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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Recompra de dívida



Mais uma vez ouvimos com pompa e circunstância nos órgãos de comunicação social um aclamado sucesso na ida aos mercados para recomprar dívida que vencia em Outubro de 2014 e outubro de 2015. A primeira chamada de atenção, dos mais de 15mil milhões de dívida que vencem nesse período o estado apenas conseguiu comprar mil.

O segundo aspecto importante prende-se com o objectivo disto tudo. Para se recomprar dívida tem de se ter liquidez. Ora há duas semanas o estado Português vendeu dívida com juros de 5,11%. Se o juro da dívida que foi recomprada era superior a 5,11%, então estaremos perante um bom negócio. Mas se fosse inferior (que é o que consta) então é um mau negócio. Quer dizer que fomos há duas semanas contrair mais dívida a 5,11%, em quantidade superior ao que necessitávamos, apenas para ficarmos com alguma liquidez para agora fazermos esta acção de recompra.

Então qual o objectivo por detrás disto tudo? Creio que a resposta está no primeiro parágrafo. Como a dívida vencia em outubro deste ano e em 2015 (ano de eleições), contraiu-se há duas semanas dívida para agora poder-se aliviar a de 2014 e 2015, curiosamente ano de eleições.

Bom, peguei no gráfico que publiquei em dezembro e fiz uma pequena actualização, como se pode ver na imagem.

·         Em Dezembro2013 foram 6,2mil milhões atirados para 2017 e 2018 (amarelo);

·         No início de Janeiro foram 3mil milhões atirados 5 anos para a frente(laranja);

·         E agora foram mais 3mil milhões atirados 10 anos para a frente ou seja 2024 (rosa).

Mais uma vez não estamos a pagar dívida estamos a atirá-la para a frente.
Quem ainda não emigrou, é bom que comece a ponderar, porque olhando para o gráfico as perspectivas não são nada animadoras. Se isto foi o que foi nos últimos anos para conseguirmos amortizar (pagar ou vender nova dívida) no valor de 11mil milhões, nem quero imaginar o que vai ser quando tivermos de amortizar (pagar ou vender nova dívida) de 17mil milhões, como acontece nos anos 2016, 2017 e 2018.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Circo do PSD 2014 – Coliseu de Lisboa


Este fim-de-semana decorreu mais um congresso do PSD, mas para mim, do pouco que vi pareceu-me mais um circo ou um espectáculo de stand-up-comedy do que debate político. Começo por aqui mesmo, política.

Tudo o que vi em directo foi mau, foi palhaçada. E tudo o que vi nos resumos dos órgãos de comunicação social foi pior ainda: peixeirada. Política, ideais ou convicções: ZERO.

Muitos disparos contra Seguro, muita gente preocupada em “marcar lugar” no partido (Santana, Menezes, Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa) e pouca substância. A minha opinião pessoal é que este congresso colocou em evidência o falhanço da nossa democracia e o porquê do estado miserável em que se encontra o nosso país.

Não há cérebros. Não há iluminados. Não há estadistas. Não há governantes. Não há política nem políticos.

Existem sim, neste país, diferentes matilhas em que os seus membros aprenderam a respeitar a hierarquia e a viver na e à custa da matilha. Todos eles esperam que o líder caia, mas enquanto isso não acontece vão andando com a matilha, sempre à espera do seu naco de carne, da sua parte do festim.
Esta cobardia e dependência do partido demonstrada por Marques Mendes e Rebelo de Sousa descredibiliza-os por completo. O beija-mão não é coisa compatível com o raciocínio livre. Esta ditadura partidária espelhada na falta de valores e de respeito pela divergência de opiniões dos seus camaradas de partido, conduziu-nos à actual situação económica e é responsável por termos actualmente os piores intervenientes políticos de sempre desde o 25 de abril. Uma miséria.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O problema Ucraniano


Ao ver todos os dias as imagens impressionantes de Kiev, onde estoicamente ucranianos lutam com a sua própria vida pelos seus ideais, seria mais que justo da minha parte fazer uma referência a todo este impasse.

Recapitulando, as últimas adesões à União europeia deixaram de fora a Ucrânia, uma vez que o país não se encontrava em condições para aderir, quando há uns anos, os novos membros se prepararam para entrar. É um país que ainda tem muita corrupção, muitas dúvidas nos actos eleitorais etc. No entanto este ficar de fora deixa marcas, ainda por cima, quando os dirigentes políticos ucranianos foram fazendo jogo duplo ao longo dos últimos anos, dizendo que sim à união, ao mesmo tempo que não diziam não à Rússia. Foram assim empurrando o problema para a frente, até que, chegado o dia de decidir, as expectativas pró europeias do povo foram friamente desfeitas.

Como em quase todos os conflitos o problema resume-se a dinheiro. Falta dele ou muito mas limitado a poucos, o problema anda sempre à volta disto. A Ucrânia debate-se com grandes dificuldades financeiras e salários baixos. A adesão à União resolveria o problema? Talvez não porque um país mergulhado há anos numa cultura de corrupção demoraria muitas décadas a recriar-se numa sociedade mais justa e próspera. Mas é legítimo abdicar do sonho de tornarmo-nos melhores só porque o caminho é difícil? Não. E os Ucranianos ao longo das últimas décadas já sentiram na pele o que a aliança económica com a Rússia produziu e principalmente o que não produziu. Por isso têm o sonho.

E o papel do presidente Ucraniano no meio disto? Bom é difícil. O facto é que energeticamente a Ucrânia depende da Rússia que ameaçou subir os preços. Ao mesmo tempo, a mesma Rússia vai comprando aos poucos a dívida Ucraniana, que não dá para produzir alterações significativas na economia mas apenas para manter a Ucrânia “ligada à máquina”. A verdade é que o país está altamente dependente da Rússia e devido à falta de credibilidade das instituições ucranianas e da elevada corrupção, não há investidor que esteja interessado em comprar dívida daquele país. Mesmo a União Europeia. Teria sido prudente ter realizado um referendo? Talvez. Mas num país em que o próprio presidente é acusado de ter ganho as eleições de forma fraudulenta, seria sempre difícil, se não impossível, de as diferentes facções aceitarem os resultados.

Depois existem todas as questões estratégicas e geográficas. O gasoduto que atravessa a Ucrânia e abastece a europa também não deve ajudar à festa. Enfim, demasiados interesses que acabam por vitimar quem apenas ambiciona a ter comida no prato e aquecimento na casa para a sua família. Enquanto as economias falarem mais alto que os interesses sociais este problema vai ser difícil de resolver. Para já, o meu respeito por quem luta com a própria vida, por um sonho de uma vida melhor.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Leonardo Jardim Inventou: Benfica esmagou


Confesso que as derrotas como a de ontem são as que mais me custam a engolir. Isto porque, eu não exijo que o Sporting tenha “Messis”, mas exijo que tenha um pouco mais de Académica, de Rio Ave e de Nacional etc. na sua postura, ou seja um pouco mais de espírito de entrega, de equipas pequenas quando jogam contra os grandes: pés assentes na terra e humildade em vez de vedetismo.

Ontem Jardim resolveu ser vedeta e saiu mediocremente banalizado. Tal como antes do jogo vi em muitos jornais e na blogosfera profetas encantados com o arrojo de Jardim para domingo, vejo hoje esses profetas resignados à ausência de William Carvalho. “Sem ele, não somos nada!” – Apregoam.

Nada mais errado. Nem o arrojo de Jardim era acertado, pelo contrário, estava bem errado, nem a dependência de William Carvalho é assim tão forte. Pelo menos, na minha opinião! Como se pode tirar essa conclusão de uma equipa que nada tem que ver com a equipa onde joga William Carvalho, tal foram as alterações preconizadas por Jardim? Só por estupidez.

Jardim falhou estrondosamente e pior do que isso foi não ter a humildade de assumir o seu erro atirando as culpas para a atitude dos seus jogadores, que, na visão do treinador, não fizeram pressão nem circularam a bola. Os bons resultados que a equipa vinha a fazer incharam o ego de Leonardo em demasia, ao ponto de, no alto da sua soberba, nem sequer perceber que a tal falta de atitude dos jogadores, de pressão e capacidade de passe, deveu-se ao facto de o treinador ter alterado por completo o estilo de jogo dos últimos 7 meses. Se esta derrota servir para Leonardo Jardim descer à terra, esvaziar a soberba e voltar ao seu modelo de jogo simples, então foi bem-vinda. Se Jardim não tiver aprendido nada, vai espetar-se outra vez e com ele leva a equipa e o Sporting.

Passando ao jogo propriamente dito o que se passou ontem foi que para resolver o problema da falta de 1 jogador, perderam-se 4. Dier e André Martins fora das suas posições foram ZERO e Montero e Slimani sem bolas foram ZERO. O problema não está no Piris ou no Rojo. Está em passar 90min a correr atrás dos jogadores do Benfica porque não há meio campo. Só lá estava um: Adrien que foi uma vítima no meio disto tudo.

Quem era o melhor substituto do William Carvalho? Adrien. Então qual era o problema na montagem da equipa? Era substituir o papel do Adrien no jogo. Qual o jogador mais parecido a Adrien? Está na equipa B e chama-se Ricardo Esgaio. Segundo problema: sem William perdemos altura. Solução simples sem alterar o sistema de jogo: Montero no banco joga Slimani (foi assim que o Sporting jogou e muito bem, com o Porto em Alvalade).

Se achava que a altura dos jogadores ainda não era suficiente colocava o Dier em vez do Maurício ou do Rojo no eixo da defesa. Se ainda estivesse obcecado com a altura começava o jogo com Heldon e Wilson Eduardo nas alas. Mantinha o seu sistema de jogo, principalmente a dinâmica do meio campo. Mantinha a equipa equilibrada e mesmo que perdesse 2-0 fazia uma boa exibição. Assim, perdeu os 3 pontos, perdeu a motivação dos jogadores que já não têm taças e agora nem campeonato e, principalmente, foi uma cagada em três actos, com clara desvalorização dos jogadores que entraram em campo…

Já não sei qual foi o treinador que uma vez disse isto: para que me servem avançados se não tenho meio-campo para os alimentar? É para mim um princípio básico do jogo e creio até que já escrevi aqui no blog que, a grande equipa do Barça de Guardiola, jogava sem avançado e goleava. Para quê jogar com dois avançados se a bola não chega lá?

Dai-me paciência para a estupidez dos treinadores que este clube vai buscar.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A educação de um povo


Tem-se falado muito do incentivo que o ministério das finanças quer dar aos contribuintes que solicitam factura sempre que gastam dinheiro. A ideia até pode dar resultado. Aliás, não tenho dúvida que vai resultar em maior receita fiscal para os cofres do estado. Não concordo é com o princípio que está por detrás desta medida. Tal como nós não devemos educar os nossos filhos a trabalhar em casa, ou a portarem-se bem com base em recompensas, também o estado não deve educar o seu povo da mesma forma. É obrigação de um filho respeitar um pai, pelo menos assim o deve ser. Com os “rebuçadinhos” corremos o risco de alimentar o lado mercenário que já existe em elevada percentagem nos genes do nosso povo. Esse tem sido o maior problema deste país. É que a maior parte da população quando olha para os seus vizinhos não vê uma comunidade, não vê uma sociedade não vê um rumo conjunto, vê uns tansos mesmo a jeito de serem comidos.

Esta nossa forma de estar, orgulhosamente egoísta e presunçosa, está na base do nosso falhanço como país, como comunidade. Porque em vez de nos indignarmos quando vemos velhos ou reformados a serem espoliados dos seus direitos, até suspiramos de alívio por não serem os nossos tomates a serem apertados. É o princípio do cada um por si. Este governo, bem sabedor das fraquezas do seu povo, vai explorando o pior que dele pode tirar.

Assim, com a cenourinha à frente, o burrinho, carregado com sacos de impostos, cansado de tanto imposto alombar, lá vai arranjar mais umas forças para se aguentar até chegar à cenourinha. Mesmo sabendo que há uma forte probabilidade de no final, o dono fazer desaparecer a sua querida cenourinha.
Há opções? Há. Para quando colocarem uma disciplina, no final da escolaridade obrigatória (9º ou 12º), sobre a sociedade civil, onde se abordem, entre outros temas, a questão dos impostos quais são e para que servem, dos contratos de trabalhos, o funcionamento da segurança social etc. Comecei a trabalhar aos 23 anos, após os estudos superiores e não sabia nada de nada, limitei-me a assinar os papéis que me metiam à frente. Lembro-me até, de alguma indignação por parte dos funcionários das finanças e segurança social, pelas perguntas que lhes colocava. Alguém teve o cuidado de me explicar? Quando as pessoas não sabem ou não percebem o funcionamento do "sistema" ou das coisas, não lhes dão o devido valor. Isto é mais que certo.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Estoril Open Vrs Miró


Ouvi ontem a notícia que, devido às dificuldades de financiamento da empresa de João Lagos para organizar o torneio do Estoril Open, o estado pondera reconhecer o mesmo como de “interesse público” de forma a justificar o seu financiamento. Hoje são 2milhões que estão em falta, quando for o estado a pagar serão 5milhões, já se sabe. A história recente está pejada de exemplos em que quando são privados a organizar é tudo pelo mínimo, mas quando é o estado a pagar é tudo em grande.

Acontece que este evento é para que meia dúzia de tios de cascais, por uns dias, sintam-se como nos dias loucos de Wimbledon ou do Parque dos Príncipes - brincarem ao desporto. O dinheiro, esse mal necessário, vai para prémios dos participantes e vencedores –a maioria estrangeiros – para a organização, João Lagos tem de viver de alguma coisa e preferencialmente bem, e para os filhos dos tios de cascais que nesses dias são contratados pela organização (a bom preço) para ajudarem no evento.

O mais interessante é que só nos jogos dos melhores classificados no ranking mundial ou das meias-finais para a frente, é que as bancadas do court esgotam. Nos restantes andam às moscas. Isto demonstra bem o "interesse público" no evento: pouco. Aliás, com a crise a tirar qualquer sonho de cometer pequenas excentricidades à classe mediana, a afluência ainda deve ser mais baixa. 

Eu até que gosto do ténis, gosto mesmo. Não tenho nada contra. Mas numa altura que vejo o governo a dizer que as obras de Miró não interessam e que têm de vender os quadros para fazer dinheiro, prepararem-se para gastá-lo numa organização privada de um torneio sectário dá-me a volta à tripa.

Já alguém perguntou aos milhares de museus espalhados pelo mundo se estariam interessados em expor 85 obras de Miró? E quanto pagariam por mês pela exposição? Estou em crer que em vez dos 2milhões negativos (para começar) do torneio de ténis obteríamos 2milhões de euros positivos no balanço anual das nossas finanças. Ah, e continuaríamos a ser os donos do património.

Este governo faz-me lembrar os piores momentos da nossa história, com os gastos e desperdícios da família real a fazer-se mais do que aquilo que realmente eram: novos ricos.