicar. Ele funciona através de nós. Por outro lado, ao mudar, faz com que os anticorpos de hoje não sejam eficazes amanhã. Foram muitos de anos de tentativa e erro até chegar aqui. Se deixarmos a nossa defesa entregue unicamente à natureza (entenda-se ao sistema imunitário), os mais fortes irão sobreviver e os mais fracos não, e esta relação que dura há milhares de anos irá continuar, umas vezes com mais sofrimento do que outras. Mas ao contrário do vírus, nós pensamos e temos vindo a evoluir e isso dá-nos esperança que um dia consigamos derrotar este e outros germes.
Reparem que o vírus antes do evento da agricultura, quando eramos caçadores recolectores, não conseguia sobreviver muito tempo, pelo menos na nossa espécie. Vivíamos em grupos pequenos, formados por cerca de 30 pessoas que evitavam o contacto com outros bandos. Isso significa que o vírus infetava todos antes de sofrer a primeira mutação e, consequentemente, ou matava todo o grupo ou era eliminado. Em ambos os casos era erradicado. Mas hoje somos quase 8 mil milhões de habitantes numa aldeia global. Por isso, para erradicarmos o vírus, ou para o tornarmos inofensivo, temos de continuar a investigar.
A vida do vírus não podia ser mais desinteressante, mas quer manter-se viva. Vem-me à memória uma imagem do filme “A Guerra do Fogo”, em que tudo faziam para evitar que a chama se apagasse. Isso só mudou no dia em que aprenderam a fazer fogo.    
A vida só se preocupa em sobreviver, não quer saber de ideais nem de sonhos, e aí, estamos em pé de igualdade com o vírus. Mas seria um retrocesso de milhões de anos, em termos evolutivos, se um ser tão básico como este vírus, que nem vive, apenas sobrevive, conseguisse exterminar um ser muito mais evoluído, que até já ambiciona encontrar vida noutros planetas.
Por isso, desta tragédia que até hoje já matou cerca de 350 000 pessoas em todo o mundo e infetou mais de 5 300 000, espero que também venham coisas boas. Dizem que há sempre dois lados na mesma moeda. Uma coisa boa poderá ser o teletrabalho. Se conseguirmos por essa via reduzir a poluição atmosférica, nomeadamente nos centros urbanos de maior densidade populacional. A outra, seria se aproveitássemos a lição para investigar mais este e outros germes. Precisamos de saber muito mais sobre eles.
Se quiser saber mais, leia o artigo do link em baixo de onde retirei os próximos parágrafos.
“Os vírus são pouco mais que um pacote de material genético cercado por uma concha de proteína espetada, com um milésimo da largura de uma pestana, e leva uma existência tão zombie que mal é considerado um organismo vivo.”
“Passaram milhões de anos aperfeiçoando a arte de sobreviver sem viver - uma estratégia assustadoramente eficaz que os torna uma ameaça poderosa no mundo de hoje.”

https://www.newstalkzb.co.nz/news/science/why-the-covid-19-coronavirus-is-so-hard-to-kill/

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Coisa Maldita ou Falta de Visão?


Nem sei o que lhe hei de chamar!
Parece-me Impressionante que “uma coisa” microscópica seja capaz de matar vários milhares de pessoas (ainda não sabemos quantas), de provocar um tremor de terra na economia mundial, e de deixar marcas na forma como vivemos.
Sim, é verdade que não é a primeira vez e que já passámos por epidemias piores, mas também é verdade que nunca fomos tão desenvolvidos tecnológica e cientificamente. Estamos no Séc. XXI.
O que mais me impressiona é que a “coisa” não tem cérebro nem vem doutro Mundo!
Talvez tenha algum tipo de algoritmo, com não sei quantos (milhões?) de anos, que nos põe a cabeça em água… Deixo isso para os especialistas!
O facto é que, segundo dizem, “nem sequer é um organismo vivo”!
Parece que a “coisa” não tem capacidade metabólica, mas consegue sequestrar as nossas células e pô-las a reproduzir “a coisa”, entenda-se, o dito vírus (Covid 19).
Nós que mandamos nisto tudo, que já somos capazes de provocar alterações no planeta às quais temos que nos adaptar, que tentamos chegar a uma teoria que explique TUDO, que sabemos como começou o Universo, vamos precisar de não sei quanto tempo (falam em um ano ou mais) para conseguir neutralizar a coisa.
Entretanto “a coisa” vai provocando prejuízos de muitos milhões (milhares de milhões) de Euros / Dólares na Economia Mundial, para evitar um mal maior.
Qual seria o número total de mortes se não tivéssemos recorrido ao confinamento social?
Os “SNS” não teriam sido capazes de assistir mais do que uma ínfima percentagem do total dos respetivos doentes.
Considerando uma taxa de infetados semelhante à da Gripe Espanhola, o número total de óbitos, com base na percentagem atual de mortes (6.9%) seria superior a 130 000 000.
Mas será que poderíamos fazer melhor? Será que se aplicássemos mais energia (e verbas) na luta preventiva contra estas “coisas” que nos matam, em vez de investir tanto em armamento ou projetos espaciais (por exemplo), será que conseguíamos prevenir estes desastres Humanos e Económicos?
Há quem acredite que sim! Pessoalmente, parece-me que faz todo o sentido!
Bill Gates em 2015 alertou para o facto de estarmos mal preparados para enfrentar uma pandemia, que esse seria provavelmente o maior risco com o qual nos iríamos deparar num futuro próximo, e antecipou as consequências dessa impreparação a nível humano e económico.
Infelizmente, não lhe prestaram a devida atenção.
Veja o vídeo visionário:
Espero sinceramente que a experiência que estamos todos a passar por causa deste vírus nos traga algo de positivo: nos dê uma maior capacidade de parar para olhar em volta, e pensar no que realmente é importante.

quarta-feira, 18 de março de 2020

COVID-19, Marionetas e Zé Povinho




Tem meses que não publico um post no blog. A minha vida pessoal e profissional tem andado demasiado ocupada que permita ainda ter tempo e paciência para ao final do dia escrever um texto para publicar. Não é que não me lembre de temas. Tenho visto várias notícias que eram dignas de ficarem registadas neste blog, como as declarações da Ministra da Agricultura a dizer que a paragem da China podia ser uma oportunidade para Portugal (eles devem dizer o mesmo agora de nós), ou do ministro Matos Fernandes a dizer que a solução para o Mondego passava pelas populações se mentalizarem que tinha de abandonar as suas casas (!?sério?) e ir viver para zonas onde as cheias não chegam, ou que a solução para o carbono era reduzir em 20% o sector agropecuário (? Vá dizer isso na cara dos trabalhadores que vivem desse sector). Enfim.
Mas o que me traz aqui hoje diz respeito à situação em que se encontra o país hoje: a meio gás. O Covid-19 pelos vistos não dá só febres, dores e problemas respiratórios, também causa congelamento do cérebro dos nossos políticos e dirigentes nacionais.
António Costa, falhaste em toda a linha! Ouvir peritos da matéria (saúde, sociólogos, administração interna, etc..) é nobre, mas quando se trata de tomar decisões temos de ser nós a tomá-las. Há semanas atrás vi vários “experts” a falar nas Tv’s a dizer que isto não era grave. Vi inclusive a diretora da DGS a dizer que as netas dela estavam na escola e não havia problema nenhum (dois dias depois estavam a encerrar as escolas). Vi a mesma senhora a dizer que o Iburon não fazia mal nenhum e ontem a OMS desaconselhou o seu uso… Enfim todos têm as suas opiniões e Portugal nesse aspecto é um caso particular – não vou dizer singular – mas todo o burro caga sentença. Todos acham que sabem mais. Provavelmente com a melhor das intenções.
Falhaste porque este pequeno País à beira-mar plantado, tão longe de todos, que tanta vez se queixa do seu isolamento da Europa tinha tudo para evitar esta crise. Assim que o surto chegou à europa, tivessem havido tomates para suspender as ligações aéreas e encerramento das fronteiras de Portugal continental e Ilhas e hoje, muito provavelmente, tínhamos a nossa economia interna a funcionar. Não tínhamos este stress dos supermercados com o risco de convulsão social por falta de bens alimentares nas prateleiras.
Tanto se falou dos dramas do turismo que era um sector que representava 10% do PIB nacional. A sério?? Por 10% lixam-se 90%?? Agora com país parado é que o PIB vai à vida. Mais, ter isolado o país em fevereiro lixava o sector do turismo em meses de época baixa, mas minimizava os efeitos de uma época alta vazia, uma vez que o turismo interno também representa alguma coisa. A minha avó sempre dizia “vão-se os anéis, fiquem os dedos”. A estratégia deste governo foi admitir que ia ficar primeiro sem anéis e depois sem dedos, para que o choque não fosse tão “traumático” para os portugueses. Agora estamos todos em casa a fazer contas para quando é que temos de ir ao supermercado.
Com os números a crescer em Itália ainda houve quem fosse gozar as suas férias da “neve” para os Alpes! Ou para o carnaval de Veneza, ou para as feiras de Milão! Ou quem fosse de cruzeiro para Cádiz e de autocarro chegou a Lisboa porque o porto de Lisboa recusou receber o cruzeiro. A sério?! Por favor!? Mas que amadorismo é este?. Definam-se as principais rotas comerciais, use-se o comboio de mercadorias, fechem-se todas as outras estradas (não é difícil, basta o exército levar uma giratória e abrir um buraco na estrada que nenhum carro passa). Os tratores levam os semirreboques até ao parque em Vilar Formoso e lá um trator espanhol pegava o semirreboque e levava para Espanha ou para a fronteira Francesa. Custa mais? Sim. Mas seria melhor que estar parado!
Esta subserviência ao sector do turismo irrita-me profundamente. Podíamos ter aproveitado para manter a nossa indústria a trabalhar, quem sabe até crescer para fornecer uma Europa parada, mostrar aos investidores que este país “isolado” pode ter vantagens. Podíamos ontem ter oferecido à UEFA a possibilidade de organizarmos novamente um EURO (2020), em que as equipas vinham 2 meses antes, faziam a quarentena controlada e podiam jogar – só com adeptos portugueses nas bancadas é certo – mas mantinham-se patrocínios, algumas unidades hoteleiras salvavam o ano e dava-se futebol ao zé povinho, tuga e europeu (e tão bom que era as pessoas ligarem a Tv e terem a sensação que está tudo normal). Não há Giro de Itália? Tour de France? Havia em Portugal. Perdíamos hoje 10% do PIB, mas mantínhamos 90% do PIB e os ganhos futuros poderiam ser enormes.
Tal como na crise de 2008/2010 em que Sócrates decidiu ser bom aluno europeu e fazer o que Angela Merkel mandou (com a diferença que os nossos cofres estavam vazios), também António Costa decidiu ser marioneta europeu e alinhar pela mesma estratégia que os seus parceiros europeus: uma quarentena progressiva. “A bold attempt is half way to success” (a ousadia é meio caminho para o sucesso). Foi essa ousadia de enfrentar os mares que levou Portugal a ser um Império. Não foi a ser lacaio de Espanha que o conseguimos. Aliás, no tempo dos Filipes ficou bem visível o que acontece quando somos lacaios. A nossa história já nos devia ter ensinado a decidir o nosso futuro.
Agora Costa, vais cair nas sondagens. E quando isso acontecer o Bloco e o PCP não vão ter problemas de consciência em provocar uma pequena crise política e tirar-te do governo. Da minha parte, acho que é merecido. Não contes com o meu voto. Quero líderes. Não quero lacaios.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Eleições Regionais da Madeira – Por um Danoninho se perde…

Decorreram hoje as eleições regionais da Madeira e pela primeira vez fiquei especado em frente à televisão para ver os resultados. Foi uma noite intensa com incerteza até ao último minuto. Pela primeira vez o PS Madeira apresentou uma dinâmica capaz de mobilizar votos e isso reflectiu-se nos resultados. Foi pena que o Bloco de Esquerda não tenha conseguido atingir os votos necessários – por muito pouco, diga-se – para atingir um deputado que faria história na democracia da Ilha, visto que o mesmo, a ser conquistado teria retirado um deputado ao PSD. Cafofo bem dizia que faltava um danoninho e faltou mesmo! Apesar de ter conquistado vários deputados regionais, fica aquele sabor amargo de quem esteve quase, quase, quase a fazer história na democracia madeirense. Ainda não foi desta!
Mas só na política é que as vitórias podem ser convertidas em derrotas e as derrotas em vitórias. A direita saiu vitoriosa elegendo juntos os 24 deputados necessários para uma maioria de direita na Assembleia Regional. No entanto, não deixa de ser irónico que o partido que perde 4 deputados, passa de 7 para 3, saia feliz e contente destas eleições tão somente porque os poucos deputados eleitos são cruciais para a estabilidade governativa da região.
O candidato do CDS-Madeira no seu discurso de vitória disse que não enjeitava qualquer solução governativa que permitisse cumprir as promessas que fez aos madeirenses, ou seja, piscou o olho ao PSD e ao PS. No final da noite Assunção Cristas apressou-se a colocar os pontos nos ís dizendo em tom autoritário “com todo o respeito pelo CDS-Madeira, mas havendo uma maioria de direita, havendo vontade de ambos os partidos, só têm de se entender, não fazendo sentido qualquer outra solução”.
Mas será tão simples assim? Quem achar que a política é assim tão simples, tão linear, tão esquerda ou direita, não tem grande futuro na mesma. No mundo de hoje quantos jovens leram Karl Marx? Ou as teorias do liberalismo económico? As pessoas não conhecem a fundo as ideologias dos partidos em que votam, criam uma afinidade com os candidatos e revêm-se em algumas frases ditas pelos mesmos que as levam a votar em determinado partido. A verdade é que até o hoje o CDS-Madeira foi uma oposição muito crítica do regime autoritário do PSD-Madeira, filiando apoiantes com essa retórica. Juntar-se ao PSD-Madeira é perder a face. Juntar-se ao PSD- Madeira poderá transmitir aos seus apoiantes um sentimento de traição, pois no momento histórico em que poderiam fazer a diferença para realmente mudar alguma coisa, acabaram por juntar-se aos “tiranos”. Pior do que isso, é que o momento de junção ocorre no pior momento para os dois partidos, que caíram em queda livre nestas eleições. A história recente tem demonstrado que as alianças entre um grande partido e um pequeno partido acabam por, no futuro, se revelarem catastróficas para os pequenos. Com a tendência de queda na fixação de eleitorado, o CDS-Madeira corre o risco de, daqui por 4 anos, eclipsar-se na ilha. Está bom de ver que isso a Assunção Cristas não diz nada, mas para os que lá moram não é um futuro auspicioso. Não vai ser uma decisão fácil para os membros do CDS-Madeira. É uma derrota que aparentemente parece vitória mas que pode ter consequências brutais no futuro do partido regional. O contexto político da Madeira tem uma história própria de regime autoritário e de desprezo por todos os que estão contra o regime do PSD, que fracturou muito o eleitorado ao longo dos anos. Parece-me que seria mais fácil o CDS-Madeira manter o seu eleitorado ou até crescer e garantir a sua existência no futuro juntando-se ao PS do que juntando-se ao PSD. Vamos ver se optam pelo trilho mais fácil ou pelo mais difícil.
Já para o PSD, esta coligação também pode ser catastrófica. É verdade que por agora mantêm-se no controlo, mas quando o final da legislatura se aproximar muito provavelmente o CDS vai fazer cair o governo para tentar evitar o eclipse do partido. A queda do governo somado a um desgaste natural de Albuquerque tem tudo para correr mal. Uma coisa estas eleições trouxeram: emoção até ao fim. Os próximos quatro anos vão ser explosivos, ai se vão!

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Os Portugueses estavam a viver acimas das suas possibilidades!



·         Foi a adesão ao Euro. Dizem que não estávamos preparados …

·         Os preços de alguns produtos subiram devido aos arredondamentos. Esse aumento não foi refletido nos aumentos dos salários.

·         Depois vieram as PPPs e a construção de autoestradas mesmo em trajetos que outras soluções mais económicas serviam perfeitamente.

·         A corrupção entre o Estado e o Privado.

·         A Justiça lenta e burocrática (e por isso mais dispendiosa).

·         O pagamento de rendas excessivas aos produtores de eletricidade? E os favores à EDP?

·         As ganâncias dos bancos que emprestavam dinheiro até a quem não tinha condições de saldar os empréstimos. E com isso tivemos de pagar biliões para resgatar os bancos.

·         Depois veio a “Troika”. Congelaram os salários, cortaram um dos subsídios e criaram a sobretaxa.

·         As privatizações de empresas lucrativas que trataram logo de aumentar os preços para terem ainda mais lucros.

·         Depois alteraram os escalões do IRS, para pagarmos ainda mais impostos.

·         Criaram quotas mais apertadas para progressões na carreira (e escalões com mais letras).

·         Os jornais escrevem que a classe mádia está a encolher.

·         Os jovens licenciados emigram e não pensam em voltar tão cedo.

·         A disparidade salarial é das maiores da europa (diferença entre de salários dos gestores e dos trabalhadores).

·         O salário médio líquido é inferior a 800 Euros.

·         Os preços das casas ainda não parou de subir (como será quando as taxas de juro subirem?).

·         Apesar de tudo isto, as exportações têm crescido, assim como a economia, e o défice desceu para 0,5%.

A pergunta que resulta: Como teria sido se não tivéssemos vivido acima das nossas possibilidades?


O GOVERNO TRATA OS TRABALHADORES DO ESTADO DE FORMA DESIGUAL.


O primeiro-ministro diz que o único compromisso do Governo “era o descongelamento das carreiras na função pública”.
Por outro lado, a Lei do Orçamento do Estado para 2018, de 29 de dezembro, estabelece no artigo 19.º que “a expressão remuneratória do tempo de serviço nas carreiras, cargos ou categorias integradas em corpos especiais, em que a progressão e mudança de posição remuneratória dependam do decurso de determinado período de prestação de serviço legalmente estabelecido para o efeito, é considerada em processo negocial com vista a definir o prazo e o modo para a sua concretização, tendo em conta a sustentabilidade e compatibilização com os recursos disponíveis.”
Ou seja, para aqueles setores do Estado em que o tempo de serviço é determinante para a progressão nas carreiras, o Governo admite considerar um período para efeitos de recuperação do tempo em que as mesmas estiveram congeladas.
No caso dos professores, o Governo aprovou contabilizar dois anos, nove meses e 18 dias “no momento da progressão ao escalão seguinte, o que implica que todos os docentes verão reconhecido esse tempo, em função do normal desenvolvimento da respetiva carreira”.
Entretanto, ficamos a saber que também as forças militares e os juízes vão ver algum tempo considerado.
O país entra em crise e “pedem-nos a todos” um esforço que inclui o congelamento dos salários, e agora o Governo vem dizer que para aqueles que progridem na carreira de x em x anos vai ser contabilizado algum desse tempo, e para os restantes não.
Porquê? Provavelmente o Governo acha que os trabalhadores do Estado cujas progressões nas carreiras não dependem do tempo de serviço podem ser aumentados todos os anos, ou a qualquer altura…
Será que o Governo não sabe que há profissionais de setores do Estado (sejam funcionários públicos, sejam do setor empresarial) que ficam anos e anos sem ser promovidos, mesmo com avaliação consecutivas de bom desempenho?
E que esses períodos de tempo podem ser muito superiores aos referidos de “x em x anos”?
E que existem cotas para progressão na carreira que servem para impedir a grande maioria dos profissionais de progredir, durante anos e anos, mesmo com muito boas avaliações de desempenho?
E que muitos dos trabalhadores do Estado estão há pelo menos 8 anos sem ser promovidos e que podem ficar ainda muitos mais anos (com diminuição da qualidade de vida, primeiro no ativo e posteriormente na reforma)?  
E que as tabelas de progressão na carreira sofreram recentemente aumentos dos escalões com a consequente redução no incremento salarial?
Quem dera a muitos profissionais do Estado ter a possibilidade de progredir na carreira de tantos em tantos anos, à semelhança dos professores, militares ou juízes, desde que isso dependesse do bom desempenho das suas funções.
Por tudo isto, não posso deixar de dizer que esta descriminação que o Governo está a fazer ao tratar de forma desigual profissionais de diferentes setores do Estado, me parece muito mal.
Será que tudo isto se deve ao facto de certas profissões terem maior capacidade de fazer pressão sobre o Governo?
Seja como for, a mim parece-me injusto.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

A tragédia de Borba




A semana passada Borba foi notícia pelas piores razões, uma derrocada numa estrada arrastaria consigo algumas viaturas para uma queda superior a 60m e um número incerto de pessoas para uma morte certa.

Assim que os “média” pegam no assunto inicia-se a procura por responsabilidades. Tem início o jogo do passa a outro e não ao mesmo. O Estado diz que a estrada é municipal, o município diz que quem esburacou foram os privados e que os mesmos é que deveriam ter resolvido o assunto, os privados dizem que alertaram para o problema e como anjos que são até tinham a solução para o problema que consistia em deitar a estrada abaixo, mas de forma controlada, para, já agora, se “aproveitar um pouco mais a pedra”. Como sempre todos têm culpa e ninguém a vai ter. Coitados dos que morrem e dos que ficam sem eles.

Quanto à culpa para mim é de todos. Do Estado porque licencia a exploração mineira e deveria fiscalizar a sua aplicabilidade e não permitir que a exploração chegue tão próximo da estrada que até 2005 era nacional (ou seja do Estado) sem uma devida solução geotécnica para contenção das terras. Lamento, Sr. Ministro das Infraestruturas e Transportes Pedro Marques, mas ao contrário do que quer fazer crer, o estado não está “limpo” de culpas. Poderá certamente dizer que o actual governo não tem nada a ver com o assunto. Pode. Mas não pode ir para as câmaras de televisão dizer que o estado está isento de culpas. Não está. Não pode estar.

As empresas de extração por não cumprirem a lei e por não terem acautelado a segurança da estrada aquando da escavação, também não podem estar isentas. E não serve de muito fazer-se uma reunião, em 2014, da qual sai a conclusão que a estrada está em risco e que, como tal, o melhor é fechar-se e extrair o resto da pedra. Não meus amigos, se a estrada está em risco porque extraíram pedra até onde não deveriam ter extraído – pondo em causa a estabilidade dos solos onde está implantada a estrada – então é da vossa responsabilidade adotar as medidas necessárias para reforço da contenção da estrada para que a mesma não caia. Não se lava as mãos desta situação dizendo que se avisou que havia um problema que por acaso até foi criado por eles!!

Por último o município. Responsável pela estrada desde 2005 e que pelos vistos nada fez por tentar resolver este problema. Percebo que não queira fechar a estrada em nome de falsas intenções dos “pedreiros” que estavam mais interessados em demolir a estrada do que a intervir na sua estabilização, com o propósito de aumentarem a capacidade de extração das pedreiras adjacentes. Percebo que entenda que a estrada faz falta à população e que a queira no lugar onde está. Não percebo é que nada faça para manter os munícipes primeiro e depois a estrada em segurança. Como entidade gestora da estrada pode sempre fecha-la até realização de obras. Fechar não implica demolir e desaparecer para sempre. Não houve pedidos, processos em tribunal, reuniões em que se solicitasse a resolução do problema. Nada? Está tão embrulhado nisto como os outros mas com uma pequena grande diferença: é que os “pedreiros” zelam pelos seus interesses e o senhor presidente da Câmara de Borba foi eleito para defender os interesses dos seus munícipes. Parece-me óbvio que não defendeu. Parece-me óbvio que já se devia ter demitido.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Aeroporto, no Montijo?




Continua a discussão se o novo aeroporto de Lisboa vai para o Montijo ou não. Confesso que já tenho dificuldade em lidar com esta falta de decisão, este anda para a frente e anda para trás. Também já se percebeu que a Vinci tem todo o interesse em que isto se arraste no tempo uma vez que vai aumentando as taxas e, a lei da oferta e da procura não falha, quanto mais os horários tiverem preenchidos mais caro vai ser aterrar em Lisboa.
Mas independentemente de eu já estar enfadado com isto, não me posso conformar com o que parece à vista de todos um erro, por várias razões. Primeira: é um aeroporto militar e não civil. Segundo porque é suposto ser um Portela+1 em vez de ser só Montijo. Terceiro por causa dos pássaros. Quarto porque é um aeroporto na margem sul para servir a margem norte, ou seja, os passageiros vão todos para lá e depois temos de os transportar a todos para a margem norte através de autocarro, com todos os constrangimentos ambientas que isso traz. Quinto e último (e já não são poucos) não existe transporte público decente, rápido e fiável para trazer os passageiros para a margem norte. Fazer depender de uma travessia de uma ponte o acesso ao aeroporto é jogar na roleta russa os bilhetes para o avião. Quando houver um acidente na ponte chega tudo atrasado aos voos..
Continuo a ter para mim que as melhores soluções seriam:
  1. Se é para manter a Portela, o outro aeroporto deveria ser em Tires. Grande parte dos turistas que aterram em Lisboa vão a Sintra e Cascais, assim talvez algumas transportadoras não se importassem de operar para aquela zona. Uns 800 milhões daria para expropriar e recolocar algumas casas que infelizmente deixaram construir ali ao pé, aumentar a pista e construir um terminal ao estilo terminal 2 da Portela com capacidade para umas 12 portas de embarque. Com mais uns 120 milhões construía-se um metro de superfície Tires-Carcavelos para ligar à linha de comboio.
  2. Se a solução passa por acabar com a Portela, só vejo uma solução possível, a base aérea de Alverca. Sim tem lá a Força Aérea, sim tem as oficinas. Mas tem uma coisa muito boa: a linha do norte! Em 20 minutos se o transporte fosse directo os passageiros estavam na Gare do Oriente ou com um pouco mais em Santa Apolónia. Melhor que isto é impossível. Tem espaço para crescer para cima do Tejo (estritamente o necessário claro) e fazer duas pistas em paralelo para aumentar o fluxo de transporte.


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

CP e a compra de novas composições


Foi anunciado pelo presidente da empresa – Carlos Nogueira - que irão ser adquiridas 22 unidades para o serviço regional, comboios que irão ajudar a melhorar o nível de serviço prestado pela CP, num investimento estimado em 170milhões de euros. Entretanto, como essa compra aguarda ainda o aval do Estado para o lançamento do concurso internacional, o próprio concurso, a adjudicação e a entrega das composições, só lá para 2024 (na melhor das hipóteses) deveremos ter as novas composições a circular nas linhas portuguesas. Entretanto vamos viver de aluguer de comboios à espanhola Renfe.
De recordar que em 2010, a CP desistiu do concurso para comprar 49 automotoras eléctricas para a Linha de Cascais e 25 composições a diesel para o serviço regional. Na altura este investimento estimava-se em 300milhões. Também nessa altura optou-se por alugar automotoras à Renfe por 5,35milhõs de euros ao ano.
Actualmente a CP paga à Renfe, pelo aluguer de 20 comboios, cerca de 7milhões de euros/ano e prepara-se para alugar mais quatro composições por 1,4milhões. Ou seja vão comprar 22 unidades por 170 milhões e andam a pagar, por material usado, 8,4milhões por 24. Não é necessário ser muito douto na matéria para perceber que isto é má gestão. Os comboios da Renfe, usados, muito provavelmente têm maiores custos de manutenção que novos, pelo que em vinte e poucos anos o investimento estará pago. Isto ainda é mais gritante se considerarmos que a CP tem composições com 50-60 anos. Não é admissível deixar chegar os comboios da CP a este estado, só o é porque os nossos “gestores do estado”, deputados e políticos, não andam no transporte corriqueiro da CP – só ALFA.
Mas também tenho algo a dizer aos políticos e ao presidente Carlos Nogueira: não pensem que vai ser com este reforço de 22 unidades que vão resolver o problema da CP e que em 2025 vamos ter uma empresa pública a deixar de absorver milhões do orçamento do estado! Seriam necessárias muito mais composições e outra coisa muito importante: traçados de linhas de comboio contemporâneas, adaptadas às necessidades dos novos aglomerados populacionais e não de há dois séculos atrás quando foram construídas!..
Talvez seja melhor começarem por jogar um joguinho muito didáctico para quem quer perceber como se deve gerir uma empresa de caminhos-de-ferro. O jogo RailRoad Tycoon II, pode dar-vos umas luzes. É que se tivessem jogado, saberiam que composições com 50 a 60 anos são economicamente inviáveis. No dito joguinho ao final de 20 anos o melhor é trocar o comboio pois os custos de manutenção ultrapassam as receitas. Também os traçados das linhas têm muita importância.

Vá lá senhores políticos e gestores! Tirem um fim-de-semana e joguem um bocadinho! Pode ser que aprendam alguma coisa e deixem de queimar dinheiro em paliativos para a CP!..


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A luta dos professores

Todos os anos é isto. Todo o início do ano lectivo ou época de exames, é marcada por protestos dos professores contra tudo e mais alguma coisa na esperança que caia mais algum no bolso para se calarem.
A luta pela contagem de serviço, congelada desde o tempo de Sócrates, não tem fim. Desde que há avaliação na função pública para “controlar” as progressões nas carreiras, que os professores se têm colocado à margem disto, colocando entraves ao sistema de avaliação, para que a mesma não se efective e que se mantenha o sistema “automático” de progressão. Ou seja, a cada 4 anos o professor sobe na carreira desde que tenha uma classificação de “bom” na avaliação. Para quem não sabe, o “bom” é um 3 numa escala de 1 a 5. Resumindo, é um médio.
A corporação sempre recusou a utilização dos resultados dos exames dos alunos como parte da avaliação o que a mim me faz confusão. Que melhor ferramenta para avaliar o sucesso de um professor que o resultado dos exames dos seus alunos?? Podem dizer que há escolas piores que outras e há de facto!. Mas a avaliação não deveria comparar escolas mas sim na própria escola. Ou seja, a escola tinha alunos com médias de 11. Se vem um exame e aquele professor consegue que os alunos dele tenham uma média de 13 nos exames, é porque tem mérito. Mas isto obriga a muito empenho.
Recentemente deparei-me na envolvente familiar com um fracasso num exame nacional. Após investigar melhor o porquê dos alunos todos da turma se terem estampado a bem estampar no exame de matemática, verifico que o professor resolveu dar a matéria à sua maneira e não seguir o programa do livro que supostamente rege a matéria. Das duas uma - e nenhuma delas é boa - ou o professor se acha no alto da sua soberba que ele é que sabe e que quem faz os programas é tonto, borrifando-se para o seu objectivo último que é o sucesso dos seus alunos, ou então é um CALÃO de primeira que não esteve para estudar um pouco e alterar os seus apontamentos. Ora esta besta, muito provavelmente, vai ter uma avaliação de “Bom” que é “médio” e ao final de 4 anos vai progredir. Isto está correto?
Ontem saiu um relatório da OCDE que diz que em Portugal os professores ganham em média mais 35% que técnicos do Estado com igual qualificação profissional. Só no Luxemburgo esta diferença é maior e na Grécia verifica-se uma diferença de 15%. Em todos os outros países, ou ganham o mesmo ou menos que os outros técnicos do estado (em média menos 9%). E porque ganham menos? Vendo bem, trabalham menos horas semanais que os restantes funcionários – consoante o escalão têm até um dia de folga – e não trabalham nas férias escolares.

Mas ainda assim, estas excepções e/ou regalias não chegam. O objectivo deles é terem o primeiro lugar no ranking das diferenças salariais para os demais trabalhadores do Estado. Como é que o Luxemburgo se atreve a ser o primeiro lugar? Se o governo de António Costa ceder e contar os 10 anos de serviço, pode ser que não chegue ao Luxemburgo, mas vai ficar mais perto de alcançar…

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Sporting - E agora?

Por ser adepto do Sporting Clube de Portugal, não podia deixar passar este triste episódio das rescisões sem fazer um comentário a tudo isto, que provavelmente será extenso, porque a dimensão dos factos e das suposições também o são.
Como nota prévia queria deixar claro alguns pontos:

  • Bruno de Carvalho é daquelas pessoas que ganhava muito em por vezes ser mais discreto, reservado. É um estilo pessoal. Há quem goste e há quem não goste. Gostei muito quando no início do seu mandato, adoptou uma postura crítica antissistema, porque é algo que, qualquer adepto mais atento sabe que há efectivamente mecanismos de controlo de poder no futebol português. Não deveria de o ser, mas infelizmente é. No entanto, quando a mesma postura levou para a crítica fácil e brejeira comecei a ficar com o pé atrás. Quando foi buscar Jorge Jesus ao rival, com toda a polémica que envolveu, com permanente troca de galhardetes entre JJ e o Benfica e o Bruno de Carvalho a ir no barco, temi o pior. Estavam-se a semear os tormentos.
  • Nasci no pós 25 de abril. Sempre conheci a liberdade. Aos meus 18 anos fui com todo o orgulho votar pela primeira vez e senti-me um cidadão activo e participativo. Quem leu o blog certamente percebeu que me custou muito os anos de Pedro Passos Coelho no poder. Não pelos impostos, mas pelo discurso anti Estado, anti função pública, anti português no geral, que ele próprio e o PSD durante anos geriram. No entanto acho que as mudanças fazem-se em eleições, não com golpes de estado.
  • Não sou ingénuo. Não acredito em anjos e diabos. Tenho consciência que há muita gente honesta e de palavra no seu dia-á-dia. Mas também sei que, quando toca a negócios, a honestidade e palavra leva-as o vento com muita facilidade. Não deveria ser assim mas, palavra, é coisa do século XIX. Hoje a vida vive-se a 200km/h, vive-se para o momento e nos negócios é a mesma coisa, pensa-se a curto prazo e não a longo prazo.
  • O ataque de 50 vândalos à academia é uma cena digna do terceiro mundo. Nunca deveria acontecer, tal como nunca deveriam acontecer aqueles vídeos de pancadaria nas ruas ou de bulling entre jovens. É lamentável e acho bem que sejam criminalmente punidos, seja com prisão ou trabalho comunitário.

Vamos então às rescisões. Ver o que os jogadores invocam nas cartas de rescisão, a mim daria para rir não fosse o caso ser tão sério. Não percebo muito bem o que querem os jogadores invocar, parece que querem rescindir por causa do ataque a Alcochete, mas como esse ataque é feito por adeptos que não fazem parte da SAD (entidade empregadora) e que ainda por cima se envolveram em troca de acusações no aeroporto da Madeira, então, na carta de rescisão, tenta-se colar o presidente da SAD, Bruno de Carvalho, aos acontecimentos para que haja justa causa. Dizer que mensagens whatsapp a dizer “temos de ganhar” é uma pressão insustentável, vindo do responsável pelo negócio para um funcionário, parece brincadeira. O post pós atlético? Lendo e relendo o mesmo também não me parece que seja assim tão atentatório da reputação. Que raio!? Um presidente não pode dizer que um jogador jogou mal naquele jogo? Que foi nabo?.. Ao que isto chega. Se o presidente insinuasse que tinham sido pagos para perder, que eram corruptos, era uma coisa! Agora, nabos? Não pode dizer que são nabos? O futebol assim vai mudar, e muito!
Rui Patrício também acha que mudar de treinador a uma semana da final da taça é mais um elemento desestabilizador do plantel. Allô? Mas o clube agora não pode despedir treinadores? Existe data para despedir treinadores?
Para mim, há uma responsabilidade de Bruno de Carvalho sim, mas não é de agora. Não é das mensagens de Janeiro de 2018, Março, Abril ou Maio de 2018. É tão somente ter prometido aos adeptos que em 4 anos ia ganhar dois campeonatos! Ter prometido e à data, terem passado 16 anos sem ganhar!. É ter ido buscar um treinador altamente “inflamável” como Jorge Jesus que fanfarrão como é, também prometeu tudo e mais um par de botas aos adeptos. Andou em constantes trocas de acusações com o rival SLB. Arrastou BdC nessa guerra apenas para proteger o seu ego. Valia tudo para ganhar. Ambos prometeram o mundo e nem uma hortinha arranjaram. Com o barco a afundar JJ deu o fora. Mas antes de dar o fora tratou de garantir que as culpas do seu insucesso são da “conjuntura” e não dele próprio. Não será aquele comunicado dos jogadores após o jogo de Madrid, para mim tão espontâneo como irrefletido e escusado, reflexo da postura de Jorge Jesus?
Estes vendedores de sonhos têm esta consequência, iludem de tal maneira as pessoas que quando as mesmas caem na realidade normalmente não o fazem de forma pacífica. O futebol é um jogo de massas, um jogo de emoções, para o bem e para o mal. É também por isso que gera milhões de euros e que os seus agentes – futebolistas incluídos – ganham rios de dinheiro. Como Rui Patrício diz na sua carta, e bem, o futebol mexe com os “adeptos mais primários”. E por isso todos, mas todos os intervenientes nesta modalidade e sem excepções, têm de ter um comportamento que seja mais de contenção do que de conflito. E os jogadores têm um papel importante nisso. Se fazem ronha em campo – como fizeram no jogo com o marítimo – depois têm também de aceitar a crítica dos adeptos e não responder. Assumir as responsabilidades de um mau jogo, não é virar as costas aos adeptos e fazer gestos jocosos ou responder com bocas. Se Rui Patrício sabe que são primários, então sabe que este tipo de comportamento também não ajuda. Mais depressa este tipo de atitudes descambam em violência do que "post’s" dos presidentes…
Para mim são todos culpados. Num passado longe e recente, Bruno de Carvalho e Jorge Jesus pelos anos a “arranjar lenha” para a fogueira e os jogadores por, no final da temporada terem ido à bomba de gasolina buscar um garrafãozito de 5L de gasolina. Os adeptos foram o fósforo.

Posto isto, até percebo que depois de apanharem na boca, que os jogadores queiram abandonar o clube. Compreendo perfeitamente. Mas uma coisa é querer outra é poder. Existem contratos, também eles para o bem e para o mal. Não consigo por isso perceber que Rui Patrício, sabendo que o clube até aceitou facilitar a sua saída, indicando ao seu agente Jorge Mendes que podia procurar clube, que a 3 meses do fecho do mercado, por o Sporting ter decidido negociar a proposta (algo perfeitamente normal), apresente logo de seguida a carta de rescisão.
O que vejo aqui são os jogadores a querem mudar de vida e a terem a certeza que esta época vão mudar de clube. Independentemente do valor que o SCP vier a receber – porque estou convicto que o vai receber – ser justo ou não e de o SCP se ver privado de ter uma equipa competitiva para o ano. Os jogadores não querem saber disso. Sabem que têm uma cláusula de rescisão alta e que se o SCP exigir o pagamento da mesma, provavelmente não sairão esta época. Com a carta de rescisão o SCP vai ser obrigado a negociar a sua saída. Seja por 2/3 ou ½ do valor da cláusula, mas vai ter de os deixar sair. Não há volta a dar. Se ficassem, provavelmente o rendimento desportivo ia ser baixo e nunca saberemos se os adeptos perdoariam as cartas de rescisão. Resumindo, os jogadores com a carta garantiram que vão-se embora do clube. Seja de que forma for.

Também não tenho a mínima dúvida que caso o Sporting não estivesse em "guerra civil" muito provavelmente os empresários dos jogadores não viam aqui a oportunidade de ouro de ganhar boas comissões.
Todo este processo movido por Jaime Marta Soares parece-me em má altura. Com esta tempestade no futebol o melhor seria deixar passar. Deixar Bruno de Carvalho assumir a responsabilidade de resolver o problema que criou - deixá-lo a imolar-se - e para o ano, caso as coisas continuassem neste estado, então sim tentar retirá-lo do lugar. Assim dá de facto a sensação de Golpe de Estado o que não fica bem à oposição. Correm o risco sério de isto se virar contra eles e acabarem a dar o poder absoluto a Bruno de Carvalho.

Mas isto é típico neste clube. Sempre foi assim. Muitos galos para o poleiro. Resultado em 34 anos, temos dois campeonatos ganhos...

PS – Mas o estilo cáustico de Bruno de Carvalho também trouxe adeptos aos estádios. Não soube bem aos jogadores terem um estádio cheio a apoiar? Ou mesmo nos jogos fora terem uma boa falange de apoio? Não há bela sem senão, temos é de aprender a viver com ela.