Pesquisa

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Aumento de 2,6% nas tarifas dos CTT

Quantas vezes não ouvimos os nossos políticos justificar as privatizações de empresas do sector empresarial do estado com eficiências e diminuição dos custos para os contribuintes? Podemos não querer lembrar, mas já ouvimos isto várias vezes. A verdade é que isto nunca acontece e é fácil perceber porquê. Em empresas com dimensão nacional e por vezes até internacional, a “má gestão” de recursos humanos ou materiais dilui-se na operação. A operação representa uma fatia tão grande que pagar 1200euros a um funcionário que no mercado de trabalho livre receberia 800, são “piners” (pronúncia de Jorge Jesus para a palavra peanuts).
Acresce que o investidor que compra uma empresas destas quer lucro e recuperar o seu investimento no menor curto espaço de tempo, enquanto que uma gestão pública apenas se preocupa em constituir reservas suficientes. Até porque, por norma, são criadas entidades reguladoras para não deixar facturar mais do que o necessário. Como sabemos o lucro é calculado após as receitas e proveitos da empresa que incluem a operação (a grande fatia). Subir 2% no volume total de negócios representa muito mais do que cortar o salário a um milhar de trabalhadores, por isso é que para o contribuinte os preços nunca baixam.

Assim, só por mera ilusão ou falsidade se diz que uma empresa vai custar menos aos contribuintes sendo privada do que sendo pública. Prova disso é o aumento anunciado hoje nas tarifas dos CTT em 2,6%. Aposto com quem quiser que lá para Setembro vai voltar a haver um aumento na ordem dos 3%. Não acreditam? Vamos esperar para ver.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O problema da Crimeia é um problema de Gás


Se vos disser que os triângulos representam furos de captação de gás e a mancha azulada a reserva de gás, acho que não é preciso dizer muito mais...
Para além disso, controlando os únicos gasodutos junto à costa, garante-se a dependência da Ucrânia (e outros países) uma vez que se impossibilita o abastecimento por via marítima.

O Sorteio das Fa(r)turas

Vai começar o badalado sorteio dos Audi A4 e A5 a entregar aos bons contribuintes que fazem o favor ao estado de pedir factura e de fiscalizarem o pagamento de impostos pelas empresas substituindo-se ao estado nessas funções. E como é que o estado agradece? Entrega carros que para a maioria da população não servem. Como dizem, e bem, quem é que nesta altura tem dinheiro para beneficiar de um carro daqueles?! Pois. Mas será que já pensaram se é suposto o povão ficar com aqueles carros? Vai ser necessário uma sorte danada! É que a rifa para entrar no sorteio é atribuída por x euros em facturas. O que é que acontece? O piolho, que gasta apenas no supermercado, água, luz, gás e pouco mais, vai ter 10 vezes menos hipótese de ganhar comparando com quem compra um fato Rosa&Teixeira, uma mala LuisVitton todos os meses…
Talvez por isso é que são entregues Audis A4 e A5 e não “Fordes” Fiesta de 15mil euros! Caros contribuintes, convençam-se: se os impostos quando nascem não são para todos, os prémios dos impostos também não! Isso é que era bom!
Então a divulgação da informação dos custos de manter um carro daqueles, completada com “a possibilidade de se recusar a participar no concurso” diz tudo sobre o que é suposto acontecer nestes sorteios. Claro que primeiro vai sair a um Zé povo qualquer para a SIC e a TVI fazerem propaganda. Mas depois disso…

Nota: O governo anda sempre a falar que devemos aumentar as exportações e diminuir importações. Anda sempre a dizer que devemos optar por produtos nacionais e estimular a nossa economia. No entanto, tendo a possibilidade de comprar VW Scirocco, que é um carro também de gama alta (35 a 45 mil euros) adopta antes pela importação de carros de 58mil euros…

terça-feira, 1 de abril de 2014


http://www.publico.pt/opiniao/jornal/o-sonho-de-pedro-passos-coelho-25222371


"Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. Se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.

Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.

Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.

O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca- -vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.

O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.

Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."